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      Edição 187 - Abril de 2003
 

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Quando as empresas só ligavam para o lucro, Stephan Schmidheiny já pensava no social. Conheça as novas – e inovadoras – idéias do pioneiro da sustentabilidade


Elisa Batalha


Ninguém falava em responsabilidade social das empresas ou desenvolvimento sustentável quando o milionário suíço Stephan Schmidheiny veio pela primeira vez ao Brasil, no final da década de 60. Havia, sim, um movimento para tornar o mundo mais justo, mas era liderado por estudantes com jeans rasgados e cabelos compridos – que, diga-se de passagem, cultivavam um ódio quase mortal às grandes corporações mundiais, tachadas de sanguessugas do terceiro mundo. Então com 20 anos, Stephan retornou à Suíça, sede do gigantesco grupo empresarial criado por seu bisavô, impressionado com o que vira na América Latina. A pobreza generalizada contrastava com um continente jovem, dinâmico, enérgico, progressista, disposto a aprender e mudar. “Existia uma oportunidade fantástica para que a sociedade civil se organizasse e entrasse nas áreas onde os governos haviam falhado”, revela, em entrevista a AMANHÃ.

Hoje, com 55 anos, Stephan Schmidheiny controla o GrupoNueva. Trata-se de um império formado por mais de 40 empresas do setor da construção civil, entre elas a Amanco, fabricante de tubos e conexões sediada em Joinville (SC) e dona das marcas Akros e Fortilit. Detalhe: todos os negócios do grupo, que fatura US$ 1 bilhão por ano, estão localizados na América Latina, uma tradição que vem desde os tempos do bisavô de Stephan. Foi para se familiarizar com alguns desses negócios que o suíco veio para o Brasil com 20 anos. “Essa visita teve uma influência decisiva na minha vida”, admite. Em suma, o jovem herdeiro já exibia, nos anos 60, uma mentalidade que se disseminaria muito depois: a de que a iniciativa privada tem papel importante no combate às mazelas sociais.

Mas não é só por isso que Schmi-dheiny é considerado um pioneiro mundial do terceiro setor. As suas idéias sobre desenvolvimento sustentável costumam andar bem à frente das concepções da maioria dos grandes empresários mundiais. E suas decisões costumam indicar tendências que só serão imitadas por outras corporações e ONGs anos mais tarde. Por exemplo, o modelo de gestão da ONG criada por Schmidheiny, a Avina, e as iniciativas de responsabilidade social nas companhias do Grupo Nueva são inovadoras. Além disso, a concepção que o suíço tem do que é desenvolvimento sustentável segue sendo uma exceção e certamente ganhará a cabeça de inúmeros empresários nos próximos anos. Na opinião dele, as empresas não têm de investir na comunidade para melhorar a imagem ou porque os consumidores assim demandam – e sim porque, a longo prazo, é um ótimo negócio.

Projeto social da ONG Semear, de Novo Hamburgo: ponte com os empresários da região


Uma das primeiras medidas de Schmidheiny ao ganhar mais espaço no grupo da família foi desvincular suas empresas das atividades ligadas ao amianto. Fez isso muito antes que os legisladores europeus e de outras partes do mundo proibissem a utilização do material, que provoca a asbestose – uma espécie de petrificação dos pulmões – nos mineradores e operários. Agora, uma das companhias do Grupo Nueva, a Amanco, promete fazer algo parecido com o chumbo, que dentro de pouco tempo será substituído pelo Zinco-Cálcio.

O megaempresário estampou de vez seu nome no cenário do terceiro setor, em 1990, quando fundou o Conselho Empresarial Mundial Para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês), entidade que reúne 165 grandes corporações de todo o planeta. Para se ter uma idéia do “time” que o suíço reuniu, basta dizer que fazem parte do WBCSD: Ford, GM, Unilever, Shell, entre muitos outros gigantes. Foi o Conselho que trouxe o empresário de volta ao Brasil, no início da década de 90, para uma nova experiência mar-cante. Schmidheiny ficou incumbido de organizar a participação das maiores multinacionais do mundo na Eco 92, no Rio de Janeiro. “Foi um dos primeiros esforços internacionais para convencer as grandes corporações a colaborarem com a redução dos danos causados ao meio ambiente”, analisa. Assim como a visita ao Brasil nos anos 60, a participação no megaevento lançou nova luz nas idéias do suíço sobre desenvolvimento sustentável. “Concluí que muitos dos países onde eu tinha investimentos não só eram economicamente ineficazes, mas suas tendências sociais eram insustentáveis, incluindo a educação, o meio ambiente, a pobreza, a criminalidade e a administração pública. E percebi que eu e outros líderes empresariais tínhamos a capacidade e a responsabilidade de trabalhar para conseguir sociedades mais sustentáveis”. Bom-mocismo? Nada disso: “Deveríamos fazê-lo inclusive para garantir a nossa própria sobrevivência”.

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