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      Edição 183 - Novembro de 2002
 

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Rio Grande do Sul e Paraná se aproximam de Rio de Janeiro e Minas. Santa Catarina cai quase dez pontos, mas continua na sexta posição. Ceará é o Estado que mais avança

André Bersano


Quando AMANHÃ e Simonsen Associados divulgaram pela primeira vez o Ranking dos Estados, em 1996, a diferença que separava os blocos compostos por Rio de Janeiro e Minas Gerais (então segundo e terceiro colocados, respectivamente) de Rio Grande do Sul e Paraná (quarto e quinto) era um veradeiro abismo: quase 11 pontos percentuais. Passadas sete edições, o que se vê é uma aproximação incômoda para cariocas e mineiros. O hiato entre os dois representantes da Região Sul para a dupla do Sudeste caiu drasticamente e hoje não passa de 3,9%. Em 2001, vale lembrar, estava em mais de 5%. “A luta pela vice-liderança do ranking mostra uma tendência que já prevíamos: a desconcentração econômica do Brasil”, afirma Antônio Cordeiro, sócio-diretor da Simonsen e responsável técnico pelo levantamento.

O estudo “Novos Padrões de Localização Industrial”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), confirma: paulistas, cariocas e mineiros vêm perdendo participação para as regiões Sul e Nordeste a partir de meados da década de 90. Paranaenses e gaúchos têm um grande trunfo em comum: a indústria automobilística. “Os efeitos de um montadora são fantásticos, principalmente em um prazo mais longo. Agora é que os resultados das instalações de uma GM, no Rio Grande do Sul, e de uma Renault, no Paraná, começam a aparecer”, diz Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do núcleo de estudos econômicos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). “A briga que Rio Grande do Sul e Paraná travaram pela quarta posição foi importante para o incremento nos números dos dois Estados. Aonde um ia, o outro corria atrás”, avalia Cordeiro, da Simonsen. Os gaúchos, que até 2000 apareciam em quarto lugar entre os Estados mais competitivos, foram batidos pelos paranaenses por um décimo no ano passado. Vantagem que continua idêntica agora: 158% a 157,9%.

Rivalidades regionais à parte, a agricultura é uma das cartas na manga que Paraná e Rio Grande do Sul têm para alcançar Rio e Minas. A safra brasileira de 2001–2002 bateu em 97 milhões de toneladas de grãos – quase metade colhida na Região Sul. Como de janeiro a julho de 2002 o PIB agrícola cresceu 9,2% em relação a igual período do ano anterior – ante irrisórios 0,14% da média da economia –, as perspectivas de crescimento de Paraná e Rio Grande do Sul na próxima edição do ranking são promissoras. “Para continuar crescendo, eles devem procurar agregar maior valor às commodities, principalmente visando à exportação. Em tempos de dólar nas alturas, o diferencial será imenso”, aponta Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e atual consultor de agribusiness da Federação das Indústrias do RS (Fiergs).

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Nesse confronto, hoje a balança comercial pende decididamente a favor de paranaenses e gaúchos. O Rio Grande do Sul ganhou espaço no exterior e ultrapassou Minas Gerais em cifras exportadas – agora, só perde para São Paulo. E o Paraná, que estava a milhas de distância dos mineiros, também cresceu do ano passado para cá. A diferença entre Paraná e Minas, que era de quase US$ 2,5 bilhões, está em US$ 700 milhões. O motivo? Enquanto Minas continua centrada na siderurgia, os paranaenses tiveram um excelente ano, com uma pauta diversificada: de automóveis e motores a milho e outros produtos do agronegócio. Conclusão: à exceção de São Paulo, que reina absoluto na ponta da tabela e não dá nenhum indicativo de que vá recuar, há surpresas à vista no sobe-desce do Ranking dos Estados em 2003.

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