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      Edição 176 - Abril de 2002
 

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Andreas Müller

Atenção para as notícias que estarão nos jornais de 2003: no Paraná, as cidades-satélite de Foz do Iguaçu reformam seu sistema de saneamento para melhor receber os turistas que visitam as cataratas. Uma estrada começa a ser construída entre São Joaquim, em Santa Catarina, e Bom Jesus, no Rio Grande do Sul, e promete revigorar o fluxo turístico desses municípios. E, na serra gaúcha, os comerciantes e técnicos em hotelaria de Gramado e Canela comemoram a expansão do aeroporto local. Em toda a Região Sul, os turistas desembarcam aos montes, dispostos a gastar até US$ 100 por dia em roteiros de todo tipo, especialmente ecológicos e históricos.

Se exagerada ou não, só o tempo dirá. Mas é com esta expectativa que trabalham os empresários e as autoridades ligadas ao turismo na Região Sul. Há praticamente um consenso, entre eles, de que as obras listadas acima estão muito próximas da realidade. A partir de janeiro, cada uma delas deverá receber as primeiras parcelas de financiamento do Programa de Desenvolvimento do Turismo na Região Sul (Prodetur-Sul), promovido pela Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ao todo, o programa injetará US$ 400 milhões em infra-estrutura e promoção turística no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O objetivo? Explorar a fundo as centenas de atrações da região e, quem sabe, transformá-la num dos principais pólos de turismo do Brasil. “É uma ini-ciativa fundamental. O Sul tem potencial de sobra para crescer nesse setor”, acredita Milton Zuanazzi, que acaba de deixar a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul e tem sido um dos articuladores do Prodetur-Sul.

Para liberar a dinheirama, claro, o programa impõe uma série de exigências. Determina, por exemplo, que Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná dividam a bolada em fatias iguais de US$ 120 milhões – o Mato Grosso do Sul fica com a “sobra” de US$ 40 milhões. Também estabelece que os recursos sejam usados apenas em iniciativas que desenvolvam o turismo e, ao mesmo tempo, melhorem a qualidade de vida da população local. Como se não bastasse, as obras precisam ter potencial para fisgar investimentos privados. Essa exigência, aliás, é do próprio BID. Como banca quase metade do programa, a instituição quer que o Prodetur também ajude no “crescimento sustentável do país” – expressão que já virou lema nas obras amparadas pelo banco.


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