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Andreas
Müller
Dizem os livros de marketing que é sempre
melhor ter dez clientes pequeninos, cada um capaz
de gastar US$ 10 mil por ano, do que ter apenas
um supercliente disposto a gastar US$ 100 mil
anuais. É regra básica nas estratégias
de vendas. Principalmente das empresas que buscam
seu ganha-pão no mercado corporativo (onde
os clientes também são empresas).
Por dois motivos. É mais seguro, já
que a companhia não fica à mercê
de um único comprador, que pode trocar
de fornecedor quando bem entender. E é
promissor a relação com organizações
menores, de enorme potencial de crescimento, costuma
ser bem mais duradoura.
No Brasil, contudo, boa parte das empresas que
atendem a clientela corporativa parece ter dificuldades
para aplicar essa lição na prática.
Veja o caso das auditorias contábeis. Seus
serviços ainda são privilégio
de algumas poucas (e grandes) companhias no país.
Existe uma idéia no mercado de que
as auditorias são apenas para corporações
de maior porte, lamenta Celso Luiz Malimpensa,
sócio da área de Small and Medium
Business da PricewaterhouseCoopers. O mesmo vale
para os segmentos bancário, de tecnologia
da informação, telefonia, consultoria,
recursos humanos e outra série de serviços
que, ainda hoje, atendem quase que unicamente
a multinacionais e corporações de
maior envergadura.
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| Pedone,
da Oracle: 75% do faturamento no Brasil vem
de pequenas e médias |
O detalhe é que, ultimamente, as empresas
desses setores vêm tentando ampliar, de
diversas maneiras, sua presença no chamado
middle-market faixa de pequenas
e médias organizações cujo
quadro varia de dez a 499 funcionários,
segundo o critério mais conhecido. Porém,
ainda estão longe do que poderia ser considerado
um sucesso. Prova disso é a penetração
de seus serviços nesse segmento. Cerca
de 97% dos pequenos e médios empreendimentos
brasileiros não têm, por exemplo,
um programa formal de recursos humanos, segundo
um estudo da Flaumar Assessoria Empresarial, de
São Paulo. E apenas 25% já implementaram
algum tipo de software de gestão empresarial
(também conhecido como ERP), hoje considerado
uma ferramenta básica de administração
nas grandes empresas. É difícil
dizer por que isso ocorre, admite Stewalter
Soares Moraes, diretor da Flaumar. Seria culpa
do mercado corporativo, onde a ordem do dia é
conter investimentos e cortar custos pela raiz?
Ou das próprias prestadoras desses serviços,
que ainda não descobriram como conquistar
os clientes de menor estatura?
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