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      Edição 174 - Janeiro / Fevereiro de 2002
 

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                Não chore por mim, Brasil: peso desvalorizado comanda a reação argentina

Andreas Müller


Os argentinos que leram o jornal La Nación em 12 de janeiro deste ano encararam uma notícia nada animadora: “As exportações não crescerão este ano apesar da desvalorização do peso”. Na matéria, o diário argumentava que a Argentina provavelmente repetiria a experiência do vizinho Brasil, cujas vendas externas caíram 6% em 1999, primeiro ano de real desvalorizado. Faltou dizer que já no ano seguinte ao deslize da moeda os brasileiros comemorariam um salto de 15% nas exportações e 4,4% no PIB.
Mas é possível que o final feliz da crise cambial do Brasil não se repita no Prata. Mesmo com o peso desvalorizado, não há como acreditar que a Argentina conseguirá recuperar tão rapidamente o ritmo de suas exportações. Quando decidiu pela flutuação do real, o Brasil não estava há quatro anos em recessão como estão os argentinos. Não estava em crise política e não havia trocado cinco vezes de presidente em apenas 12 dias. Finalmente, o World Trade Center existia – e a economia mundial não se mostrava tão estagnada como hoje.

Made in Argentina – Apesar de tudo, é consenso entre os analistas de que o peso barato vai tornar as exportações argentinas bem mais competitivas quando o cenário macroeconômico ajudar. Mas com um importante detalhe: muito dificilmente haverá uma invasão de produtos “made in Argentina” no mercado brasileiro. “Acredito que ainda demore muito para a Argentina exportar bastante para o Brasil”, avalia Elói Rodrigues de Almeida, presidente do Grupo Brasil, espécie de clube das empresas brasileiras que atuam no vizinho platino. “A indústria está sucateada. Não há investimentos em tecnologia ou produtividade. E o fim da paridade peso-dólar não é suficiente para lhes devolver a competitividade externa”, explica ele, de seu escritório em Buenos Aires.



AS VENDAS PARA A ARGENTINA CAEM ...
Exportações para a Argentina*
RS
661
573
SC
294
251
PR
474
356
- em 2000 - em 2001 *em US$ milhões


... MAS CRESCEM PARA O RESTO DO NUNDO
Exportações totais*
RS
5,7
6,3
SC
2,7
3,0
PR
4,3
5,3
- em 2000 - em 2001 *em US$ bilhões

 

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