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A frase está na ponta da língua:
A medicina do sono é uma especialidade
do futuro. Esse é o lema que o médico
neurologista Geraldo Rizzo usa para dedicar a
maior parte de suas horas ao trabalho de convencer
as pessoas a dormir mais. Para ele, dormir mais
é uma necessidade. As horas tranqüilas
de sono recuperam a qualidade de vida, dão
maior disposição ao trabalho e deixam
as pessoas mais inclinadas ao sucesso. Foi por
isso que, presidente da Sociedade Sul-Riograndense
de Medicina do Sono, Rizzo trouxe para o Brasil
a campanha Arranje Tempo para Dormir,
existente nos Estados Unidos. O sono não
é só uma questão biológica
ou parti-cular. Hoje, é tática para
fazer negócios, revela. Essa é
uma das novidades que contou a AMANHÃ.
O sono é realmente usado como tática
para fazer negócios?
O sono tem sido usado, nos Estados Unidos, como
estratégia para vencer negociações
entre sindicatos e patrões e é,
claro, uma estratégia dos patrões.
O que eles fazem? Matam os empregados de cansaço.
Começam a negociar de manhã cedo.
Seguem a tarde inteira naquela tensão do
vai ter greve ou não vai ter greve. Falam
de salários, carga horária, fundo
de garantia, tudo num ambiente pesado que se estende
noite adentro. A certa altura, os advogados dizem:
vamos continuar amanhã. Recomeçam
às sete horas da manhã.
Quando chega o meio-dia, o advogado convida para
o almoço. Pensa que eles servem uma comida
leve, de fácil digestão? Que nada.
Partem para o equivalente a uma boa feijoada ou
algo igualmente pesado. É aí que
ganham qualquer coisa. O pessoal do sindicato
não consegue pensar em mais nada. Nesse
horário de pressão de sono, acaba
aceitando propostas que não aceitaria se
estivesse em condições normais.
Então, quem quiser negociar salário
deve marcar a reunião para depois do almoço?
Sim, de preferência quando souber que o
patrão está cansado e com privação
de sono. Leve-o para almoçar e escolha
uma churrascaria.
Há outros exemplos de como o sono é
utilizado como estratégia de negócios?
Os executivos americanos que fazem negócios
do outro lado do mundo são proibidos de
tomar qualquer decisão ou assinar documentos
importantes se não tiverem descansado dois
ou três dias antes. Seus patrões
sabem o que é o jet lag (a interferência
da mudança de fuso-horário no relógio
biológico humano) e o quanto isso atrapalha
a concentração. As pessoas dizem
uma coisa, e o executivo não percebe o
intuito, não consegue captar as entrelinhas,
a malícia etc. Corre o risco de assinar
contratos sem lê-los adequadamente, e isso
é um perigo para as empresas.
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