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      Edição 177 - Maio de 2002
 

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Fundação Getúlio Vargas lidera a descentralização da educação profissional pelo Brasil e leva cursos de especialização a municípios onde nem existe faculdade
James Görgen

Telêmaco Borba é uma cidade de 61 mil habitantes que fica a 235 quilômetros de Curitiba. Possui 45 escolas públicas e nenhum cinema. Bento Gonçalves, na serra gaúcha, produz 53 milhões de litros de vinho por ano e tem uma taxa de analfabetismo de 3,6%. O que estas duas cidades têm em comum, alem de não serem exatamente duas metrópoles? Entre outras coisas, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A partir de julho, a cidade paranaense receberá um curso de pós-graduação da instituição de origem carioca – o mesmo mestrado que já vinha sendo oferecido no município gaúcho, há cerca de dois anos. Não, não tem nada a ver com ensino pela internet, que promete levar cursos de gestão até onde Judas perdeu as botas. Professores de carne e osso foram longe para encurtar a distância entre a necessidade de qualificação de empresários e executivos e a oferta de cursos que antes só existiam em poucas capitais do país. Com o desafio de manter o padrão de ensino de uma FGV.

Com atuação em 50 cidades brasileiras (11 na Região Sul), a FGV já responde, no país, por cerca de 20% da pós-graduação lato sensu – a badalada especialização, que ficou mais conhecida nas empresas a partir dos cursos de Master in Business Administration (MBA). Ela atua no nicho da educação continuada, que ajudou a incrementar o boom vivido pelo ensino superior do Brasil. Só na FGV, de 1999 para 2001, a quantidade de matriculados em cursos de especialização saltou de 5 mil para 12 mil alunos.

Sem tempo ou interesse pela vida acadêmica, mas sedentos por aperfeiçoamento específico, os alunos que estão lotando as salas de aula depois do expediente de trabalho querem conhecer sua empresa – e seu mercado – por dentro e por fora. O perfil deste profissional, garantem os professores de administração, não muda muito de região para região: tem entre 30 e 35 anos e ocupa cargo de nível gerencial.

A crescente presença da FGV Management, braço da fundação que cuida da especialização, deve-se a uma rede de conveniados e escolas próprias que opera os MBAs localmente. E, na maior parte das vezes, ao interesse de empresas em qualificar funcionários. A diferença é que, em vez de investirem em cursos in company e nas dispendiosas universidades corporativas, elas preferem atrair escolas de gestão reconhecidas para perto de suas instalações (algumas vezes, até para dentro delas).

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