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      Edição 176 - Abril de 2002
 

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Reuniões longa e improdutivas são uma praga: Fazem mal a saúde financeira da empresa, ao ambiente de trabalho - e geram novas reuniões

Paulo César Teixeira

Diz a lenda que, quando não se quer resolver algum assunto, convoca-se uma reunião. Trata-se de uma piada, ou pelo menos de um evidente exagero. Reunir-se para trocar idéias e encaminhar soluções ainda é uma importante ferramenta da gestão empresarial e também um dos principais canais de comunicação das organizações. Entretanto, a febre de reuniões improdutivas pode ser um sintoma de acomodação. O sinal de alarme ecoa quando elas duram mais do que deveriam ou carecem de planejamento. Nestes casos, transformam-se em válvulas de escape para fugir de respostas objetivas e soluções de consenso. As companhias estão atentas à questão por um motivo óbvio: a praga de reuniões inúteis custa dinheiro.

As pesquisas mostram que os executivos brasileiros gastam de 35% a 40% do tempo participando de reuniões, de acordo com o professor Fernando Henrique Silveira Neto, dos departamentos de Engenharia Industrial e de Informática da PUC/RJ. Analistas americanos calculam em US$ 1 por minuto o custo médio de um executivo bem situado na carreira. Outros arredondam para US$ 100 por hora, levando em conta não apenas salário e benefícios sociais, mas também a infra-estrutura (ar-condicionado, estacionamento, refeitório etc.) posta à sua disposição. Um encontro de seis executivos com duração de duas horas, portanto, significa um custo de US$ 1.200. É possível argumentar que, reunidos ou não, os profissionais têm a mesma remuneração. “O foco do problema é que poderiam estar envolvidos em tarefas mais produtivas”, diz Silveira Neto, autor dos livros Outra Reunião? (COP Editora) e Ganhe Tempo Planejando (Editora Gente).

Sob a ótica da eficiência, a reunião só se justifica na medida em que viabiliza resultados econômicos superiores ao custo de fazê-la. O professor da PUC/RJ destaca que, em muitas ocasiões, acontece exatamente o contrário: quanto mais tempo se gasta no debate, menos reais entram no cofre da empresa. Mas, a bem da verdade, não é apenas o prejuízo financeiro que incomoda. “Além de perda de dinheiro, energia e tempo, reunião improdutiva é fator de irritação. Cria um clima negativo na organização”, afirma Carmen Peres, diretora de recursos humanos da IBM no Brasil. O baixo astral espalhado após uma seqüência de encontros inúteis é um inimigo invisível, que precisa ser atacado. Por isso, a IBM incluiu o aprendizado de como conduzir reuniões no treinamento de seus futuros gerentes.

 


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