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Ter foco na ação é o mantra
de nove em cada dez executivos. Todos sabem que suas metas
e estratégias podem acabar no arquivo morto se não
contarem com planejamento, iniciativa e uma dose generosa
de suor. Mas é preciso encarar a realidade: está
cada vez mais difícil colocar planos estratégicos
em prática. Mesmo gerentes, diretores e empresários
com foco na ação têm sofrido
para tirar seus projetos do papel. Os motivos são os
mais variados. Ora as metas exigidas pelos acionistas e a
alta diretoria são agressivas demais (para não
dizer irreais), ora faltam comprometimento e consenso
entre as pessoas encarregadas de agilizar os projetos. Também
é comum as empresas elaborarem planejamentos capengas,
ou então perderem tempo demais planejando, a ponto
de serem atropeladas pelas mudanças do mercado. Seja
qual for a razão, o fato é que fazer acontecer
está se tornando um desafio árduo na arena corporativa.
As empresas brasileiras demonstram uma dificuldade crescente
para traduzir estratégias em ações,
constata Mathias Mangels, diretor da Symnetics, consultoria
especializada na ferramenta de gestão Balanced Scorecard
(BSC), em São Paulo. Mangels revela que muitas delas
já começam errando desde a fase de planejamento.
Prova disso é um levantamento conduzido pela própria
Symnectis junto a grandes companhias do Brasil aquelas
com faturamento superior a R$ 50 milhões. O estudo
mostra que apenas 63% dos gerentes, essenciais para a concretização
de qualquer projeto, participam da elaboração
das estratégias nessas organizações.
O índice cai para 47% quando o assunto é definição
de novos investimentos. Muitos gerentes simplesmente
desconhecem as metas pelas quais trabalham, diz Mangels.
As conseqüências, é claro, não tardam.
A velha lacuna entre discurso e prática transforma-se
em um abismo. E até as organizações que
primam pela eficácia começam a arcar com despesas
de retrabalho, a necessidade de refazer aquilo
que foi mal planejado e, portanto, mal executado. O
resultado é que muitas iniciativas acabam com atrasos
de cronograma, custos acima do previsto e qualidade abaixo
do esperado. Ou então são canceladas,
descreve Mauro Sotille, presidente do capítulo gaúcho
do Project Management Institute (PMI-RS), entidade internacional
que dissemina técnicas para o gerenciamento de projetos.
Uma pesquisa da consultoria norte-americana Standish Group
estima que, em média, cerca de 23% dos projetos desenvolvidos
pelas empresas na área de tecnologia da informação
(TI) são suspensos antes de gerarem qualquer resultado.
E 94% são reiniciados pelo menos uma vez.
Nesta reportagem, AMANHÃ sugere cinco alternativas
para que as empresas evitem problemas como esses e, efetivamente,
façam as coisas acontecerem. As sugestões foram
obtidas junto a um grupo de 20 consultores, executivos e empresários
ouvidos para esta reportagem e que estão acostumados
a lidar com o desafio de executar. Para eles, o lema foco
na ação não fica só no discurso.
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