Voltar para página inicial
      Edição 185 - Janeiro/fevereiro de 2003
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto
Até agora, o badalado programa Seis Sigma estava
mais na boca dos empresários do que dentro de suas empresas. Um panorama que deve mudar em breve

André Bersano


Sossego é um luxo que está longe da rotina do paranaense Juliano Fraga. Logo que chega à empresa, nas primeiras horas da manhã, uma lista interminável de pendências já o aguarda. Conversas com funcionários do departamento de manutenção, reuniões com o diretor financeiro, busca de estatísticas na contabilidade... Planilha e caneta à mão, Fraga vasculha uma montanha de indicadores todos os dias.

Não é à toa que a agenda de Fraga está sempre atribulada. Afinal, ele tem um imenso desafio pela frente: duplicar o fluxo de carga num dos principais trechos de uma ferrovia paranaense, e isso em pouco mais de seis meses. Onde hoje passam 100 mil toneladas de grãos por mês, a meta é atingir 200 mil toneladas mensais. E, para complicar um pouco mais, o executivo ainda precisa encontrar uma solução barata. O que para muitos seria uma missão impossível, para um especialista em decifrar enigmas se torna, digamos, no máximo um caminho sinuoso – mas perfeitamente atingível. Juliano Fraga é um desses especialistas da América Latina Logística (ALL), companhia do Paraná que detém a concessão da malha sul da Rede Ferroviária Federal. Na verdade, ele é um black belt (faixa-preta, em inglês), jargão muito utilizado para indicar as pessoas que estão capacitadas a “matar um leão por dia” dentro do famoso programa Seis Sigma.

Uma das mais badaladas ferramenta de gestão do momento, o Seis Sigma é a redução drástica dos custos de uma corporação. Tendo como principal arma as estatísticas, o método permite que a empresa saiba exatamente como (e em quanto tempo) baixar a níveis mínimos a quantidade de produtos com defeitos e o desperdício de material.

Os especialistas afirmam que a metodologia garante uma perfeição de 99,99966% – ou 3,4 peças defeituosas por milhão. Tamanha promessa causou empolgação no Brasil. Desde meados da década de 90 que se fala no Seis Sigma. Hoje, não há empresário que não tenha ouvido falar na tal famosa ferramenta de gestão. Mas será que existe razão para tanto falatório? “Ele não é, de forma alguma, uma panacéia. É, sim, o método mais avançado para atingir excelentes resultados”, opina Vicente Falconi Campos, coordenador da Fundação para o Desenvolvimento Gerencial (FDG) e um dos precursores dos movimentos para a difusão dos programas de qualidade no país.

Apesar desses trunfos, pouco mais de mil empresas adotaram o Seis Sigma até agora, no Brasil. E, segundo a FDG, não mais do que 140 companhias desenvolveram programas avançados. Sinal de que o Seis Sigma não vai vingar no país?

Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto

      • Faixa-preta em qualidade

       

Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo