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      Edição 186 - Março de 2003
 

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Até o precursor Lair Ribeiro parou de falar na polêmica Programação Neurolingüística. Mas a técnica está viva: segue por aí, oculta em novos conceitos de auto-ajuda

Adivinhe quem é o autor da frase que segue: “Você é produto do seu pensamento”. Lair Ribeiro? Não. E o desta: “A felicidade e o bem-estar dependem principalmente e necessariamente de nós”. Roberto Shinyashiki? Negativo. Duas dicas: não são brasileiros e escreveram esses pensamentos antes do fim do século. Do século 19. A primeira é de 1890 e pertence a um escritor americano chamado Prentice Mulford. A outra frase é mais antiga ainda. Está na obra Ajuda-te, do escocês Samuel Smiles, de 1859.

Agora, muita gente deve estar pensando que nada mudou desde o tempo dos pioneiros da auto-ajuda até hoje. Exagero. Houve mudanças, sim. Desenvolveram-se novos métodos e técnicas e, sobretudo, criaram-se novos conceitos. Na opinião dos mais críticos, “criaram” não é o termo certo. O correto seria “renomearam”. “Os sistemas de pensamento motivacional estão sujeitos ao ritmo da moda. Mas o conteúdo dessas proposições é o mesmo há mais de 100 anos”, alfineta Francisco Rüdiger, professor de pós-graduação da Faculdade de Comunicação da PUC do Rio Grande do Sul e autor do livro Literatura de Auto-Ajuda e Individualismo.

Discussões à parte, o certo é que esses conceitos fazem parte da mesma árvore genealógica. O nome troca, mas o DNA se mantém. E, muitas vezes, a mudança de identidade tem a ver com o esgotamento de algum termo. Foi o que houve com a Programação Neurolingüística (PNL), que causou frisson nos anos 80 e 90, no país, mas anda ausente das manchetes já há algum tempo. No entanto, a verdade é que a PNL – ou simplesmente neurolingüística, como a técnica ficou mais conhecida – segue viva, seja com o nome de batismo, seja no corpo de outras técnicas criadas mais recentemente.

A PNL surgiu no início dos anos 70, nos Estados Unidos, oriunda dos estudos do matemático Richard Bandler e do professor de Lingüística John Grinder. O nome, assim como a definição do conceito, é uma analogia com a informática. Segundo Grinder e Bandler, o cérebro é um hardware e funciona por meio de um software, o pensamento. E, como todo software, o pensamento também pode ser reprogramado. Está aí o cerne da Programação Neurolingüística: como organizar a mente de modo a aumentar a eficiência pessoal e profissional. Como, nesse caso, a linguagem do software é a própria linguagem dos homens, a comunicação tem papel-chave no processo. Por isso, a PNL tem duas abordagens. Uma é in-tramuros, ou seja, a pessoa olha para dentro de si e percebe como organiza a própria mente. Depois, é hora de olhar para o lado e desvendar a estrutura mental do próximo. E mais: o que se pode fazer para os pensamentos dele se adequarem aos seus? Os próprios Grinder e Bandler já se apressavam em afastar qualquer caráter manipulatório na técnica – o objetivo era que a melhora na comunicação fosse positiva para todo o mundo, como define o princípio do ganha-ganha.

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A neurolingüística desembarcou no Brasil, nos anos 80, e teve como principal apóstolo o médico Lair Ribeiro. Ambos, o guru e a técnica, permaneceram durante anos na berlinda. Lair vendeu livros aos montes e deu palestra por todo o país. A técnica foi tema de centenas de reportagens e, com o tempo, angariou milhares de adeptos.

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      • Breve história da PNL
      • Do fundo do baú

       

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