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      Edição 178 - Junho de 2002
 

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Especialista em medicina do trabalho, Mauro de Moura alerta para um dos males da relação chefe-empregado, o assédio moral. E avisa: o “psicoterror” pode destruir uma pessoa em apenas uma semana
André Bersano

Pense em alguém que se acha perseguido pelo chefe. Um caso de paranóia? Nem sempre. Aliás, quase nunca. É o que revela nesta entrevista o médico do trabalho Mauro de Moura, pa-lestrante do II Congresso da International Stress Management Association (Isma-BR), marcado para os dias 24 e 25 de julho em Porto Alegre. Moura, um expert em “assédio moral”, fez do combate ao que chama de “psicoterror” uma rotina em sua vida. Autor de Assé-dio Moral, que considera sua pequena “bíblia particular”, Moura traça os perfis de perseguidores e perseguidos no ambiente de tra-balho. Não se surpreenda se as situações parecerem familiares, e graves. “Muitas vezes”, diz, “o suicídio se torna a única saída para o assediado”.

Como definir o assédio moral?
No momento em que se criou o trabalho, surgiram os assédios. O mais recente deles é o assédio moral, expressão que surgiu na Suécia, em 1996. Trata-se, na verdade, de uma manobra em que se tenta humilhar, desestimular ou ridicularizar um trabalhador. O caso típico é aquele que a chefia intermediária exerce sobre o seu comandado mais próximo. E tem algumas finalidades bem claras. Duas delas são básicas: levar a empresa a colocar determinada pessoa na rua ou, no caso de um chefe doente, satisfazer instintos perversos.

Que tipo de perseguições o funcionário sofre?
O assédio moral é uma prática em que o chefe procura, de alguma forma, desestabilizar o seu empregado. E, para isso, usa de todos os meios possíveis e imagináveis. O primeiro deles é isolar o trabalhador. Exemplo: tira o telefone, tira o computador, não lhe dirige a palavra, retira-o de todas as reuniões importantes... E também passa a difundir comentários maliciosos sobre o cidadão, começa a propagar idéias sobre a sua virilidade: “Será que ele é homem?”. Já atendi a um caso, no Rio Grande do Sul, em que uma pessoa ficou trancada numa sala, sem janela, sem telefone e sem computador. E ficava lá, trabalhando durante horas. Mas é uma história isolada. Normalmente, o “psicoterror” é feito de uma forma sutil. O chefe jamais vai chegar diretamente para o assediado e dizer: “Eu não gosto de você, vou demiti-lo”. Então, no início, o assediado chega a achar que é brincadeira, pensa que não é nada grave. Quando ele começa a sofrer, quando percebe que é sério, já está instaurado o assédio moral.

E por que tudo isso começa?
Primeiro, porque o assediador é alguém que precisa atender aos seus instintos narcisistas, pois quer ser o centro do mundo – além de sentir uma necessidade absurda de aumentar sua auto-estima. E, sendo uma pessoa psicologicamente doente, faz tudo isso por medo. Medo de que o subalterno ocupe o seu lugar. Medo de que venha a aparecer mais do que ele, de que venha a ser mais eficiente... Até porque o assediado sempre é mais competente do que o asse-diador. E a maneira encontrada pelo perseguidor para acabar com a outra pessoa é usar o respaldo de um cargo superior para atingi-lo moralmente. Chamamos o assediador de “morcego” por ser alguém que procura sugar todas as forças do seu rival. A diferença de quem assedia para um chefe verdadeiro é que o primeiro quer todos os holofotes, quer ser reconhecido e admirado pelos outros. Além de não ouvir ninguém e achar que a única opinião que vale é a dele. Ou seja, trata-se de uma pessoa extremamente insegura e invejosa. Mas que não admite, jamais, seus defeitos. Tanto que em 100% dos casos quem procura ajuda são os assediados. Nunca os assediadores.

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