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      Edição 175 - Março de 2002
 

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Andreas Müller

A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) é o exemplo perfeito de uma empresa pública. Fornece energia para um mercado de bom tamanho – cerca de 1,6 milhão de catarinenses –, mas, mesmo assim, não é muito rentável. Motivo: o inchaço na folha de pagamento, onde figuram nada menos que 4,5 mil nomes. Por isso, a partir de abril essa típica estatal iniciará um processo que se torna cada vez mais comum nas grandes e médias empresas brasileiras: o das demissões em massa.

Há diversos motivos para uma empresa enxugar seu quadro de funcionários. A Celesc, em particular, quer acertas as contas para encarar a concorrência da iniciativa privada. Precisa se desfazer de pelo menos 1,5 mil pessoas até o final de 2008. Pelos cálculos de Francisco Küster, presidente da companhia, o enxugamento é suficiente para adequá-la à proporção de um funcionário para cada mil usuários, tal como na concorrência. “Atualmente, temos um funcionário para cada 400 clientes”, compara Küster.

Além da Celesc, há uma trupe de empresas brasileiras recorrendo aos famosos programas de demissão voluntária (PDVs) Brasil afora. A Audi, no Paraná, é uma delas. Ao reduzir a produção, a montadora suspendeu as atividades no turno da noite. De quebra, deixou um saldo de 605 funcionários sem muito o que fazer lá dentro. Em Santa Catarina, o banco estadual (Besc) deu mais um passo rumo à privatização, ao promover um PDV para desligar cerca de 3,5 mil trabalhadores. E, no Rio Grande do Sul, a Brasil Telecom faz os últimos preparativos para dar seqüência a um programa que já desligou 5,5 mil pessoas em todo o país.

Depois dessa enxurrada de números, reflita sobre o seguinte: o que há de comum entre todas essas empresas? Simples: trata-se de organizações que estão passando por reestruturações. Na maior parte desses casos, a causa é um processo de privatização. Mas o fenômeno também está associado a fusões, aquisições ou simples readequação de mercado – caso da Audi. As demissões em massa, nesses processos de reestruturação, fazem parte do pacote. Geralmente, envolvem mais de 200 pessoas, de preferência as que trabalham em atividades com pouca ou nenhuma relação com o principal negócio da corporação. O alvo preferido? “Principalmente os empregados em áreas operacionais, nas quais a automação dos processos produtivos permite uma redução no número de trabalhadores”, indica Lorene Carvalho, gerente de aconselhamento de carreira da KPMG. Os alvos são pessoas que atuam num nível intermediário da hierarquia da companhia e, como tal, ganham “intermediariamente” bem. E, também, aqueles indivíduos de classe média dispostos a trocar o salário pela dinheirama de um PDV – e que provavelmente o farão em 2002, quando uma anunciada onda de reestruturação atingir a empresa em que batem o ponto.

Na mira das fusões – “Este ano será de retomada no ritmo de fusões e aquisições”, avisa André Castello Branco, diretor da KPMG especializado na troca de alianças entre empresas. A expectativa do executivo é que o número de operações desse tipo ultrapasse as 260 registradas em 2001 e se aproxime do que foi verificado no ano anterior: cerca de 400. Isso significa que há mais probabilidade de a empresa onde você trabalha ser comprada e, logo depois, iniciar um programa de demissões. As chances de receber um convite ao PDV ou o bilhete azul aumentam se você estiver empregado em: a) uma estatal em vias de ser privatizada; b) uma empresa do segmento de telecomunicações; c) um banco.

 


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