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Até agosto de 2001, o paulistano Oliver
Mizne, 29 anos, não fugia muito ao perfil
de um executivo financeiro típico. Com
graduação em Administração
de Empresas pela Warthon School e em Engenharia
de Materiais pela Universidade da Pensilvânia,
Mizne garimpava oportunidades nas áreas
de Edu-cação e de Telecomunicações
para o banco CSFB Garantia. Acabou se empolgando
tanto com o filão de negócios da
atividade de ensino que resolveu deixar o banco
e montar a Ideal Invest. Em seu escritório,
na Av. 9 de Julho, em São Paulo, Mizne
e seus dois sócios fazem a ligação
entre investidores e em-preendimentos educacionais
pro-missores. E o que é promissor na visão
da Ideal Invest? É o que Mizne responde,
sem meias-pa-lavras, a seguir.
Aquele velho modelo de cursos de graduação
está obsoleto?
Dizer que os cursos de graduação
ficaram obsoletos seria um exagero. A mudança
que está acontecendo nos cursos, inclusive
nos seus currículos, é uma resposta
a um fato que vem alterando o perfil do ensino
superior desde o final dos anos 90. Quinze anos
atrás, o ensino superior ainda era focado
numa elite econômica e intelectual. Havia
pouquíssimas vagas. Quem entrava na universidade
era alguém que normalmente havia estudado
em boas escolas e vinha de uma família
com dinheiro suficiente para bancar uma boa formação.
Que incluía passar cinco anos estudando
Direito, Engenharia, depois fazer uma pós-graduação
e aí, sim, ingressar numa empresa e ficar
uns dois anos aprendendo como é que faz
na prática. Essa era a realidade do ensino
superior: um luxo ao alcance de poucos.
E, hoje, o que há de novo?
As reformas na educação fizeram
com que muito mais gente cursasse o ensino médio.
Hoje, o Brasil já tem 2 milhões
de pessoas se formando no ensino médio.
E há outras 6 milhões de crianças
no primeiro ano do ensino fundamental, boa parte
das quais se formará no ensino médio
ao longo dos próximos 11 anos. É
claro que, nesse ritmo, a pressão por vagas
no ensino superior aumenta significativamente.
E a oferta de vagas em faculdades e universidades
também cresceu. No último governo,
houve um grande número de autorizações
para funcionamento de instituições
de ensino superior. Pulamos de algo como 900 instituições
de ensino superior, no Brasil, para 1.200. Tudo
num prazo muito curto. E sem contar o crescimento
de várias instituições. As
maiores instituições privadas do
país tinham ao redor de 10 mil alunos,
e agora você vê várias delas
com 25, 30 mil alunos ou mais.
Qual é o perfil desses novos clientes
do ensino superior?
O público que freqüenta a universidade,
hoje, e aquele que vai chegar ao longo desta década,
não pode se dar ao luxo de estudar tanto
tempo. São pessoas que não têm
tanto dinheiro assim para bancar um curso longo
e de foco aberto, visando a um diploma de generalista.
Antes, por mais que você definisse o seu
objetivo com um curso de Admnistração
de Empresas, por exemplo, ainda saía da
faculdade com pouco conhecimento prático
sobre o dia-a-dia de uma empresa. A universidade
está mudando para se adequar exatamente
à busca de cursos menos longos e mais técnicos.
A universidade formará apenas tecnólogos?
Não é isso. Falo da oferta de cursos
como Hotelaria. A pessoa sairá mais capacitada
a trabalhar na indústria hoteleira do que
se fizesse Administração de Empresas
e depois fosse trabalhar num hotel. E nessa linha
poderíamos citar muitos exemplos
como um curso de Tecnologia da Informação
na área de laboratórios de análises
clínicas. São cursos bastante específicos
e de nível superior. Eles podem ser de
graduação ou não.
Os cursos de graduação tendem
a perder importância?
A graduação não está
fadada a acabar. Ao contrário: ela é
extremamente importante. O que vejo é uma
evolução muito grande da graduação
na modalidade de tecnólogo. São
cursos que duram entre dois e três anos.
Antes, o que é que nós tínhamos
na graduação? Apenas duas opções:
bacharelado, para quem buscava uma formação
mais generalista, conhecendo o máximo possível
do seu campo, e licenciatura, para aqueles que
queriam ensinar o que haviam aprendido. Agora,
surge esta terceira modalidade de graduação
que é a de tec-nólogo. É
indicada para quem quer ir direto ao mercado de
trabalho com uma formação mais rápida.
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