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Consultor de empresas e bancos, o astrólogo
financeiro José Antonio Pinotti garante
ter previsto a desvalorização do
real, em 1999, com um ano de antecedência.
Acertei o ano e o mês, com um erro
de dez dias, afirma. Embora em 1999 o BC
tenha investigado instituições suspeitas
de operar com informação privi-legiada,
é difícil ligar os pontos. Pinotti
não revela seus clientes, alegando compromisso
de sigilo. Posso dizer que atendo a seis
bancos brasileiros: dois de porte muito grande
e quatro médios, diz.
Não admira que os clientes evitem se expor.
Como fica a imagem de uma empresa que toma decisões
apoiada na astrologia? Há muita ignorância
sobre a atividade, contra-ataca este pau-listano
de 33 anos que cursou cinco anos de astrologia
e se especializou nos EUA com o astrólogo
de mag-natas árabes Bill Meridian.
Psicólogo pela USP, com espe-cialização
em psicanálise na Sorbonne, um diploma
de enge-nheiro pela Unicamp e cursos de mercado
financeiro, Pinotti diz nesta entrevista a AMANHÃ
que a astrologia nada tem de adivi-nhação
e é apenas um dos ins-trumentos que utiliza
em suas previsões. Pinotti prepara um livro
em que cunhará a expressão psicoeconomia
para relacionar fatores racionais e subjetivos
no modo como empresas e pessoas gerem seu patrimônio.
Como prever fatos numa era de incertezas?
É preciso usar vários instrumentos
e diferentes áreas do conhecimento. Além
de engenheiro de computação, sou
psicólogo e tento trabalhar com o que chamo
de psicoeconomia. Muitas vezes, o mercado não
é regido pela lógica e sim pela
emoção, pelo humor. É isso
o que está por trás da situação
de alguns negócios que não decolam,
de produtos que acabam rejeitados pelo consumidor.
O que eu faço é tentar prever esses
acontecimentos por meio de pesquisa e também
com o uso da astrologia, que é uma forma
mais rápida de tentar detectar estruturas
e ver tendências num sentido mais amplo,
com base no inconsciente coletivo.
Onde está o fundamento da astrologia?
O fundamento está na correlação
estatística entre posições
de planetas em relação ao sol e
fatos da vida dos homens na Terra. Essas relações
foram comprovadas estatisticamente na década
de 60 por um casal de estatísticos franceses,
François e Michael Gauguelin. O curioso
é que eles começaram esse estudo
porque queriam provar que a astrologia não
funcionava. Analisaram os mapas de 100 mil profissionais
reconhecidos na Europa, entre médicos,
executivos, engenheiros... Estavam determinados
a demonstrar que, para cada categoria profissional,
os planetas estariam espalhados no céu
por acaso. Como se sabe, no mapa astrológico
existem 12 casas. Se elas estivessem espalhadas
no céu ao acaso, esse casal provaria que
a astrologia não existe. Só que
não foi isso o que eles descobriram.
O que resultou da pesquisa?
Eles acabaram provando, sem querer, que no mapa
de artistas e escritores a lua, que representa
sensibilidade, arte e inspiração,
estava nascendo ou culminando 900% acima do acaso
estatístico (posição hipotética
caso todos os planetas estivessem distribuídos
igualmente em todas as regiões do céu).
No mapa de atletas e militares, Marte, que é
o planeta que representa vigor físico,
agressividade, estava nascendo ou culminando 650%
acima do acaso. No mapa de administradores, Saturno,
que representa rigor, pesquisa, tensão,
perfeccionismo, nascia ou culminava 900% acima
do acaso. Ou seja, mesmo a contragosto, eles provaram
a astrologia estatisticamente. Tornaram-se astrólogos
e passaram o resto da vida tentando validar as
correlações entre posições
planetárias e determinadas escolhas. Tanto
que hoje nós estudamos cinco asteróides
que não usávamos nos mapas dez anos
atrás. Os astrólogos tabularam a
posição desses asteróides
em alguns mapas, e viu-se que eles indicavam determinadas
posturas ou tendências tanto em pessoas
como em empresas.
Por que a astrologia é vista com tanta
desconfiança?
Por vários motivos. Um deles é a
ignorância. Aqui em São Paulo, a
classe A vê a astrologia como uma ferramenta
de orientação psicológica,
de aconselhamento de carreira. As classes mais
humildes é que tendem a ver astrologia
como picaretagem.
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