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O empresário brasileiro tem uma cabeça
internacional, uma visão global de negócios?
Pela dimensão e pelas taxas de crescimento
do mercado interno, o empresário brasileiro
está mais voltado para dentro do país.
Prova disso é a reduzida participação
do Brasil no mercado internacional. Muitas vezes,
quando há uma visão internacional,
ela se restringe à América Latina.
Além de tudo, a exportação,
por definição, requer uma visão
de médio e longo prazos. E os brasileiros,
por serem latinos, e pela história inflacionária,
tendem a ter uma visão de mais curto prazo.
Mas eu não queria, com isso, generalizar.
Há excelentes exemplos de empresas com
visão mundial, desde uma Sadia até
uma Papaiz, Mangels ou Weg, entre muitas outras.
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Exportar
exige muito mais que um câmbio favorável.
A empresa brasileira precisa se preparar
melhor. Quantas têm
um especialista em design?
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Por que o Brasil não consegue exportar
mais do que 7% de seu PIB?
De fato, a economia brasileira é das mais
fechadas da América Latina. No México,
por exemplo, o comércio exterior representa
65% do PIB (muito em razão da presença
de empresas maquiadoras, que montam componentes
e reexportam). Acredito que contribuiu muito para
este fechamento a famosa política de substituições
de importações, época em
que, no Brasil, importar era pecado. Portanto,
fechava-se o canal das importações
e, por meio de uma enxurrada de incentivos, procurava-se
exportar. Faltava-nos, porém, o confronto,
a comparação com produtos estrangeiros
que brigassem no mercado interno. Tivemos uma
quantidade razoável de produtos obsoletos
e caros. Resultado: mais inflação
e falta de competitividade dos produtos. A situação
mudou com a abertura do mercado nos anos 90.
Reduziram-se investimentos em papéis financeiros
e se aumentaram investimentos em qualificação
de pessoal, em tecnologia e em alianças
estratégicas. O resultado está aí:
hoje, o Brasil exporta de aviões a máquinas,
de cerâmica a confecções.
Mas não será fácil, agora,
alcançar países que abriram suas
economias há mais tempo que o Brasil. Um
desafio que temos é o de não apenas
exportar mais volume, mas vender mais valor agregado.
Vender por quilo mais do que por tonelada. Para
isso, será necessário investir em
tecnologia, qualidade, serviço, design.
Quantas de nossas empresas têm um especialista
em design?
No Brasil, as exportações estão
concentradas em poucas empresas com escala de
operações muito grande. Tamanha
concentração não está
em desacordo com o padrão de comércio
exterior das nações mais avançadas?
Na América Latina e especificamente no
Brasil, as pequenas empresas não significam
mais do que 10% do total exportado. Em um país
como a Itália, 75% da exportação
é realizada por pequenas empresas. Isso
mostra o quanto o Brasil está longe dos
patamares dos países mais avançados.
No caso da Itália, a grande alavanca para
a exportação das pequenas e médias
empresas são os distritos industriais,
ou clusters, assunto que no Brasil está
sendo cada vez mais comentado, e também
os consórcios de promoção
de exportações. Na Itália,
há um total de 330 consórcios. Eles
garantem 20% de tudo o que o país exporta.
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