Voltar para página inicial
      Edição 182 - Outubro de 2002
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto
Astrólogo ouvido por grandes bancos, José Antonio Pinotti espera um 2002 com calote da dívida interna, juros baixos e o governo emitindo moeda para fechar as contas – tudo isso num cenário de crescimento

Eugenio Esber

Consultor de empresas e bancos, o astrólogo financeiro José Antonio Pinotti garante ter previsto a desvalorização do real, em 1999, com um ano de antecedência. “Acertei o ano e o mês, com um erro de dez dias”, afirma. Embora em 1999 o BC tenha investigado instituições suspeitas de operar com informação privi-legiada, é difícil ligar os pontos. Pinotti não revela seus clientes, alegando compromisso de sigilo. “Posso dizer que atendo a seis bancos brasileiros: dois de porte muito grande e quatro médios,” diz.

Não admira que os clientes evitem se expor. Como fica a imagem de uma empresa que toma decisões apoiada na astrologia? “Há muita ignorância sobre a atividade”, contra-ataca este pau-listano de 33 anos que cursou cinco anos de astrologia e se especializou nos EUA com o astrólogo de mag-natas árabes Bill Meridian.

Psicólogo pela USP, com espe-cialização em psicanálise na Sorbonne, um diploma de enge-nheiro pela Unicamp e cursos de mercado financeiro, Pinotti diz nesta entrevista a AMANHÃ que a astrologia nada tem de adivi-nhação e é apenas um dos ins-trumentos que utiliza em suas previsões. Pinotti prepara um livro em que cunhará a expressão “psicoeconomia” – para relacionar fatores racionais e subjetivos no modo como empresas e pessoas gerem seu patrimônio.

Como prever fatos numa era de incertezas?
É preciso usar vários instrumentos e diferentes áreas do conhecimento. Além de engenheiro de computação, sou psicólogo e tento trabalhar com o que chamo de psicoeconomia. Muitas vezes, o mercado não é regido pela lógica e sim pela emoção, pelo humor. É isso o que está por trás da situação de alguns negócios que não decolam, de produtos que acabam rejeitados pelo consumidor. O que eu faço é tentar prever esses acontecimentos por meio de pesquisa e também com o uso da astrologia, que é uma forma mais rápida de tentar detectar estruturas e ver tendências num sentido mais amplo, com base no inconsciente coletivo.

Onde está o fundamento da astrologia?
O fundamento está na correlação estatística entre posições de planetas em relação ao sol e fatos da vida dos homens na Terra. Essas relações foram comprovadas estatisticamente na década de 60 por um casal de estatísticos franceses, François e Michael Gauguelin. O curioso é que eles começaram esse estudo porque queriam provar que a astrologia não funcionava. Analisaram os mapas de 100 mil profissionais reconhecidos na Europa, entre médicos, executivos, engenheiros... Estavam determinados a demonstrar que, para cada categoria profissional, os planetas estariam espalhados no céu por acaso. Como se sabe, no mapa astrológico existem 12 casas. Se elas estivessem espalhadas no céu ao acaso, esse casal provaria que a astrologia não existe. Só que não foi isso o que eles descobriram.

O que resultou da pesquisa?
Eles acabaram provando, sem querer, que no mapa de artistas e escritores a lua, que representa sensibilidade, arte e inspiração, estava nascendo ou culminando 900% acima do acaso estatístico (posição hipotética caso todos os planetas estivessem distribuídos igualmente em todas as regiões do céu). No mapa de atletas e militares, Marte, que é o planeta que representa vigor físico, agressividade, estava nascendo ou culminando 650% acima do acaso. No mapa de administradores, Saturno, que representa rigor, pesquisa, tensão, perfeccionismo, nascia ou culminava 900% acima do acaso. Ou seja, mesmo a contragosto, eles provaram a astrologia estatisticamente. Tornaram-se astrólogos e passaram o resto da vida tentando validar as correlações entre posições planetárias e determinadas escolhas. Tanto que hoje nós estudamos cinco asteróides que não usávamos nos mapas dez anos atrás. Os astrólogos tabularam a posição desses asteróides em alguns mapas, e viu-se que eles indicavam determinadas posturas ou tendências tanto em pessoas como em empresas.

Por que a astrologia é vista com tanta desconfiança?
Por vários motivos. Um deles é a ignorância. Aqui em São Paulo, a classe A vê a astrologia como uma ferramenta de orientação psicológica, de aconselhamento de carreira. As classes mais humildes é que tendem a ver astrologia como picaretagem.

Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo