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      Edição 184 - Dezembro de 2002
 

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A presidente da ONG Parceiros
Voluntários revela que a idéia do trabalho voluntário em projetos sociais emplacou – mas apenas entre as mulheres...

Eugênio Esber

Uma mulher arrematou o título de “Homem de Vendas” da ADVB gaúcha em 2002. E tudo o que ela vendeu nos últimos cinco anos foi uma idéia – a de que pa-gar impostos e eleger governos não exime ninguém da responsabilidade de meter a mão na massa e se envolver pessoalmente em projetos sociais. A idéia foi comprada por quase 23 mil gaúchos, 90% deles de curso superior, que toparam doar em média três horas semanais de seu tempo para trabalho voluntário em favor de pessoas que passam necessidade ou têm alguma deficiência.

A líder desse movimento que recebeu o nome de Parceiros Voluntários e se tornou uma das maiores grifes do chamado terceiro setor, no Brasil, é Maria Elena Johannpeter, uma discípula de Peter Drucker de 57 anos, voz suave e um estilo enérgico de trabalhar. Por influência do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade, que seu marido, Jorge Gerdau Johannpeter, conduziu até recentemente, Maria Elena leva para a ONG conceitos sofis-ticados de gestão que ainda são desconhecidos para muitas empresas, como o BSC (Balan-ced Scorecard), criado pelo norte-americano Robert Kaplan. “O terceiro setor precisa se pro-fissionalizar”, disse ela na entrevista de quase duas horas concedida a AMANHÃ no prédio da PV, no centro de Porto Alegre.

Qual o grande líder social brasileiro?
Não existe líder social. Como diz o sociólogo colombiano Bernardo Toro, em uma mobilização social não há líder, mas líderes. Aquela dona de casa analfabeta que mora lá da favela e fundou uma ONG quemantém uma creche.... Ela é uma líder social. Quando não tem gás na creche, ela retira o botijão da sua casa e leva para lá. Se falta comida na creche, ela pega da sua própria despensa, em casa – que também é escassa. É uma grande líder, indiscutivelmente. E toda pessoa que se engaja no imaginário de uma mobilização dessas também é.

Quando a senhora decidiu se engajar?
Antes da fundação da Parceiros Voluntários, em 1997, eu tinha um projeto antigo (que ainda está na gaveta) de criar a Fundação Criança. E decidi me preparar para isso. Passei a aproveitar as viagens que meu marido fazia ao exterior, a negócios, para cumprir uma agenda paralela, visitando instituições em países com forte tradição em voluntariado, como Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha. Aproveitei também viagens ao México, Chile, Argentina e vários outros países. Eu realmente procurei estudar a fundo todas essas experiências com trabalho voluntário, porque atuar no terceiro setor é como atuar em uma empresa: não se pode fazer nada sem planejamento. Eu diria até que, no terceiro setor, a falta de planejamento é muito mais grave do que numa empresa. Porque ali tu estás trabalhando com emoções, com necessidades de pessoas. E esse é um produto, entre aspas, muito, muito especial.

Os relatórios da Parceiros Voluntários informam que, para cada R$ 1 investido na entidade pelas empresas mantenedoras, retornam à sociedade R$ 22,12. Como se explica essa multiplicação?
Eu não gosto de colocar ênfase em indicadores quantitativos, porque há tantas outras formas importantes de avaliar o retorno do trabalho voluntário para a sociedade – pelo lado filosófico, comportamental... Mas, respondendo à pergunta, eu diria que esse é um cálculo simples. Basta somarmos as horas que nossos voluntários dedicam mensalmente a projetos sociais. Em média, cada hora desses profissionais custaria, se fosse remunerada, R$ 20. Muita gente está disponibilizando seu tempo de forma voluntária. Este ano, a Parceiros ultrapassou a marca de 22 mil voluntários. E ainda há uma lista de espera.

 

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