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      Edição 175 - Março de 2002
 

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James Görgen

Sabe-se que a história ensina muita coisa. Então pare para pensar nos anos 80. Lembra das previsões de que o videocassete, a grande novidade, acabaria com o cinema? A tese fazia tanto sentido. Só que, na prática, nada daquilo aconteceu. O vídeo, satanizado pelos cinéfilos da época, não só permitiu a sobrevivência do cinema como, num papel de coadjuvante, associou-se à velha indústria dos telões e contribui para fazê-la crescer como nunca.

Há muitos exemplos para mostrar como a concorrência (seja entre empresas, seja entre tecnologias) pode ter muito de Mr. Hyde. mas guarda um vantajoso lado Dr. Jekyll. Dormir com o inimigo, na selva da sobrevivência empresarial, está deixando de ser pecado – desde que se saiba, claro, a hora de acordar. Competidores que ontem se escalpelavam na disputa pelo cliente estão, hoje, brigando lado a lado, de olho no lucro. Mas estarão seguros?

Saber o quanto de comprometimento se pode ter em uma associação deste tipo – e o momento de parar – é o que separa o sucesso do fracasso. Afinal, no afã de obter ganhos com a prática desregrada da co-opetição (conceito que mescla cooperação com competição), as empresas também podem perder. Principalmente, em uma de suas partes mais sensíveis e de valor subjetivo: as marcas.

Risco embutido – Todo acordo entre concorrentes contém em si um risco – inclusive de perda de identidade no mercado, se a associação for mal alinhavada. “Para o risco ser menor, é preciso haver sinergia: o todo precisa ser maior que a soma das partes”, conceitua Marcos Cortez Campomar, coordenador da área de marketing da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Para não ficar na teoria, Campomar recorre logo a um exemplo histórico: a união da Rússia e dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial para a derrocada do avanço dos exércitos do Eixo. “Naquele instante, dois inimigos se juntaram para neutralizar outro”, diz. No mundo dos negócios, o inimigo comum de dois concorrentes pode ser menos nocivo, mas seu enfrentamento precisa ser sempre uma necessidade estratégica que tenha o mesmo peso para os integrantes da aliança.


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