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      Edição 186 - Março de 2003
 

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As lições de executivos e empresas que
mantêm o foco na ação apesar da tormenta de
incertezas, corte de custos, estratégias falhas
e metas irreais que fustigam a rotina corporativa
 

Ter “foco na ação” é o mantra de nove em cada dez executivos. Todos sabem que suas metas e estratégias podem acabar no arquivo morto se não contarem com planejamento, iniciativa e uma dose generosa de suor. Mas é preciso encarar a realidade: está cada vez mais difícil colocar planos estratégicos em prática. Mesmo gerentes, diretores e empresários com “foco na ação” têm sofrido para tirar seus projetos do papel. Os motivos são os mais variados. Ora as metas exigidas pelos acionistas e a alta diretoria são agressivas demais (para não dizer “irreais”), ora faltam comprometimento e consenso entre as pessoas encarregadas de agilizar os projetos. Também é comum as empresas elaborarem planejamentos capengas, ou então perderem tempo demais planejando, a ponto de serem atropeladas pelas mudanças do mercado. Seja qual for a razão, o fato é que “fazer acontecer” está se tornando um desafio árduo na arena corporativa.

“As empresas brasileiras demonstram uma dificuldade crescente para traduzir estratégias em ações”, constata Mathias Mangels, diretor da Symnetics, consultoria especializada na ferramenta de gestão Balanced Scorecard (BSC), em São Paulo. Mangels revela que muitas delas já começam errando desde a fase de planejamento. Prova disso é um levantamento conduzido pela própria Symnectis junto a grandes companhias do Brasil – aquelas com faturamento superior a R$ 50 milhões. O estudo mostra que apenas 63% dos gerentes, essenciais para a concretização de qualquer projeto, participam da elaboração das estratégias nessas organizações. O índice cai para 47% quando o assunto é definição de novos investimentos. “Muitos gerentes simplesmente desconhecem as metas pelas quais trabalham”, diz Mangels.

As conseqüências, é claro, não tardam. A velha lacuna entre discurso e prática transforma-se em um abismo. E até as organizações que primam pela eficácia começam a arcar com despesas de “retrabalho”, a necessidade de refazer aquilo que foi mal planejado e, portanto, mal executado. “O resultado é que muitas iniciativas acabam com atrasos de cronograma, custos acima do previsto e qualidade abaixo do esperado. Ou então são canceladas”, descreve Mauro Sotille, presidente do capítulo gaúcho do Project Management Institute (PMI-RS), entidade internacional que dissemina técnicas para o gerenciamento de projetos. Uma pesquisa da consultoria norte-americana Standish Group estima que, em média, cerca de 23% dos projetos desenvolvidos pelas empresas na área de tecnologia da informação (TI) são suspensos antes de gerarem qualquer resultado. E 94% são reiniciados pelo menos uma vez.

Nesta reportagem, AMANHÃ sugere cinco alternativas para que as empresas evitem problemas como esses e, efetivamente, façam as coisas acontecerem. As sugestões foram obtidas junto a um grupo de 20 consultores, executivos e empresários ouvidos para esta reportagem e que estão acostumados a lidar com o desafio de executar. Para eles, o lema “foco na ação” não fica só no discurso.

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