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      Edição 185 - Janeiro/Fevereiro de 2003
 

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O diretor da Ideal Invest, consultoria especializada em negócios do ensino, diz que os cursos superiores no Brasil tendem a se tornar mais curtos e focados na preparação para o mercado de trabalho

Eugênio Esber

Até agosto de 2001, o paulistano Oliver Mizne, 29 anos, não fugia muito ao perfil de um executivo financeiro típico. Com graduação em Administração de Empresas pela Warthon School e em Engenharia de Materiais pela Universidade da Pensilvânia, Mizne garimpava oportunidades nas áreas de Edu-cação e de Telecomunicações para o banco CSFB Garantia. Acabou se empolgando tanto com o filão de negócios da atividade de ensino que resolveu deixar o banco e montar a Ideal Invest. Em seu escritório, na Av. 9 de Julho, em São Paulo, Mizne e seus dois sócios fazem a ligação entre investidores e em-preendimentos educacionais pro-missores. E o que é promissor na visão da Ideal Invest? É o que Mizne responde, sem meias-pa-lavras, a seguir.

Aquele velho modelo de cursos de graduação está obsoleto?
Dizer que os cursos de graduação ficaram obsoletos seria um exagero. A mudança que está acontecendo nos cursos, inclusive nos seus currículos, é uma resposta a um fato que vem alterando o perfil do ensino superior desde o final dos anos 90. Quinze anos atrás, o ensino superior ainda era focado numa elite econômica e intelectual. Havia pouquíssimas vagas. Quem entrava na universidade era alguém que normalmente havia estudado em boas escolas e vinha de uma família com dinheiro suficiente para bancar uma boa formação. Que incluía passar cinco anos estudando Direito, Engenharia, depois fazer uma pós-graduação e aí, sim, ingressar numa empresa e ficar uns dois anos aprendendo como é que faz na prática. Essa era a realidade do ensino superior: um luxo ao alcance de poucos.

E, hoje, o que há de novo?
As reformas na educação fizeram com que muito mais gente cursasse o ensino médio. Hoje, o Brasil já tem 2 milhões de pessoas se formando no ensino médio. E há outras 6 milhões de crianças no primeiro ano do ensino fundamental, boa parte das quais se formará no ensino médio ao longo dos próximos 11 anos. É claro que, nesse ritmo, a pressão por vagas no ensino superior aumenta significativamente. E a oferta de vagas em faculdades e universidades também cresceu. No último governo, houve um grande número de autorizações para funcionamento de instituições de ensino superior. Pulamos de algo como 900 instituições de ensino superior, no Brasil, para 1.200. Tudo num prazo muito curto. E sem contar o crescimento de várias instituições. As maiores instituições privadas do país tinham ao redor de 10 mil alunos, e agora você vê várias delas com 25, 30 mil alunos ou mais.

Qual é o perfil desses novos clientes do ensino superior?
O público que freqüenta a universidade, hoje, e aquele que vai chegar ao longo desta década, não pode se dar ao luxo de estudar tanto tempo. São pessoas que não têm tanto dinheiro assim para bancar um curso longo e de foco aberto, visando a um diploma de generalista. Antes, por mais que você definisse o seu objetivo com um curso de Admnistração de Empresas, por exemplo, ainda saía da faculdade com pouco conhecimento prático sobre o dia-a-dia de uma empresa. A universidade está mudando para se adequar exatamente à busca de cursos menos longos e mais técnicos.

A universidade formará apenas tecnólogos?
Não é isso. Falo da oferta de cursos como Hotelaria. A pessoa sairá mais capacitada a trabalhar na indústria hoteleira do que se fizesse Administração de Empresas e depois fosse trabalhar num hotel. E nessa linha poderíamos citar muitos exemplos – como um curso de Tecnologia da Informação na área de laboratórios de análises clínicas. São cursos bastante específicos e de nível superior. Eles podem ser de graduação ou não.

Os cursos de graduação tendem a perder importância?
A graduação não está fadada a acabar. Ao contrário: ela é extremamente importante. O que vejo é uma evolução muito grande da graduação na modalidade de tecnólogo. São cursos que duram entre dois e três anos. Antes, o que é que nós tínhamos na graduação? Apenas duas opções: bacharelado, para quem buscava uma formação mais generalista, conhecendo o máximo possível do seu campo, e licenciatura, para aqueles que queriam ensinar o que haviam aprendido. Agora, surge esta terceira modalidade de graduação que é a de tec-nólogo. É indicada para quem quer ir direto ao mercado de trabalho com uma formação mais rápida.

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