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      Edição 183 - Novembro de 2002
 

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Acuadas pela criminalidade dos centros urbanos, famílias de classe média e alta migram para condomínios de luxo e criam um mercado promissor para a indústria imobiliária

Andreas Müller

O empresário Marcelo Cansini não é milionário. Ele e a esposa, juntos, ganham pouco mais de R$ 8 mil mensais, o suficiente para viver bem e sustentar o filho que deverá nascer em 2003. Mas Cansini é uma das pessoas que levam a expressão “viver bem” ao pé da letra. Para ele, não basta ter um apartamento espaçoso e confortável. Aliás, não basta ter um apartamento. “Sempre quis morar numa casa. Uma casa que ao mesmo tempo me proporcionasse segurança e tivesse muita área verde”, lembra. Em busca desse sonho, Cansini acaba de se mudar para um condomínio residencial em Pinhais, cidade-satélite de Curitiba. A nova morada é tudo que o empresário sempre quis. É espaçosa, conta com um rigoroso esquema de segurança e é cercada por quase 1 milhão de metros quadrados de área verde. Também fica próxima a um campo de golfe , um clube de piscinas e de esporte, uma escola bilíngüe e um shopping center, todos instalados no próprio condomínio – conhecido como “AlphaVille Graciosa”. Valor do imóvel: R$ 350 mil. Reiterando, Cansini não é milionário. Apenas vive como um.

O empresário paranaense é o exemplo prático de um fenômeno que tem mexido com o mercado imobiliário nas grandes cidades do país: o crescente número de profissionais liberais e executivos dispostos a viver em supercondomínios. A busca não é só por casas como a de Cansini, mas também pelos chamados “condomínios verticais” – edifícios luxuosos que oferecem os mais variados serviços aos condôminos, como salão de beleza, bares, loja de conveniência, academia de ginástica etc. Isso sem contar as áreas de lazer que, em alguns casos, beiram a ostentação. “Aqueles que podem estão trocando a antiga moradia por casas ou apartamentos em condomínios de alto padrão”, endossa Leônidas Zelmanovitz, consultor de mercado imobiliário e fundador da Mercúrio, uma das maiores administradoras de fundos imobiliários do Brasil – hoje controlada pela Rio Bravo Investimentos, de São Paulo.

Prova disso é a quantidade de empreendimentos luxuosos que despontam país afora. Só no Paraná, outros três AlphaVille já foram inaugurados neste ano – em Londrina, Maringá e, em breve, Curitiba. Há projetos semelhantes em andamento em Gramado e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Já em Santa Catarina, algumas construtoras se articulam para montar condomínios de elite em Joinville e Florianópolis. O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) prevê que pelo menos seis projetos devem ser inaugurados na ilha de Florianópolis, no próximo ano. Em grande parte, para aconchegar empresários e profissionais oriundos de outros Estados. “Existe um fluxo grande de pessoas que vêm para cá em busca de melhor qualidade de vida, principalmente gaúchos, para-naenses e paulistas”, empolga-se Adolfo Cesar dos Santos, presidente do Sinduscon na capital catarinense.

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      • Florianópolis cada vez mais exigente
      • Região sul em alto estilo
     

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