|
André
Bersano

Quando AMANHÃ e Simonsen Associados
divulgaram pela primeira vez o Ranking dos Estados,
em 1996, a diferença que separava os blocos
compostos por Rio de Janeiro e Minas Gerais (então
segundo e terceiro colocados, respectivamente)
de Rio Grande do Sul e Paraná (quarto e
quinto) era um veradeiro abismo: quase 11 pontos
percentuais. Passadas sete edições,
o que se vê é uma aproximação
incômoda para cariocas e mineiros. O hiato
entre os dois representantes da Região
Sul para a dupla do Sudeste caiu drasticamente
e hoje não passa de 3,9%. Em 2001, vale
lembrar, estava em mais de 5%. A luta pela
vice-liderança do ranking mostra uma tendência
que já prevíamos: a desconcentração
econômica do Brasil, afirma Antônio
Cordeiro, sócio-diretor da Simonsen e responsável
técnico pelo levantamento.
O estudo Novos Padrões de Localização
Industrial, do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), confirma: paulistas, cariocas
e mineiros vêm perdendo participação
para as regiões Sul e Nordeste a partir
de meados da década de 90. Paranaenses
e gaúchos têm um grande trunfo em
comum: a indústria automobilística.
Os efeitos de um montadora são fantásticos,
principalmente em um prazo mais longo. Agora é
que os resultados das instalações
de uma GM, no Rio Grande do Sul, e de uma Renault,
no Paraná, começam a aparecer,
diz Gilmar Mendes Lourenço, coordenador
do núcleo de estudos econômicos do
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico
e Social (Ipardes). A briga que Rio Grande
do Sul e Paraná travaram pela quarta posição
foi importante para o incremento nos números
dos dois Estados. Aonde um ia, o outro corria
atrás, avalia Cordeiro, da Simonsen.
Os gaúchos, que até 2000 apareciam
em quarto lugar entre os Estados mais competitivos,
foram batidos pelos paranaenses por um décimo
no ano passado. Vantagem que continua idêntica
agora: 158% a 157,9%.
Rivalidades regionais à parte, a agricultura
é uma das cartas na manga que Paraná
e Rio Grande do Sul têm para alcançar
Rio e Minas. A safra brasileira de 20012002
bateu em 97 milhões de toneladas de grãos
quase metade colhida na Região Sul.
Como de janeiro a julho de 2002 o PIB agrícola
cresceu 9,2% em relação a igual
período do ano anterior ante irrisórios
0,14% da média da economia , as perspectivas
de crescimento de Paraná e Rio Grande do
Sul na próxima edição do
ranking são promissoras. Para continuar
crescendo, eles devem procurar agregar maior valor
às commodities, principalmente visando
à exportação. Em tempos de
dólar nas alturas, o diferencial será
imenso, aponta Francisco Turra, ex-ministro
da Agricultura e atual consultor de agribusiness
da Federação das Indústrias
do RS (Fiergs).
 |
Porto
de Imbituba, em Santa Catarina:
necessidade de investimentos em infra-estrutura |
Nesse confronto, hoje a balança comercial
pende decididamente a favor de paranaenses e gaúchos.
O Rio Grande do Sul ganhou espaço no exterior
e ultrapassou Minas Gerais em cifras exportadas
agora, só perde para São
Paulo. E o Paraná, que estava a milhas
de distância dos mineiros, também
cresceu do ano passado para cá. A diferença
entre Paraná e Minas, que era de quase
US$ 2,5 bilhões, está em US$ 700
milhões. O motivo? Enquanto Minas continua
centrada na siderurgia, os paranaenses tiveram
um excelente ano, com uma pauta diversificada:
de automóveis e motores a milho e outros
produtos do agronegócio. Conclusão:
à exceção de São Paulo,
que reina absoluto na ponta da tabela e não
dá nenhum indicativo de que vá recuar,
há surpresas à vista no sobe-desce
do Ranking dos Estados em 2003.
|