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      Edição 176 - Abril de 2002
 

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GERALDO RIZZO Neurologista, especialista em Medicina do Sono
Sheila Meyer

A  frase está na ponta da língua: “A medicina do sono é uma especialidade do futuro”. Esse é o lema que o médico neurologista Geraldo Rizzo usa para dedicar a maior parte de suas horas ao trabalho de convencer as pessoas a dormir mais. Para ele, dormir mais é uma necessidade. As horas tranqüilas de sono recuperam a qualidade de vida, dão maior disposição ao trabalho e deixam as pessoas mais inclinadas ao sucesso. Foi por isso que, presidente da Sociedade Sul-Riograndense de Medicina do Sono, Rizzo trouxe para o Brasil a campanha “Arranje Tempo para Dormir”, existente nos Estados Unidos. “O sono não é só uma questão biológica ou parti-cular. Hoje, é tática para fazer negócios”, revela. Essa é uma das novidades que contou a AMANHÃ.

O sono é realmente usado como tática para fazer negócios?
O sono tem sido usado, nos Estados Unidos, como estratégia para vencer negociações entre sindicatos e patrões e é, claro, uma estratégia dos patrões. O que eles fazem? Matam os empregados de cansaço. Começam a negociar de manhã cedo. Seguem a tarde inteira naquela tensão do vai ter greve ou não vai ter greve. Falam de salários, carga horária, fundo de garantia, tudo num ambiente pesado que se estende noite adentro. A certa altura, os advogados dizem: vamos continuar amanhã. Recomeçam às sete horas da manhã.
Quando chega o meio-dia, o advogado convida para o almoço. Pensa que eles servem uma comida leve, de fácil digestão? Que nada. Partem para o equivalente a uma boa feijoada ou algo igualmente pesado. É aí que ganham qualquer coisa. O pessoal do sindicato não consegue pensar em mais nada. Nesse horário de pressão de sono, acaba aceitando propostas que não aceitaria se estivesse em condições normais.

Então, quem quiser negociar salário deve marcar a reunião para depois do almoço?
Sim, de preferência quando souber que o patrão está cansado e com privação de sono. Leve-o para almoçar e escolha uma churrascaria.

Há outros exemplos de como o sono é utilizado como estratégia de negócios?
Os executivos americanos que fazem negócios do outro lado do mundo são proibidos de tomar qualquer decisão ou assinar documentos importantes se não tiverem descansado dois ou três dias antes. Seus patrões sabem o que é o jet lag (a interferência da mudança de fuso-horário no relógio biológico humano) e o quanto isso atrapalha a concentração. As pessoas dizem uma coisa, e o executivo não percebe o intuito, não consegue captar as entrelinhas, a malícia etc. Corre o risco de assinar contratos sem lê-los adequadamente, e isso é um perigo para as empresas.

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