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Isto certamente já aconteceu com você
se é que não acontece diariamente.
Chega em casa após uma jornada estressante
e nervosa, com os gritos do chefe ou de um cliente
ainda ressoando na cabeça. Abre a geladeira
e se dá conta de que praticamente não
comeu durante o dia (um sanduíche rápido
na hora do almoço e alguns biscoitos durante
a tarde). Você esquenta um pratão
de lasanha no microondas e se acomoda em frente
à televisão, com uma garrafinha
de cerveja em punho.
A cada garfada, as lembranças do trabalho
vão escasseando. Quando o prato de lasanha
termina, você sente que ainda falta alguma
coisa. Uma fatia de torta encerra a refeição
compensadora. Passados alguns minutos, é
hora de admitir outra dura realidade: você
comeu demais. Ou melhor, está comendo demais,
trabalhando demais e, para completar, exercitando-se
de menos.
E, de quebra, engrossando ou prestes a
engrossar as fileiras de um grupo que cresce
assustadoramente no mundo inteiro: o de pessoas
com sobrepeso. No Brasil, elas já representam
nada menos do que 40% da população.
Aí se incluem desde os indivíduos
com um punhado de quilos a mais até os
obesos mórbidos. E o pior: se os brasileiros
continuarem engordando no mesmo ritmo, daqui a
15 anos mais da metade da população
vai pesar bem mais do que deveria. Os médicos
e outros especialistas são cautelosos na
hora de apontar as principais causas para o fenômeno
(em geral, atribuem o aumento da obesidade a um
conjunto de fatores). Mas todos concordam que
a rotina cada vez mais corrida e trabalhosa da
vida moderna tem uma boa dose de culpa.
Via de regra, os quilos a mais significam piora
na saúde, e o crescimento na quantidade
de pessoas gordas preocupa não só
elas próprias e os médicos, mas
também o governo e a área de recursos
humanos das empresas. Calcula-se que 80 mil pessoas
morrem por ano no Brasil em decorrência
do excesso de peso. Como resultado, começam
a surgir iniciativas para combater o que a Organização
Mundial da Saúde recentemente classificou
de epidemia. Na maior parte dos casos,
essas ações ainda são tímidas
e com poucos resultados práticos, mas é
um prenúncio de que virão, no futuro,
medidas capazes de pelo menos brecar o processo
de engorde da população.
Pneus Não por coincidência,
o estresse é outro mal que vem crescendo
exponencialmente. O estresse é um
dos principais responsáveis pelo aumento
de pessoas obesas e com excesso de peso,
atesta o cardiologista e escritor Lair Ribeiro.
Por dois motivos básicos, um metabólico
e outro comportamental. As alterações
químicas que ele provoca no corpo deixam
o metabolismo mais lento. Simplificando, isso
significa que se gasta menos energia (leia-se
calorias) do que um corpo em perfeito estado.
O estresse também aumenta a concentração
de um hormônio que estimula o acúmulo
de gordura na região abdominal, o chamado
pneu, alerta a psicóloga Ana Maria
Rossi, presidente da seção brasileira
da International Stress Management Association
(ISMA), principal entidade mundial de combate
a esse tipo de problema.
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