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O Brasil inteiro acompanhou an-siosamente o seqüestro
do publicitário Washington Olivetto no
início do ano passado. O dono da agência
de propaganda W/Brasil permaneceu intermináveis
53 dias nas garras de uma quadrilha com ramificações
internacionais, liderada pelo chileno Mauricio
Hernández Norambuena, um especialista nesse
tipo de crime. Boas novas para os ricos e famosos:
seqüestros cinematográficos como o
de Oli-vetto e o que vitimou o presidente
do grupo Pão de Açúcar, Abílio
Diniz, em 1989, são cada vez mais raros.
Péssima notícia para as pessoas
comuns. O foco dos bandidos agora é a classe
média. Estão na mira pequenos e
médios empresários, executivos em
geral e profissionais liberais.
O próprio perfil dos seqüestros mudou.
Nada de cativeiros longos ou pagamentos de resgate
caríssimos, como os US$ 10 milhões
inicialmente pedidos para libertar Oli-vetto.
Agora, a regra são raptos de curta duração,
como o já famoso seqüestro-relâmpago,
e um modelo novo, que está sendo chamado
de aleatório. Os bandidos também
são outros. Saem os especialistas
que planejam tudo nos mínimos detalhes
e recorrem à tec-nologia mais moderna
e entram os ladrões pé-de-chinelo.
É uma turma pouco organizada e que está
migrando de outro tipo de delito mais brando,
como o assalto.
O último boletim da Secretaria Nacional
de Segurança Pública, publicado
no segundo semestre de 2002, mostra que, em 2001,
houve no país 362 casos de extorsão
mediante seqüestro (aquele rapto tradicional,
em que há cativeiro e pedido de resgate).
Sabe-se que o número está aquém
da realidade, porque muitos crimes não
chegam ao conhecimento da polícia. Há
várias situações em que a
família aceita a exigência dos seqüestradores
e tenta resolver tudo sozinha. Mesmo assim, o
relatório demonstrou que, na maior parte
das regiões do país, o crime está
cada vez mais freqüente. O destaque negativo
é o Estado de São Paulo. De 2000
para 2001, a quantidade de seqüestros saltou
de 32 para 202.
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Polícia do Rio de
Janeiro resgata uma vítima:
delegacia especial reduziu drasticamente os
seqüestros |
Na Região Sul, a situação
é menos aguda, mas nem por isso deixa de
alarmar as autoridades. A polícia está
empenhada em não permitir que a epidemia
desça do Sudeste. No Rio Grande do Sul,
entre 2000 e 2002, o número de extorsões
mediante seqüestro que chegou aos ouvidos
da polícia saltou de dois para dez. Há
um outro tipo de crime, mais banal, que não
cresce tanto, mas assusta por sua alta incidência.
É o chamado seqüestro-relâmpago.
Foram 149 em 2001, ante 137 no ano anterior. Na
realidade, é provável que essa quantidade
seja bem maior, já que muitos raptos de
curta duração são registrados
pela polícia como roubo. No Paraná,
os seqüestros em geral também cresceram,
mas a Polícia Civil não sabe informar
o número exato no sistema, eles
são a mesma coisa que cárcere privado.
Santa Catarina foi o único Estado da região
que teve queda: foram 11 em 2001 e sete em 2002.
Mas as estatísticas do governo catari-nense
para os primeiros três meses de 2003 mostram
um novo crescimento: ocorreram três extorsões
mediante seqüestro, média de um por
mês.
Com reportagem de Letícia
Pires, Alexandra Duarte e Sílvia Lisboa.
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