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Andreas
Müller
O empresário Marcelo Cansini não
é milionário. Ele e a esposa, juntos,
ganham pouco mais de R$ 8 mil mensais, o suficiente
para viver bem e sustentar o filho que deverá
nascer em 2003. Mas Cansini é uma das pessoas
que levam a expressão viver bem
ao pé da letra. Para ele, não basta
ter um apartamento espaçoso e confortável.
Aliás, não basta ter um apartamento.
Sempre quis morar numa casa. Uma casa que
ao mesmo tempo me proporcionasse segurança
e tivesse muita área verde, lembra.
Em busca desse sonho, Cansini acaba de se mudar
para um condomínio residencial em Pinhais,
cidade-satélite de Curitiba. A nova morada
é tudo que o empresário sempre quis.
É espaçosa, conta com um rigoroso
esquema de segurança e é cercada
por quase 1 milhão de metros quadrados
de área verde. Também fica próxima
a um campo de golfe , um clube de piscinas e de
esporte, uma escola bilíngüe e um
shopping center, todos instalados no próprio
condomínio conhecido como AlphaVille
Graciosa. Valor do imóvel: R$ 350
mil. Reiterando, Cansini não é milionário.
Apenas vive como um.
O empresário paranaense é o exemplo
prático de um fenômeno que tem mexido
com o mercado imobiliário nas grandes cidades
do país: o crescente número de profissionais
liberais e executivos dispostos a viver em supercondomínios.
A busca não é só por casas
como a de Cansini, mas também pelos chamados
condomínios verticais
edifícios luxuosos que oferecem os mais
variados serviços aos condôminos,
como salão de beleza, bares, loja de conveniência,
academia de ginástica etc. Isso sem contar
as áreas de lazer que, em alguns casos,
beiram a ostentação. Aqueles
que podem estão trocando a antiga moradia
por casas ou apartamentos em condomínios
de alto padrão, endossa Leônidas
Zelmanovitz, consultor de mercado imobiliário
e fundador da Mercúrio, uma das maiores
administradoras de fundos imobiliários
do Brasil hoje controlada pela Rio Bravo
Investimentos, de São Paulo.
Prova disso é a quantidade de empreendimentos
luxuosos que despontam país afora. Só
no Paraná, outros três AlphaVille
já foram inaugurados neste ano em
Londrina, Maringá e, em breve, Curitiba.
Há projetos semelhantes em andamento em
Gramado e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Já em Santa Catarina, algumas construtoras
se articulam para montar condomínios de
elite em Joinville e Florianópolis. O Sindicato
da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon) prevê que pelo menos seis
projetos devem ser inaugurados na ilha de Florianópolis,
no próximo ano. Em grande parte, para aconchegar
empresários e profissionais oriundos de
outros Estados. Existe um fluxo grande de
pessoas que vêm para cá em busca
de melhor qualidade de vida, principalmente gaúchos,
para-naenses e paulistas, empolga-se Adolfo
Cesar dos Santos, presidente do Sinduscon na capital
catarinense.
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