A Centrais Elétricas de Santa
Catarina (Celesc) é o exemplo perfeito de
uma empresa pública. Fornece energia para
um mercado de bom tamanho cerca de 1,6 milhão
de catarinenses , mas, mesmo assim, não
é muito rentável. Motivo: o inchaço
na folha de pagamento, onde figuram nada menos que
4,5 mil nomes. Por isso, a partir de abril essa
típica estatal iniciará um processo
que se torna cada vez mais comum nas grandes e médias
empresas brasileiras: o das demissões em
massa.
Há diversos motivos para uma empresa enxugar
seu quadro de funcionários. A Celesc, em
particular, quer acertas as contas para encarar
a concorrência da iniciativa privada. Precisa
se desfazer de pelo menos 1,5 mil pessoas até
o final de 2008. Pelos cálculos de Francisco
Küster, presidente da companhia, o enxugamento
é suficiente para adequá-la à
proporção de um funcionário
para cada mil usuários, tal como na concorrência.
Atualmente, temos um funcionário para
cada 400 clientes, compara Küster.
Além da Celesc, há uma trupe de empresas
brasileiras recorrendo aos famosos programas de
demissão voluntária (PDVs) Brasil
afora. A Audi, no Paraná, é uma delas.
Ao reduzir a produção, a montadora
suspendeu as atividades no turno da noite. De quebra,
deixou um saldo de 605 funcionários sem muito
o que fazer lá dentro. Em Santa Catarina,
o banco estadual (Besc) deu mais um passo rumo à
privatização, ao promover um PDV para
desligar cerca de 3,5 mil trabalhadores. E, no Rio
Grande do Sul, a Brasil Telecom faz os últimos
preparativos para dar seqüência a um
programa que já desligou 5,5 mil pessoas
em todo o país.
Depois dessa enxurrada de números, reflita
sobre o seguinte: o que há de comum entre
todas essas empresas? Simples: trata-se de organizações
que estão passando por reestruturações.
Na maior parte desses casos, a causa é um
processo de privatização. Mas o fenômeno
também está associado a fusões,
aquisições ou simples readequação
de mercado caso da Audi. As demissões
em massa, nesses processos de reestruturação,
fazem parte do pacote. Geralmente, envolvem mais
de 200 pessoas, de preferência as que trabalham
em atividades com pouca ou nenhuma relação
com o principal negócio da corporação.
O alvo preferido? Principalmente os empregados
em áreas operacionais, nas quais a automação
dos processos produtivos permite uma redução
no número de trabalhadores, indica
Lorene Carvalho, gerente de aconselhamento de carreira
da KPMG. Os alvos são pessoas que atuam num
nível intermediário da hierarquia
da companhia e, como tal, ganham intermediariamente
bem. E, também, aqueles indivíduos
de classe média dispostos a trocar o salário
pela dinheirama de um PDV e que provavelmente
o farão em 2002, quando uma anunciada onda
de reestruturação atingir a empresa
em que batem o ponto.
Na mira das fusões Este
ano será de retomada no ritmo de fusões
e aquisições, avisa André
Castello Branco, diretor da KPMG especializado na
troca de alianças entre empresas. A expectativa
do executivo é que o número de operações
desse tipo ultrapasse as 260 registradas em 2001
e se aproxime do que foi verificado no ano anterior:
cerca de 400. Isso significa que há mais
probabilidade de a empresa onde você trabalha
ser comprada e, logo depois, iniciar um programa
de demissões. As chances de receber um convite
ao PDV ou o bilhete azul aumentam se você
estiver empregado em: a) uma estatal em vias de
ser privatizada; b) uma empresa do segmento de telecomunicações;
c) um banco.
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