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Elisa
Batalha

Ninguém falava em responsabilidade social
das empresas ou desenvolvimento sustentável
quando o milionário suíço
Stephan Schmidheiny veio pela primeira vez ao
Brasil, no final da década de 60. Havia,
sim, um movimento para tornar o mundo mais justo,
mas era liderado por estudantes com jeans rasgados
e cabelos compridos que, diga-se de passagem,
cultivavam um ódio quase mortal às
grandes corporações mundiais, tachadas
de sanguessugas do terceiro mundo. Então
com 20 anos, Stephan retornou à Suíça,
sede do gigantesco grupo empresarial criado por
seu bisavô, impressionado com o que vira
na América Latina. A pobreza generalizada
contrastava com um continente jovem, dinâmico,
enérgico, progressista, disposto a aprender
e mudar. Existia uma oportunidade fantástica
para que a sociedade civil se organizasse e entrasse
nas áreas onde os governos haviam falhado,
revela, em entrevista a AMANHÃ.
Hoje, com 55 anos, Stephan Schmidheiny controla
o GrupoNueva. Trata-se de um império formado
por mais de 40 empresas do setor da construção
civil, entre elas a Amanco, fabricante de tubos
e conexões sediada em Joinville (SC) e
dona das marcas Akros e Fortilit. Detalhe: todos
os negócios do grupo, que fatura US$ 1
bilhão por ano, estão localizados
na América Latina, uma tradição
que vem desde os tempos do bisavô de Stephan.
Foi para se familiarizar com alguns desses negócios
que o suíco veio para o Brasil com 20 anos.
Essa visita teve uma influência decisiva
na minha vida, admite. Em suma, o jovem
herdeiro já exibia, nos anos 60, uma mentalidade
que se disseminaria muito depois: a de que a iniciativa
privada tem papel importante no combate às
mazelas sociais.
Mas não é só por isso que
Schmi-dheiny é considerado um pioneiro
mundial do terceiro setor. As suas idéias
sobre desenvolvimento sustentável costumam
andar bem à frente das concepções
da maioria dos grandes empresários mundiais.
E suas decisões costumam indicar tendências
que só serão imitadas por outras
corporações e ONGs anos mais tarde.
Por exemplo, o modelo de gestão da ONG
criada por Schmidheiny, a Avina, e as iniciativas
de responsabilidade social nas companhias do Grupo
Nueva são inovadoras. Além disso,
a concepção que o suíço
tem do que é desenvolvimento sustentável
segue sendo uma exceção e certamente
ganhará a cabeça de inúmeros
empresários nos próximos anos. Na
opinião dele, as empresas não têm
de investir na comunidade para melhorar a imagem
ou porque os consumidores assim demandam
e sim porque, a longo prazo, é um ótimo
negócio.
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| Projeto social da ONG Semear,
de Novo Hamburgo: ponte com os empresários
da região |
Uma das primeiras medidas de Schmidheiny ao ganhar
mais espaço no grupo da família
foi desvincular suas empresas das atividades ligadas
ao amianto. Fez isso muito antes que os legisladores
europeus e de outras partes do mundo proibissem
a utilização do material, que provoca
a asbestose uma espécie de petrificação
dos pulmões nos mineradores e operários.
Agora, uma das companhias do Grupo Nueva, a Amanco,
promete fazer algo parecido com o chumbo, que
dentro de pouco tempo será substituído
pelo Zinco-Cálcio.
O megaempresário estampou de vez seu nome
no cenário do terceiro setor, em 1990,
quando fundou o Conselho Empresarial Mundial Para
o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na
sigla em inglês), entidade que reúne
165 grandes corporações de todo
o planeta. Para se ter uma idéia do time
que o suíço reuniu, basta dizer
que fazem parte do WBCSD: Ford, GM, Unilever,
Shell, entre muitos outros gigantes. Foi o Conselho
que trouxe o empresário de volta ao Brasil,
no início da década de 90, para
uma nova experiência mar-cante. Schmidheiny
ficou incumbido de organizar a participação
das maiores multinacionais do mundo na Eco 92,
no Rio de Janeiro. Foi um dos primeiros
esforços internacionais para convencer
as grandes corporações a colaborarem
com a redução dos danos causados
ao meio ambiente, analisa. Assim como a
visita ao Brasil nos anos 60, a participação
no megaevento lançou nova luz nas idéias
do suíço sobre desenvolvimento sustentável.
Concluí que muitos dos países
onde eu tinha investimentos não só
eram economicamente ineficazes, mas suas tendências
sociais eram insustentáveis, incluindo
a educação, o meio ambiente, a pobreza,
a criminalidade e a administração
pública. E percebi que eu e outros líderes
empresariais tínhamos a capacidade e a
responsabilidade de trabalhar para conseguir sociedades
mais sustentáveis. Bom-mocismo? Nada
disso: Deveríamos fazê-lo inclusive
para garantir a nossa própria sobrevivência.
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