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"A pressão vai ficar insuportável. Ainda
bem que eu não estarei vivo para ver isso. A
bem-humorada profecia do experiente consultor de marketing
Raimar Richers, um dos fundadores da Fundação
Getúlio Vargas, tem lá sua dose de exagero.
Mas dá uma boa idéia do que ocorrerá
no mercado daqui por diante. Por diversas razões, pode-se
prever com segurança que a competição
entre as empresas crescerá muito, mas muito mesmo nos
próximos anos. Ou seja, quem fica chocado com o clima
de disputa que reina hoje, já deve ir preparando o
estômago para o futuro.
Para começar, o otimismo exacerbado e ingênuo
dos tempos da Nova Economia está morto e enterrado.
A desaceleração da economia mundial que se seguiu
ao estouro da bolha do mercado acionário americano
e minguou os investimentos em países em desenvolvimento
funcionou como uma espécie de choque de realidade para
empresários e executivos. Hoje, está claro que
a única forma de triunfar na era da hipercompetitividade
é se preparar ao máximo, criar modelos de negócios
rentáveis e, mais importante, diferenciar-se da concorrência.
Em suma, adaptar a gestão da organização
ao cenário disputado e cada vez mais complexo do mundo
dos negócios.
Falando assim, parece fácil. Mas o fato é que,
com o infindável volume de informações
disponíveis hoje e a profusão de livros e artigos
sobre gestão, será cada vez mais complicado
para os administradores decidir como e o que mudar dentro
das empresas. Mágica em administração
tem pelo menos uma por ano. É preciso saber o que vem
para ficar e o que é bolha de sabão, sugere
Carlos Alberto Rossi, consultor de marketing e professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda mais que,
como é sabido, o conhecimento tende a ser o grande
diferencial a partir de agora.
Nesta reportagem especial, AMANHÃ apresenta oito conceitos
que refletem as mudanças que estão ocorrendo
e, principalmente, irão ocorrer na gestão das
empresas na busca por mais competitividade. Alguns deles se
referem à nova ordem econômica, em que a regra
é o corte de custos e a máxima cautela na decisão
dos investimentos. Outros, a uma alteração mais
profunda e gradativa na cultura empresarial, com uma valorização
sem precedentes das pessoas e dos processos internos. Há
ainda aqueles conceitos que aparecem como uma reação
às demandas da própria sociedade. Finalmente,
há os que envolvem mais diretamente a forma de as empresas
competirem entre si, ou seja, a disputa de mercado propriamente
dita.
Em linhas gerais, pode-se dizer que essa nova empresa que
surge será mais transparente e aberta. E, por conseguinte,
mais honesta. A transparência surgirá de duas
formas. De um lado, em relação aos investidores
e acionistas. De outro, internamente, no trato com os funcionários
em geral. Já a abertura se refere ao relacionamento
com as outras empresas, como fornecedores e parceiros. A integração
entre todos será muito maior, inclusive por meio da
tecnologia, e, em determinados momentos, será difícil
até identificar quem trabalha para quem. Estamos
aprendendo a destruir as muralhas externas das organizações,
diz Michael Hammer, no livro A Agenda.
Outra palavra-chave que ganha importância nesta nova
dimensão empresarial é compartilhamento. Preocupadas
em focar ainda mais o negócio, as empresas continuarão
tentando simplificar as atividades que não estão
ligadas ao seu core business e, nisso, perceberão que
podem compartilhar funções que hoje consomem
tempo, espaço e dinheiro. Entre elas, contabilidade
e administração de recursos humanos, que, no
passado, já foram consideradas atividades estratégicas
dentro de uma organização. Na nova onda de parcerias,
nem mesmo a associação com a concorrência
está descartada.
Isso não significa, obviamente, descuido com os movimento
do inimigo. Pelo contrário. A nova empresa desenvolverá
formas avançadíssimas de acompanhar os passos
do concorrente. O segredo está em um conceito de nome
rebuscado e bastante sugestivo: inteligência competitiva.
Finalmente, as organizações modificarão
na realidade, já estão modificando
a forma de gerir as pessoas. Neste caso, há dois desafios
pela frente. Primeiro, o de como disseminar o conhecimento
de cada um, ou seja, tornar coletivo algo que é essencialmente
individual. Segundo, entender como o líder deve se
portar para arrancar o melhor desempenho dos funcionários.
Acredite, tudo depende mais dele do que muita gente pensa.
A explicação, bem como os demais conceitos,
estão nas páginas que seguem.
Bem-vindo à nova empresa.
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