Recentemente, o governo britânico divulgou
um prognóstico impressionante sobre o Brasil, digno de
surpreender mesmo o maior dos otimistas: até 2005, o
setor petrolífero do país deve atrair US$ 50 bilhões.
Para se ter uma idéia, o montante é duas vezes
maior do que o total de investimentos diretos que entraram no
país, no ano passado. Antes de os brasileiros saírem
soltando foguetes, uma ressalva. O próprio estudo já
adianta qual a dificuldade que os empresários do petróleo
interessados em se aventurar por aqui enfrentarão, o
que pode colocar em xeque a previsão britânica:
as licenças ambientais para exploração,
produção e refino demoram demais para sair. Para
ilustrar a acusação, o autor da pesquisa, o analista
Ken McKellan, cita o exemplo de uma companhia estrangeira que
amargou prejuízo de US$ 10 milhões ao manter uma
embarcação totalmente parada enquanto aguardava
a licença do Ibama.
A constatação de McKellan evidencia um problema
que atinge milhares de empresas em todo o Brasil, desde pequenos
até grandes conglomerados, mas que, inexplicavelmente,
tem passado ao largo das grandes discussões nacionais.
A demora para a concessão de licenças ambientais
é um fato. E aflige praticamente todos os setores da
economia. Os próprios órgãos ambientais
encarregados de fornecer o documento admitem isso. Por sinal,
são apontados como os responsáveis pela lentidão.
Talvez o motivo para o pouco destaque que o assunto vem recebendo
seja a resistência dos empreendedores em falar no assunto.
Nas últimas semanas, AMANHÃ conversou com diversos
empresários e executivos que confirmaram terem dificuldades
para conseguir a licença. Os motivos citados são
morosidade dos órgãos, rigidez excessiva e radicalismo
das ONGs. Quase todos, no entanto, pediram para não serem
identificados. Temem se indispor com os órgãos
ambientais e sofrerem na hora de renovar as licenças.
Mãos vazias Como se verá, eleger
o governo como o único vilão dessa história
é, no mínimo, precipitado. Na realidade, trata-se
de um enredo sem mocinhos e bandidos, no qual todo o mundo
os órgãos ambientais, a iniciativa privada, as
ONGs, o Ministério Público, os legisladores e
o Judiciário tem sua parcela de culpa. Mais do
que isso, é uma discussão quase sem fim, daquelas
acaloradas que entram madrugada adentro e não terminam
nem após o último chope. No fundo, está
um dos principais desafios da humanidade neste século:
como aliar o desenvolvimento econômico à preservação
do meio ambiente. |