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Quando 2000 acabou, a expectativa era de que o ano seguinte
seria um período de pujança. A crise argentina,
o colapso de energia e os atentados terroristas acabaram com
a festa. No final de 2001, o clima era de cautela, mas 2002
conseguiu ser ainda pior do que a encomenda. Para evitar frustrações
pela terceira vez consecutiva, é bom os empresários
brasileiros não esperarem muito de 2003. O único
consenso sobre o próximo ano é de que não
será nada fácil diante das incertezas que se
formam no horizonte e isso fica claro ao término
dos artigos que compõem este Brasil de AMANHÃ.
A boa notícia é que, se as economias brasileira
e mundial escaparem com relativa tranqüilidade dos percalços
que se avizinham, o cenário deve melhorar muito a partir
do final do próximo ano e início de 2004, permitindo
a queda nas taxas de juros e um ambiente favorável
aos negócios.
Existem duas grandes interrogações que determinarão
a sorte da economia nos próximos meses. A primeira
é se os Estados Unidos vão deflagrar uma guerra
contra o Iraque. A outra diz respeito ao novo governo: Lula
e sua equipe acertarão a mão na hora de definir
a política econômica? Quanto ao confronto EUAIraque,
a aposta é que vai mesmo dar em guerra. Poucos
analistas acreditam que Bush se contentará com algo
menos do que a queda de Saddam Hussein o que muito
provavelmente exigirá uma intervenção
armada com ou sem o beneplácito do Conselho de Segurança
da ONU, prognostica o embaixador Jório Dauster
em um dos artigos que seguem. Há até data marcada
para o início dos confrontos: janeiro ou fevereiro
de 2003, quando o clima beneficia os bombardeios ou uma eventual
invasão.
Uma guerra seria maléfica para a economia. Os preços
do petróleo explodiriam, os investidores ficariam ainda
mais avessos ao risco e a recuperação nos Estados
Unidos não viria tão cedo. Nos demais países
desenvolvidos, o cenário também não é
estimulante. Haja guerra ou não, as economias dos países
da União Européia e do Japão devem crescer
timidamente ou ficar no zero a zero.
No Brasil, o novo governo assume em um momento delicadíssimo.
O fantasma da volta da inflação, por exemplo,
ameaça a maior conquista do Plano Real, a estabilidade.
E não se sabe bem como impedir que o mal do aumento
nos preços se alastre. Vários economistas sugerem
um novo arrocho nos juros. Se o governo Fernando Henrique
fizesse mais uma elevação nas taxas, deixaria
um ótimo presente para a próxima gestão,
acredita o economista Marcelo Portugal, da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Outros, porém, alegam que essa
medida agravaria ainda mais a situação porque
jogaria para o alto uma dívida pública que já
chega a 60% do PIB. E o pior: sequer atenuaria a inflação.
É preciso entender que mexer nos juros não
é solução para a escalada inflacionária
atual, critica Paulo Rabello de Castro.
Os empresários brasileiros têm pesadelos só
de pensar em taxas mais altas que as atuais, já em
níveis estratosféricos. Mas é bom se
preparar, porque dificilmente haverá espaço
para uma queda substantiva em 2003. As previsões das
instituições financeiras colocam a taxa Selic
entre 18% e 19% no final do ano que vem, patamar bastante
elevado. Os juros devem começar a cair só
a partir da metade do ano, estima Carlos Kavall, economista-chefe
do Citibank. Como resultado, o crescimento no próximo
ano deve ser modesto. Nenhuma instituição estima
expansão maior do que 2% no PIB. 2003 será
um ano de vacas magras, prevê Edmar Bacha, economista
sênior do Banco BBA. A situação só
vai melhorar para valer quando houver o restabelecimento das
linhas de financiamento externas. A falta de capital do exterior
foi a principal responsável, ao longo deste ano, pela
desvalorização do real, que, por sua vez, é
a culpada pelo salto na inflação. E a aposta
do mercado é de que as linhas de crédito voltarão
a partir da metade de 2003. Aos poucos, os mercados
vão perceber que estava havendo um exagero em relação
ao Brasil, acredita Antônio Correa de Lacerda,
presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas
Transnacionais e da Globalização Econômica
(Sobeet). Mesmo assim, a torneira do capital externo não
vai abrir totalmente no próximo ano e o câmbio
se manterá alto. Algumas instituições
financeiras prevêem que a taxa vai estacionar entre
R$ 3,50 e R$ 3,60. Outras pintam um quadro mais aterrador,
com o dólar ultrapassando a faixa de R$ 4,00.
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