| Silvia
Lisboa

Decifra-me ou eu te devoro. O desafio lançado
pela esfinge a Édipo na peça de
Sófocles se aplica a milhares de empresários
e executivos quando o assunto é preço.
Porém, diferentemente de Édipo,
a maioria do empresariado está longe de
matar a charada. Os motivos são os mais
variados. Vão desde erros básicos
nos processos de formação de preços
até o fato inegável de que, quase
sempre, os empresários não dão
a devida importância ao tema. Além
disso, é preciso uma boa dose de paciência
para entender os complicados conceitos que regem
o assunto. Resultado: cada vez mais companhias
são devoradas pelo enigma do preço.
Hoje, não há dúvidas de que
quem baliza o preço de qualquer produto
ou serviço é o mercado. Mesmo assim,
as empresas parecem ignorar essa regra básica.
Algumas sequer conhecem a “Fórmula
Reversa” criada pelo papa do marketing Philip
Kotler, que coloca o consumidor na base da formação
dos preços. O consultor Roberto Assef,
autor dos livros Guia Prático de Formação
de Preço e Manual de Gerência de
Preços (ambos da Editora Campus), pesquisou
as 200 maiores empresas norte-americanas e concluiu
que apenas 8% delas levam a sério a adoção
de uma estratégia de precificação.
Na prática, a velha e ultrapassada fórmula
de repassar para o consumidor os custos de produção
continua valendo – para desgraça
dos negócios.
A pesquisa “Perfil do Consumidor do Futuro”,
da Universidade de São Paulo (USP), dá
um motivo e tanto para os empresários começarem
a se preocupar devidamente com essa questão.
O estudo revela que, daqui para frente, as estratégias
de precificação terão de
levar em conta o fato de que o consumidor está
cada vez mais educado, exigente e seletivo. “O
aumento de escala propiciará uma oportunidade
de redução de preços, mas
também haverá espaço para
as empresas investirem em agregação
de valor e segmentação de mercado”,
afirma James Wright, coordenador do Programa de
Estudos do Futuro da USP.
Se a questão não lhe parece simples,
você tem toda a razão. Definir preços
de produtos ou serviços é uma tarefa
complicada. O processo envolve um amplo levantamento
de variáveis do mercado, de carga tributária
e de custos de produção. Mas o fato
é que muitas empresas simplesmente não
conseguem apurar esses dados. E o fenômeno
não se restringe ao Brasil. “Fui
à China e à Alemanha investigar
metodologias de apuração de custos,
e qual foi a minha surpresa: ninguém soube
me responder”, descreve André Aterino,
consultor financeiro e diretor da Palas Athena
Gestão de Custos. “Não basta
você calcular seus gastos e tributos uma
vez e achar que eles continuarão sempre
os mesmos”, aconselha.
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