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Faith Popcorn, respeitada profissional de marketing
norte-americana, famosa pelo dom de antecipar tendências:
A reação contra a excessiva quantidade
de marcas em cada centímetro quadrado será expressa
por uma corrida a produtos genéricos, sem marca.
Anita Roddick, badalada fundadora da The Body Shop,
grife de cosméticos que se popularizou na onda do politicamente
correto: As pessoas estão odiando as grandes
marcas.
The Economist, a revista de economia mais respeitada
do mundo: As marcas estão no banco dos réus,
acusadas de todos os tipos de dano, desde ameaçar a
nossa saúde e destruir o meio ambiente até corromper
nossos filhos.
Naomi Klein, autora do livro No Logo: Quando
mais pessoas descobrirem os segredos das grifes (...), a revolta
estimulará o próximo grande movimento político,
uma onda de oposição dirigida a corporações
transnacionais, particularmente aquelas com marcas conhecidas.
Naomi é uma ativista antiglobalização,
escreveu um livro para detonar as companhias por trás
dos logotipos e nada mais natural que lance ataques contra
o marketing. Mas, como se vê, ela é apenas uma
entre os diversos profissionais, das mais variadas áreas
(aqui foram listados apenas alguns), que estão traçando
cenários sombrios para as marcas. Há até
radicais garantindo que elas simplesmente sumirão do
mapa, e, no futuro, viveremos num éden de roupas sem
estampas e automóveis sem emblema.
É bom que se diga logo: a maioria das previsões
contém uma boa dose de exagero. Até porque esse
tipo de vaticínio não é novidade. Em
1993, a Phillip Morris anunciou que cortaria o preço
do Marlboro, um ícone do capitalismo e do branding,
para fazer frente a cigarros barateiros que vinham roubando
mercado. No dia seguinte, as ações da gigante
despencaram, e muitos previram o sumiço das grandes
marcas. No entanto, o bombardeio às grifes acerta ao
prever uma mudança na relação entre elas
e os consumidores e, também, ao anunciar que as transformações
virão acompanhadas de dificuldades.
Em linhas gerais, pode-se dizer que:
- O consumidor tende a ser menos fiel às marcas;
- As pessoas levarão mais em conta a atitude
das empresas na hora de fazer as compras ou usar algum serviço,
punindo as malcriadas e premiando as corretas;
- Os excessos da propaganda e do marketing deixarão
o público cansado, esgotado da profusão de grifes,
e conseguir um minutinho da sua atenção será
um desafio para os profissionais de comunicação;
- Será difícil construir novas marcas
e as já estabelecidas ruirão com mais facilidade.
Agora, o mais importante de tudo (e o que faz com que o enfrentamento
dos percalços valha a pena): quem conseguir se adaptar
com sucesso a esse novo mundo terá vida longa e contará
com a preferência dos consumidores. Até porque
a motivação que os leva a procurar as marcas
continuará existindo. A própria Faith Popcorn,
que prevê o advento dos genéricos, alega que
o movimento vai se referir menos a nossa independência
do marketing e mais à busca de outro mecanismo de auto-identificação.
Tubaínas A mudança mais evidente
no mundo das marcas pode ser percebida numa simples ida ao
supermercado. A concorrência hoje é enorme, e
o consumidor tem uma infinidade de alternativas. Um bom exemplo
é o segmento de refrigerantes. Tempos atrás,
o leque de opções era mínimo: meia dúzia
de bebidas tradicionais e uma ou duas marcas-diabo. Hoje,
além das conhecidas Coca-Cola, Pepsi, Guaraná
Antarctica e Kuat, Teem, Sprite, Mirinda etc, há as
tubaínas, que já detém 25% do mercado,
refrigerantes de tudo que é sabor (Fanta Citrus, Maçã
e Uva, Pepsi com limão) e versões diet e light
para cada refrigerante. Sem contar as outras bebidas que vêm
roubando espaço, como os energéticos, os isotônicos
(Gatorade e companhia), os chás gelados, os sucos prontos
e até a água mineral, todos associados a uma
vida mais saudável.
Em muitos outros segmentos está acontecendo a mesma
coisa, tanto a multiplicação de submarcas de
produtos de ponta quanto de tubaínas, que algumas vezes
exibem qualidade próxima à das top de linha.
Em reportagem de capa de setembro de 1999, AMANHÃ já
apresentava o crescimento de nomes desconhecidos como goiabada
Predilecta e guaraná Nevada, e os estragos que eles
estavam causando em grifes tradicionais. O reflexo disso é
óbvio: com mais alternativas, o público tende
a ser menos fiel a uma grife. Meu pai comprou duas ou
três marcas de carro na vida. Minha mãe deve
ter usado um perfume. Hoje não é mais assim,
acredita Eloi Zanneti, consultor em marketing e comunicação
e colunista de AMANHÃ.
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