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      Edição 190 - Agosto de 2003
 

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O estilo linha dura de Judith é recente. Começou em 2000, quando ela e três ex-colegas de faculdade fundaram a agência Mair und Andere. Em busca de eficiência, as sócias aboliram os novos cânones da gestão moderna e apostaram no conservadorismo. A experiência é contada no livro Schluss mit Lustig (Acabou a Diversão), lançado em dezembro de 2002 e já na sexta edição. Nesta entrevista a AMANHÃ, Judith comenta o resultado.

O que a disciplina e a rigidez que você defende trouxeram de bom para a sua agência de publicidade, a Mair und Andere?
Desde que começamos a trabalhar unicamente das 9h às 18h, nosso trabalho se tornou mais efetivo e nossos finais-de-semana têm sido livres. Minhas sócias são mulheres e, desde que começamos a usar uniformes, passamos a ser levadas mais a sério pelos chefes de outras agências de publicidade, que quase sempre são homens mais velhos. Além disso, a nossa relação com freelancers e trainees se tornou mais fácil, porque agora todos vêm para o escritório para trabalhar, e não para conversar ou tomar cafezinho. Ficou mais fácil instruí-los, já que criamos uma distância formal com eles.

Os funcionários gostaram das mudanças?
Eles ganharam mais tempo livre, e viram que conseguem isso quando trabalham de forma mais efetiva. Não temos mais que passar a noite no escritório para finalizar um trabalho.

Por que você resolveu adotar essa disciplina?
Quando fundamos a agência, em 2000, éramos como qualquer outra empresa do ramo. Começávamos a trabalhar pela manhã e seguíamos trabalhando a noite toda. Entretanto, logo depois de nosso primeiro projeto, estávamos todas exaustas e irritadas umas com as outras. Então decidimos que nosso jeito de trabalhar teria que mudar. A primeira mudança foi limitar nosso horário de trabalho entre as 9h e as 18h. Depois passamos a usar uniformes e aceitamos a idéia de que, no trabalho, estaríamos apenas para trabalhar. Rapidamente, vimos que esse era o jeito mais eficaz de fazer as coisas acontecerem.

Por que, então, as suas idéias causam tanta polêmica?
O livro causa polêmica porque quebra os valores da Nova Economia. Valores esses que levaram à derrocada das ponto.com, em 1999. O conservadorismo se tornou necessário novamente. A sociedade européia sabe que é hora de voltar às raízes. Além disso, eu e minhas sócias somos mulheres e temos 30 anos. As pessoas nos vêem no contexto da Nova Economia e, por isso, ficam abismadas quando percebem que, na verdade, somos conservadoras.


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