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      Edição 175 - Março de 2002
 

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Felipe Polydoro

Isto certamente já aconteceu com você – se é que não acontece diariamente. Chega em casa após uma jornada estressante e nervosa, com os gritos do chefe ou de um cliente ainda ressoando na cabeça. Abre a geladeira e se dá conta de que praticamente não comeu durante o dia (um sanduíche rápido na hora do almoço e alguns biscoitos durante a tarde). Você esquenta um pratão de lasanha no microondas e se acomoda em frente à televisão, com uma garrafinha de cerveja em punho.

A cada garfada, as lembranças do trabalho vão escasseando. Quando o prato de lasanha termina, você sente que ainda falta alguma coisa. Uma fatia de torta encerra a refeição compensadora. Passados alguns minutos, é hora de admitir outra dura realidade: você comeu demais. Ou melhor, está comendo demais, trabalhando demais e, para completar, exercitando-se de menos.

E, de quebra, engrossando – ou prestes a engrossar – as fileiras de um grupo que cresce assustadoramente no mundo inteiro: o de pessoas com sobrepeso. No Brasil, elas já representam nada menos do que 40% da população. Aí se incluem desde os indivíduos com um punhado de quilos a mais até os obesos mórbidos. E o pior: se os brasileiros continuarem engordando no mesmo ritmo, daqui a 15 anos mais da metade da população vai pesar bem mais do que deveria. Os médicos e outros especialistas são cautelosos na hora de apontar as principais causas para o fenômeno (em geral, atribuem o aumento da obesidade a um conjunto de fatores). Mas todos concordam que a rotina cada vez mais corrida e trabalhosa da vida moderna tem uma boa dose de culpa.

Via de regra, os quilos a mais significam piora na saúde, e o crescimento na quantidade de pessoas gordas preocupa não só elas próprias e os médicos, mas também o governo e a área de recursos humanos das empresas. Calcula-se que 80 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência do excesso de peso. Como resultado, começam a surgir iniciativas para combater o que a Organização Mundial da Saúde recentemente classificou de “epidemia”. Na maior parte dos casos, essas ações ainda são tímidas e com poucos resultados práticos, mas é um prenúncio de que virão, no futuro, medidas capazes de pelo menos brecar o processo de engorde da população.

Pneus – Não por coincidência, o estresse é outro mal que vem crescendo exponencialmente. “O estresse é um dos principais responsáveis pelo aumento de pessoas obesas e com excesso de peso”, atesta o cardiologista e escritor Lair Ribeiro. Por dois motivos básicos, um metabólico e outro comportamental. As alterações químicas que ele provoca no corpo deixam o metabolismo mais lento. Simplificando, isso significa que se gasta menos energia (leia-se calorias) do que um corpo em perfeito estado. “O estresse também aumenta a concentração de um hormônio que estimula o acúmulo de gordura na região abdominal, o chamado pneu”, alerta a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (ISMA), principal entidade mundial de combate a esse tipo de problema.


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