|
André
Bersano

Sossego é um luxo que está longe
da rotina do paranaense Juliano Fraga. Logo que
chega à empresa, nas primeiras horas da
manhã, uma lista interminável de
pendências já o aguarda. Conversas
com funcionários do departamento de manutenção,
reuniões com o diretor financeiro, busca
de estatísticas na contabilidade... Planilha
e caneta à mão, Fraga vasculha uma
montanha de indicadores todos os dias.
Não é à toa que a agenda
de Fraga está sempre atribulada. Afinal,
ele tem um imenso desafio pela frente: duplicar
o fluxo de carga num dos principais trechos de
uma ferrovia paranaense, e isso em pouco mais
de seis meses. Onde hoje passam 100 mil toneladas
de grãos por mês, a meta é
atingir 200 mil toneladas mensais. E, para complicar
um pouco mais, o executivo ainda precisa encontrar
uma solução barata. O que para muitos
seria uma missão impossível, para
um especialista em decifrar enigmas se torna,
digamos, no máximo um caminho sinuoso
mas perfeitamente atingível. Juliano Fraga
é um desses especialistas da América
Latina Logística (ALL), companhia do Paraná
que detém a concessão da malha sul
da Rede Ferroviária Federal. Na verdade,
ele é um black belt (faixa-preta, em inglês),
jargão muito utilizado para indicar as
pessoas que estão capacitadas a matar
um leão por dia dentro do famoso
programa Seis Sigma.
Uma das mais badaladas ferramenta de gestão
do momento, o Seis Sigma é a redução
drástica dos custos de uma corporação.
Tendo como principal arma as estatísticas,
o método permite que a empresa saiba exatamente
como (e em quanto tempo) baixar a níveis
mínimos a quantidade de produtos com defeitos
e o desperdício de material.
Os especialistas afirmam que a metodologia garante
uma perfeição de 99,99966%
ou 3,4 peças defeituosas por milhão.
Tamanha promessa causou empolgação
no Brasil. Desde meados da década de 90
que se fala no Seis Sigma. Hoje, não há
empresário que não tenha ouvido
falar na tal famosa ferramenta de gestão.
Mas será que existe razão para tanto
falatório? Ele não é,
de forma alguma, uma panacéia. É,
sim, o método mais avançado para
atingir excelentes resultados, opina Vicente
Falconi Campos, coordenador da Fundação
para o Desenvolvimento Gerencial (FDG) e um dos
precursores dos movimentos para a difusão
dos programas de qualidade no país.
Apesar desses trunfos, pouco mais de mil empresas
adotaram o Seis Sigma até agora, no Brasil.
E, segundo a FDG, não mais do que 140 companhias
desenvolveram programas avançados. Sinal
de que o Seis Sigma não vai vingar no país?
|