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Pense em alguém que se acha perseguido
pelo chefe. Um caso de paranóia? Nem sempre.
Aliás, quase nunca. É o que revela
nesta entrevista o médico do trabalho Mauro
de Moura, pa-lestrante do II Congresso da International
Stress Management Association (Isma-BR), marcado
para os dias 24 e 25 de julho em Porto Alegre.
Moura, um expert em assédio moral,
fez do combate ao que chama de psicoterror
uma rotina em sua vida. Autor de Assé-dio
Moral, que considera sua pequena bíblia
particular, Moura traça os perfis
de perseguidores e perseguidos no ambiente de
tra-balho. Não se surpreenda se as situações
parecerem familiares, e graves. Muitas vezes,
diz, o suicídio se torna a única
saída para o assediado.
Como definir o assédio moral?
No momento em que se criou o trabalho, surgiram
os assédios. O mais recente deles é
o assédio moral, expressão que surgiu
na Suécia, em 1996. Trata-se, na verdade,
de uma manobra em que se tenta humilhar, desestimular
ou ridicularizar um trabalhador. O caso típico
é aquele que a chefia intermediária
exerce sobre o seu comandado mais próximo.
E tem algumas finalidades bem claras. Duas delas
são básicas: levar a empresa a colocar
determinada pessoa na rua ou, no caso de um chefe
doente, satisfazer instintos perversos.
Que tipo de perseguições o funcionário
sofre?
O assédio moral é uma prática
em que o chefe procura, de alguma forma, desestabilizar
o seu empregado. E, para isso, usa de todos os
meios possíveis e imagináveis. O
primeiro deles é isolar o trabalhador.
Exemplo: tira o telefone, tira o computador, não
lhe dirige a palavra, retira-o de todas as reuniões
importantes... E também passa a difundir
comentários maliciosos sobre o cidadão,
começa a propagar idéias sobre a
sua virilidade: Será que ele é
homem?. Já atendi a um caso, no Rio
Grande do Sul, em que uma pessoa ficou trancada
numa sala, sem janela, sem telefone e sem computador.
E ficava lá, trabalhando durante horas.
Mas é uma história isolada. Normalmente,
o psicoterror é feito de uma
forma sutil. O chefe jamais vai chegar diretamente
para o assediado e dizer: Eu não
gosto de você, vou demiti-lo. Então,
no início, o assediado chega a achar que
é brincadeira, pensa que não é
nada grave. Quando ele começa a sofrer,
quando percebe que é sério, já
está instaurado o assédio moral.
E por que tudo isso começa?
Primeiro, porque o assediador é alguém
que precisa atender aos seus instintos narcisistas,
pois quer ser o centro do mundo além
de sentir uma necessidade absurda de aumentar
sua auto-estima. E, sendo uma pessoa psicologicamente
doente, faz tudo isso por medo. Medo de que o
subalterno ocupe o seu lugar. Medo de que venha
a aparecer mais do que ele, de que venha a ser
mais eficiente... Até porque o assediado
sempre é mais competente do que o asse-diador.
E a maneira encontrada pelo perseguidor para acabar
com a outra pessoa é usar o respaldo de
um cargo superior para atingi-lo moralmente. Chamamos
o assediador de morcego por ser alguém
que procura sugar todas as forças do seu
rival. A diferença de quem assedia para
um chefe verdadeiro é que o primeiro quer
todos os holofotes, quer ser reconhecido e admirado
pelos outros. Além de não ouvir
ninguém e achar que a única opinião
que vale é a dele. Ou seja, trata-se de
uma pessoa extremamente insegura e invejosa. Mas
que não admite, jamais, seus defeitos.
Tanto que em 100% dos casos quem procura ajuda
são os assediados. Nunca os assediadores.
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