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      Edição 187 - Abril de 2003
 

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Os seqüestradores não querem mais saber
de multimilionários e raptos cinematográficos.
O alvo agora é a classe média

O Brasil inteiro acompanhou an-siosamente o seqüestro do publicitário Washington Olivetto no início do ano passado. O dono da agência de propaganda W/Brasil permaneceu intermináveis 53 dias nas garras de uma quadrilha com ramificações internacionais, liderada pelo chileno Mauricio Hernández Norambuena, um especialista nesse tipo de crime. Boas novas para os ricos e famosos: seqüestros cinematográficos como o de Oli-vetto – e o que vitimou o presidente do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, em 1989, são cada vez mais raros. Péssima notícia para as pessoas comuns. O foco dos bandidos agora é a classe média. Estão na mira pequenos e médios empresários, executivos em geral e profissionais liberais.

O próprio perfil dos seqüestros mudou. Nada de cativeiros longos ou pagamentos de resgate caríssimos, como os US$ 10 milhões inicialmente pedidos para libertar Oli-vetto. Agora, a regra são raptos de curta duração, como o já famoso seqüestro-relâmpago, e um modelo novo, que está sendo chamado de aleatório. Os bandidos também são outros. Saem os especialistas – que planejam tudo nos mínimos detalhes e recorrem à tec-nologia mais moderna – e entram os ladrões pé-de-chinelo. É uma turma pouco organizada e que está migrando de outro tipo de delito mais “brando”, como o assalto.

O último boletim da Secretaria Nacional de Segurança Pública, publicado no segundo semestre de 2002, mostra que, em 2001, houve no país 362 casos de extorsão mediante seqüestro (aquele rapto tradicional, em que há cativeiro e pedido de resgate). Sabe-se que o número está aquém da realidade, porque muitos crimes não chegam ao conhecimento da polícia. Há várias situações em que a família aceita a exigência dos seqüestradores e tenta resolver tudo sozinha. Mesmo assim, o relatório demonstrou que, na maior parte das regiões do país, o crime está cada vez mais freqüente. O destaque negativo é o Estado de São Paulo. De 2000 para 2001, a quantidade de seqüestros saltou de 32 para 202.

Polícia do Rio de Janeiro resgata uma vítima:
delegacia especial reduziu drasticamente os seqüestros


Na Região Sul, a situação é menos aguda, mas nem por isso deixa de alarmar as autoridades. A polícia está empenhada em não permitir que a epidemia desça do Sudeste. No Rio Grande do Sul, entre 2000 e 2002, o número de extorsões mediante seqüestro que chegou aos ouvidos da polícia saltou de dois para dez. Há um outro tipo de crime, mais banal, que não cresce tanto, mas assusta por sua alta incidência. É o chamado “seqüestro-relâmpago”. Foram 149 em 2001, ante 137 no ano anterior. Na realidade, é provável que essa quantidade seja bem maior, já que muitos raptos de curta duração são registrados pela polícia como roubo. No Paraná, os seqüestros em geral também cresceram, mas a Polícia Civil não sabe informar o número exato – no sistema, eles são a mesma coisa que cárcere privado. Santa Catarina foi o único Estado da região que teve queda: foram 11 em 2001 e sete em 2002. Mas as estatísticas do governo catari-nense para os primeiros três meses de 2003 mostram um novo crescimento: ocorreram três extorsões mediante seqüestro, média de um por mês.

Com reportagem de Letícia Pires, Alexandra Duarte e Sílvia Lisboa.

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