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      Edição 184 - Dezembro de 2002
 

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O próximo ano não será nada fácil para a economia e os negócios. Dado o horizonte de incertezas, a questão é:
o quão difícil será 2003
Felipe Polydoro

Quando 2000 acabou, a expectativa era de que o ano seguinte seria um período de pujança. A crise argentina, o colapso de energia e os atentados terroristas acabaram com a festa. No final de 2001, o clima era de cautela, mas 2002 conseguiu ser ainda pior do que a encomenda. Para evitar frustrações pela terceira vez consecutiva, é bom os empresários brasileiros não esperarem muito de 2003. O único consenso sobre o próximo ano é de que não será nada fácil diante das incertezas que se formam no horizonte – e isso fica claro ao término dos artigos que compõem este Brasil de AMANHÃ. A boa notícia é que, se as economias brasileira e mundial escaparem com relativa tranqüilidade dos percalços que se avizinham, o cenário deve melhorar muito a partir do final do próximo ano e início de 2004, permitindo a queda nas taxas de juros e um ambiente favorável aos negócios.

Existem duas grandes interrogações que determinarão a sorte da economia nos próximos meses. A primeira é se os Estados Unidos vão deflagrar uma guerra contra o Iraque. A outra diz respeito ao novo governo: Lula e sua equipe acertarão a mão na hora de definir a política econômica? Quanto ao confronto EUA–Iraque, a aposta é que vai mesmo dar em guerra. “Poucos analistas acreditam que Bush se contentará com algo menos do que a queda de Saddam Hussein – o que muito provavelmente exigirá uma intervenção armada com ou sem o beneplácito do Conselho de Segurança da ONU”, prognostica o embaixador Jório Dauster em um dos artigos que seguem. Há até data marcada para o início dos confrontos: janeiro ou fevereiro de 2003, quando o clima beneficia os bombardeios ou uma eventual invasão.

Uma guerra seria maléfica para a economia. Os preços do petróleo explodiriam, os investidores ficariam ainda mais avessos ao risco e a recuperação nos Estados Unidos não viria tão cedo. Nos demais países desenvolvidos, o cenário também não é estimulante. Haja guerra ou não, as economias dos países da União Européia e do Japão devem crescer timidamente ou ficar no zero a zero.

No Brasil, o novo governo assume em um momento delicadíssimo. O fantasma da volta da inflação, por exemplo, ameaça a maior conquista do Plano Real, a estabilidade. E não se sabe bem como impedir que o mal do aumento nos preços se alastre. Vários economistas sugerem um novo arrocho nos juros. “Se o governo Fernando Henrique fizesse mais uma elevação nas taxas, deixaria um ótimo presente para a próxima gestão”, acredita o economista Marcelo Portugal, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Outros, porém, alegam que essa medida agravaria ainda mais a situação porque jogaria para o alto uma dívida pública que já chega a 60% do PIB. E o pior: sequer atenuaria a inflação. “É preciso entender que mexer nos juros não é solução para a escalada inflacionária atual”, critica Paulo Rabello de Castro.

Os empresários brasileiros têm pesadelos só de pensar em taxas mais altas que as atuais, já em níveis estratosféricos. Mas é bom se preparar, porque dificilmente haverá espaço para uma queda substantiva em 2003. As previsões das instituições financeiras colocam a taxa Selic entre 18% e 19% no final do ano que vem, patamar bastante elevado. “Os juros devem começar a cair só a partir da metade do ano”, estima Carlos Kavall, economista-chefe do Citibank. Como resultado, o crescimento no próximo ano deve ser modesto. Nenhuma instituição estima expansão maior do que 2% no PIB. “2003 será um ano de vacas magras”, prevê Edmar Bacha, economista sênior do Banco BBA. A situação só vai melhorar para valer quando houver o restabelecimento das linhas de financiamento externas. A falta de capital do exterior foi a principal responsável, ao longo deste ano, pela desvalorização do real, que, por sua vez, é a culpada pelo salto na inflação. E a aposta do mercado é de que as linhas de crédito voltarão a partir da metade de 2003. “Aos poucos, os mercados vão perceber que estava havendo um exagero em relação ao Brasil”, acredita Antônio Correa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). Mesmo assim, a torneira do capital externo não vai abrir totalmente no próximo ano e o câmbio se manterá alto. Algumas instituições financeiras prevêem que a taxa vai estacionar entre R$ 3,50 e R$ 3,60. Outras pintam um quadro mais aterrador, com o dólar ultrapassando a faixa de R$ 4,00.

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