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O estilo linha dura de Judith é recente.
Começou em 2000, quando ela e três
ex-colegas de faculdade fundaram a agência
Mair und Andere. Em busca de eficiência,
as sócias aboliram os novos cânones
da gestão moderna e apostaram no conservadorismo.
A experiência é contada no livro
Schluss mit Lustig (Acabou a Diversão),
lançado em dezembro de 2002 e já
na sexta edição. Nesta entrevista
a AMANHÃ, Judith comenta o resultado.
O que a disciplina e a rigidez que você
defende trouxeram de bom para a sua agência
de publicidade, a Mair und Andere?
Desde que começamos a trabalhar unicamente
das 9h às 18h, nosso trabalho se tornou
mais efetivo e nossos finais-de-semana têm
sido livres. Minhas sócias são mulheres
e, desde que começamos a usar uniformes,
passamos a ser levadas mais a sério pelos
chefes de outras agências de publicidade,
que quase sempre são homens mais velhos.
Além disso, a nossa relação
com freelancers e trainees se tornou mais fácil,
porque agora todos vêm para o escritório
para trabalhar, e não para conversar ou
tomar cafezinho. Ficou mais fácil instruí-los,
já que criamos uma distância formal
com eles.
Os funcionários gostaram das mudanças?
Eles ganharam mais tempo livre, e viram que conseguem
isso quando trabalham de forma mais efetiva. Não
temos mais que passar a noite no escritório
para finalizar um trabalho.
Por que você resolveu adotar essa disciplina?
Quando fundamos a agência, em 2000, éramos
como qualquer outra empresa do ramo. Começávamos
a trabalhar pela manhã e seguíamos
trabalhando a noite toda. Entretanto, logo depois
de nosso primeiro projeto, estávamos todas
exaustas e irritadas umas com as outras. Então
decidimos que nosso jeito de trabalhar teria que
mudar. A primeira mudança foi limitar nosso
horário de trabalho entre as 9h e as 18h.
Depois passamos a usar uniformes e aceitamos a
idéia de que, no trabalho, estaríamos
apenas para trabalhar. Rapidamente, vimos que
esse era o jeito mais eficaz de fazer as coisas
acontecerem.
Por que, então, as suas idéias
causam tanta polêmica?
O livro causa polêmica porque quebra os
valores da Nova Economia. Valores esses que levaram
à derrocada das ponto.com, em 1999. O conservadorismo
se tornou necessário novamente. A sociedade
européia sabe que é hora de voltar
às raízes. Além disso, eu
e minhas sócias somos mulheres e temos
30 anos. As pessoas nos vêem no contexto
da Nova Economia e, por isso, ficam abismadas
quando percebem que, na verdade, somos conservadoras.
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