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      Edição 176 - Abril de 2002
 

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Felipe Polydoro

"A pressão vai ficar insuportável. Ainda bem que eu não estarei vivo para ver isso.” A bem-humorada profecia do experiente consultor de marketing Raimar Richers, um dos fundadores da Fundação Getúlio Vargas, tem lá sua dose de exagero. Mas dá uma boa idéia do que ocorrerá no mercado daqui por diante. Por diversas razões, pode-se prever com segurança que a competição entre as empresas crescerá muito, mas muito mesmo nos próximos anos. Ou seja, quem fica chocado com o clima de disputa que reina hoje, já deve ir preparando o estômago para o futuro.

Para começar, o otimismo exacerbado e ingênuo dos tempos da Nova Economia está morto e enterrado. A desaceleração da economia mundial que se seguiu ao estouro da bolha do mercado acionário americano e minguou os investimentos em países em desenvolvimento funcionou como uma espécie de choque de realidade para empresários e executivos. Hoje, está claro que a única forma de triunfar na era da hipercompetitividade é se preparar ao máximo, criar modelos de negócios rentáveis e, mais importante, diferenciar-se da concorrência. Em suma, adaptar a gestão da organização ao cenário disputado e cada vez mais complexo do mundo dos negócios.

Falando assim, parece fácil. Mas o fato é que, com o infindável volume de informações disponíveis hoje e a profusão de livros e artigos sobre gestão, será cada vez mais complicado para os administradores decidir como e o que mudar dentro das empresas. “Mágica em administração tem pelo menos uma por ano. É preciso saber o que vem para ficar e o que é bolha de sabão”, sugere Carlos Alberto Rossi, consultor de marketing e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda mais que, como é sabido, o conhecimento tende a ser o grande diferencial a partir de agora.

Nesta reportagem especial, AMANHÃ apresenta oito conceitos que refletem as mudanças que estão ocorrendo e, principalmente, irão ocorrer na gestão das empresas na busca por mais competitividade. Alguns deles se referem à nova ordem econômica, em que a regra é o corte de custos e a máxima cautela na decisão dos investimentos. Outros, a uma alteração mais profunda e gradativa na cultura empresarial, com uma valorização sem precedentes das pessoas e dos processos internos. Há ainda aqueles conceitos que aparecem como uma reação às demandas da própria sociedade. Finalmente, há os que envolvem mais diretamente a forma de as empresas competirem entre si, ou seja, a disputa de mercado propriamente dita.

Em linhas gerais, pode-se dizer que essa nova empresa que surge será mais transparente e aberta. E, por conseguinte, mais honesta. A transparência surgirá de duas formas. De um lado, em relação aos investidores e acionistas. De outro, internamente, no trato com os funcionários em geral. Já a abertura se refere ao relacionamento com as outras empresas, como fornecedores e parceiros. A integração entre todos será muito maior, inclusive por meio da tecnologia, e, em determinados momentos, será difícil até identificar quem trabalha para quem. “Estamos aprendendo a destruir as muralhas externas das organizações”, diz Michael Hammer, no livro A Agenda.

Outra palavra-chave que ganha importância nesta nova dimensão empresarial é compartilhamento. Preocupadas em focar ainda mais o negócio, as empresas continuarão tentando simplificar as atividades que não estão ligadas ao seu core business e, nisso, perceberão que podem compartilhar funções que hoje consomem tempo, espaço e dinheiro. Entre elas, contabilidade e administração de recursos humanos, que, no passado, já foram consideradas atividades estratégicas dentro de uma organização. Na nova onda de parcerias, nem mesmo a associação com a concorrência está descartada.

Isso não significa, obviamente, descuido com os movimento do inimigo. Pelo contrário. A nova empresa desenvolverá formas avançadíssimas de acompanhar os passos do concorrente. O segredo está em um conceito de nome rebuscado e bastante sugestivo: inteligência competitiva.

Finalmente, as organizações modificarão – na realidade, já estão modificando – a forma de gerir as pessoas. Neste caso, há dois desafios pela frente. Primeiro, o de como disseminar o conhecimento de cada um, ou seja, tornar coletivo algo que é essencialmente individual. Segundo, entender como o líder deve se portar para arrancar o melhor desempenho dos funcionários. Acredite, tudo depende mais dele do que muita gente pensa.

A explicação, bem como os demais conceitos, estão nas páginas que seguem.
Bem-vindo à nova empresa.

Troca-troca na cartilha do gestor
As idéias que ficam pelo caminho...
...e os conceitos que as substituem
Os números da empresa são segredo de Estado A transparência é fundamental
Não se dá nem “oi” para o concorrente O concorrente é um parceiro em potencial
Design é essencial no desenvolvimento dos produtos e do logotipo da empresa
Design está em tudo e é essencial para transmitir a identidade da empresa
O chefe ensina os funcionários O líder ensina e aprende com os funcionários
É preciso ficar de olho na concorrência É preciso ter um funcionário somente com a função de monitorar a concorrência
É importante investir em tecnologia Só se deve Investir em tecnologias que melhorem os resultados da empresa
As empresas têm de aprender a atender bem os clientes
As empresas têm de aprender a atender bem os clientes (mesmo)
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     • A liderança como fator-chave
     • As empresas ficam espertas
     • O domínio da transparência e da ética
     • A derrubada das paredes
     • Aprenda com os funcionários
     • A cautela do mundo de TI
     • O design é mais do que se pensa
     • Atendendo bem os clientes (de verdade)

     
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