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Telêmaco Borba é uma cidade de 61
mil habitantes que fica a 235 quilômetros
de Curitiba. Possui 45 escolas públicas
e nenhum cinema. Bento Gonçalves, na serra
gaúcha, produz 53 milhões de litros
de vinho por ano e tem uma taxa de analfabetismo
de 3,6%. O que estas duas cidades têm em
comum, alem de não serem exatamente duas
metrópoles? Entre outras coisas, a Fundação
Getúlio Vargas (FGV). A partir de julho,
a cidade paranaense receberá um curso de
pós-graduação da instituição
de origem carioca o mesmo mestrado que
já vinha sendo oferecido no município
gaúcho, há cerca de dois anos. Não,
não tem nada a ver com ensino pela internet,
que promete levar cursos de gestão até
onde Judas perdeu as botas. Professores de carne
e osso foram longe para encurtar a distância
entre a necessidade de qualificação
de empresários e executivos e a oferta
de cursos que antes só existiam em poucas
capitais do país. Com o desafio de manter
o padrão de ensino de uma FGV.
Com atuação em 50 cidades brasileiras
(11 na Região Sul), a FGV já responde,
no país, por cerca de 20% da pós-graduação
lato sensu a badalada especialização,
que ficou mais conhecida nas empresas a partir
dos cursos de Master in Business Administration
(MBA). Ela atua no nicho da educação
continuada, que ajudou a incrementar o boom vivido
pelo ensino superior do Brasil. Só na FGV,
de 1999 para 2001, a quantidade de matriculados
em cursos de especialização saltou
de 5 mil para 12 mil alunos.
Sem tempo ou interesse pela vida acadêmica,
mas sedentos por aperfeiçoamento específico,
os alunos que estão lotando as salas de
aula depois do expediente de trabalho querem conhecer
sua empresa e seu mercado por dentro
e por fora. O perfil deste profissional, garantem
os professores de administração,
não muda muito de região para região:
tem entre 30 e 35 anos e ocupa cargo de nível
gerencial.
A crescente presença da FGV Management,
braço da fundação que cuida
da especialização, deve-se a uma
rede de conveniados e escolas próprias
que opera os MBAs localmente. E, na maior parte
das vezes, ao interesse de empresas em qualificar
funcionários. A diferença é
que, em vez de investirem em cursos in company
e nas dispendiosas universidades corporativas,
elas preferem atrair escolas de gestão
reconhecidas para perto de suas instalações
(algumas vezes, até para dentro delas).
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