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Uma mulher arrematou o título de Homem
de Vendas da ADVB gaúcha em 2002.
E tudo o que ela vendeu nos últimos cinco
anos foi uma idéia a de que pa-gar
impostos e eleger governos não exime ninguém
da responsabilidade de meter a mão na massa
e se envolver pessoalmente em projetos sociais.
A idéia foi comprada por quase 23 mil gaúchos,
90% deles de curso superior, que toparam doar
em média três horas semanais de seu
tempo para trabalho voluntário em favor
de pessoas que passam necessidade ou têm
alguma deficiência.
A líder desse movimento que recebeu o nome
de Parceiros Voluntários e se tornou uma
das maiores grifes do chamado terceiro setor,
no Brasil, é Maria Elena Johannpeter, uma
discípula de Peter Drucker de 57 anos,
voz suave e um estilo enérgico de trabalhar.
Por influência do Programa Gaúcho
de Qualidade e Produtividade, que seu marido,
Jorge Gerdau Johannpeter, conduziu até
recentemente, Maria Elena leva para a ONG conceitos
sofis-ticados de gestão que ainda são
desconhecidos para muitas empresas, como o BSC
(Balan-ced Scorecard), criado pelo norte-americano
Robert Kaplan. O terceiro setor precisa
se pro-fissionalizar, disse ela na entrevista
de quase duas horas concedida a AMANHÃ
no prédio da PV, no centro de Porto Alegre.
Qual o grande líder social brasileiro?
Não existe líder social. Como diz
o sociólogo colombiano Bernardo Toro, em
uma mobilização social não
há líder, mas líderes. Aquela
dona de casa analfabeta que mora lá da
favela e fundou uma ONG quemantém uma creche....
Ela é uma líder social. Quando não
tem gás na creche, ela retira o botijão
da sua casa e leva para lá. Se falta comida
na creche, ela pega da sua própria despensa,
em casa que também é escassa.
É uma grande líder, indiscutivelmente.
E toda pessoa que se engaja no imaginário
de uma mobilização dessas também
é.
Quando a senhora decidiu se engajar?
Antes da fundação da Parceiros Voluntários,
em 1997, eu tinha um projeto antigo (que ainda
está na gaveta) de criar a Fundação
Criança. E decidi me preparar para isso.
Passei a aproveitar as viagens que meu marido
fazia ao exterior, a negócios, para cumprir
uma agenda paralela, visitando instituições
em países com forte tradição
em voluntariado, como Estados Unidos, França,
Alemanha, Espanha. Aproveitei também viagens
ao México, Chile, Argentina e vários
outros países. Eu realmente procurei estudar
a fundo todas essas experiências com trabalho
voluntário, porque atuar no terceiro setor
é como atuar em uma empresa: não
se pode fazer nada sem planejamento. Eu diria
até que, no terceiro setor, a falta de
planejamento é muito mais grave do que
numa empresa. Porque ali tu estás trabalhando
com emoções, com necessidades de
pessoas. E esse é um produto, entre aspas,
muito, muito especial.
Os relatórios da Parceiros Voluntários
informam que, para cada R$ 1 investido na entidade
pelas empresas mantenedoras, retornam à
sociedade R$ 22,12. Como se explica essa multiplicação?
Eu não gosto de colocar ênfase em
indicadores quantitativos, porque há tantas
outras formas importantes de avaliar o retorno
do trabalho voluntário para a sociedade
pelo lado filosófico, comportamental...
Mas, respondendo à pergunta, eu diria que
esse é um cálculo simples. Basta
somarmos as horas que nossos voluntários
dedicam mensalmente a projetos sociais. Em média,
cada hora desses profissionais custaria, se fosse
remunerada, R$ 20. Muita gente está disponibilizando
seu tempo de forma voluntária. Este ano,
a Parceiros ultrapassou a marca de 22 mil voluntários.
E ainda há uma lista de espera.
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