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Por décadas, as empresas foram vistas
como insensíveis aos graves problemas sociais
do país. Essa noção mudou
drasticamente nos últimos anos. Entre as
grandes, são pouquíssimas aquelas
que ainda não fazem investimentos sociais.
As pequenas e médias não ficam muito
atrás e já provaram que, nessa matéria,
tamanho não é documento. Se uma
proposta que vem ganhando força entre os
protagonistas do terceiro setor vingar, pode ser
que a iniciativa privada se sinta ainda mais estimulada
a destinar recursos para a comunidade.
Trata-se de um projeto que aumenta os incentivos
fiscais para o investimento social privado, bandeira
de inúmeras empresas e ONGs Brasil afora.
A idéia é que companhias e pessoas
físicas tenham o direito de abater do imposto
de renda pelo menos parte do valor destinado a
ações sociais. Em linhas gerais,
o argumento é que, ao incentivar o investimento
social, o governo finalmente colocará o
combate às desigualdades como desafio número
um do país. E reconhecerá, na prática,
que a responsabilidade pelo combate à pobreza,
ao analfabetismo e a outras mazelas brasileiras
já é um problema do Estado, mas
também da iniciativa privada e de toda
a sociedade civil.
Posta assim, a questão parece simples:
bastaria transformar a intenção
em regra e todos se dariam por satisfeitos. No
entanto, a proposta tem um conteúdo polêmico
por envolver uma discussão ideológica.
Afinal, trata-se de colocar na balança
o papel do Estado na sociedade. Ou seja, até
que ponto ainda cabe ao setor público ser
praticamente o único operador de iniciativas
e ações sociais? Afinal, não
é difícil admitir que, durante todo
o século 20, as tentativas dos governos
de abrandar as desigualdades sociais se mostraram
ineficazes.
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