Voltar para página inicial
      Edição 185 - Janeiro/Fevereiro de 2003
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto


Para evitar a explosão nas tarifas e garantir o suprimento de energia, o governo cogita fazer uma espécie de reestatização branca do setor elétrico


Andreas Müller

A ministra Dilma Rousseff lida sem dificuldades com entrevistas coletivas. Em meio ao alvoroço de jornalistas e fotógrafos, a dama de ferro do Ministério de Minas e Energia responde rápido e chega, em alguns casos, a se antecipar às perguntas. Em sua recente passagem por Porto Alegre, Dilma voltou a exibir desenvoltura e convicção ao abordar os problemas do setor elétrico – inclusive o maior deles: a dependência excessiva de hidrelétricas, de onde vem quase 80% da energia consumida no país. Tudo ia bem enquanto a ministra garantia que, na sua gestão, buscaria diversificar a matriz energética e estimular a construção de outros tipos de usinas, principalmente as termelétricas, que não dependem do clima para funcionar, embora tenham custos mais altos. Mas eis que um repórter pergunta: como impedir que a energia mais cara gerada por essas usinas cause uma explosão das tarifas? É a única questão que desconcerta a ministra. Por um momento, Dilma pensa, mede as palavras. E acaba admitindo: “De fato, não há como fazer isso no atual modelo energético”.

O diagnóstico de Dilma oculta uma mensagem sutil: o setor elétrico vai sofrer mudanças de rumos no governo Lula. É pré-requisito para se evitar a reprise do “apagão” de 2001, quando uma série de defeitos congênitos do sistema elétrico – incluindo a dependência de hidrelétricas – condenou o Brasil ao racionamento e a um crescimento econômico pífio, de 1,5%. Nesse sentido, buscar fontes de energia que não dependam do vaivém das chuvas é um ponto-chave. “Um parque de geração diversificado é não só saudável como também essencial”, aponta Viviana Cardoso de Sá e Faria, analista de energia do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), uma entidade independente que acompanha o setor de infra-estrutura no país. Outro ponto crítico é montar um novo modelo de mercado capaz de atrair investimentos da iniciativa privada, cruciais para bancar a expansão do sistema. Tudo isso, é claro, sem inflar muito as contas de luz.

O governo ainda está estudando maneiras de resolver essa equação. Mas estão descartadas, desde agora, novas privatizações de empresas federais. Só os Estados poderão dar continuidade às desestatizações. Outro ponto definido pelo governo é a criação de um novo agente de mercado. Será uma espécie de “atravessador central” de eletricidade. Papel que, cogita-se, poderá ser desempenhado pelo Mercado Atacadista de Energia Elétrica – MAE (veja quadro “Um destino para o MAE”.) Toda a energia produzida por usinas hídricas, térmicas, eólicas e outras geradoras será comprada pelos preços de mercado por esse novo agente, o que também deverá colocar um ponto final na competição entre as empresas geradoras. O objetivo é formar uma espécie de colchão de tarifas – ou pool, como vem sendo chamado pelos especialistas. A idéia é que o atravessador governamental “misture” a eletricidade barata das hidrelétricas com aquela gerada pelas usinas mais caras, formando assim um estoque único que será vendido às distribuidoras por um preço médio. “Assim, garantimos demanda a todos os tipos de usinas, abrindo espaço para a diversificação do parque gerador, sem que isso cause grande impacto nas tarifas”, conclui Dilma.

Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto
      • Um destino para o MAE
       

Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo