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A população quer transformar o país
e está fazendo sua parte e, de quebra, cumpre
algumas funções típicas do governo. Basta
observar a multidão de pessoas que ajuda os outros
sem receber um único tostão em troca. Uma pesquisa
realizada em setembro pelo Instituto Datafolha mostrou que
pelo menos 28% dos brasileiros já participaram, ou
continuam participando, de algum trabalho voluntário.
E mais: 75% estão dispostos a doar seu tempo para alguma
atividade social. Esse verdadeiro exército se soma
a uma legião de mais de 1,6 bilhão de pessoas
no mundo que praticam alguma ação em benefício
de pessoas mais necessitadas.
Em 2001, essas iniciativas ganharam fôlego. Estamos
conseguindo alcançar nosso principal objetivo, que
é multiplicar os bons exemplos, comemora Milu
Vilella, presidente do Comitê Brasileiro para o Ano
Internacional do Voluntário. Pelo menos metade dos
adultos do país faz doações em dinheiro
ou bens para instituições. Se contados aqueles
que contribuem diretamente a pessoas, a participação
aumenta. Mais de 70 milhões de brasileiros doam
algo para alguma entidade ou para alguém, revela
o livro Doações e Trabalho Voluntário
no Brasil, elaborado a partir de um estudo das pesquisadoras
Leilah Landim e Maria Celi Scalon.
No entanto, o volume de brasileiros que literalmente põe
a mão na massa cresce devagar. Em 1995, 54% dos jovens
queriam ser voluntários, mas apenas 6% eram. Passados
seis anos, esse contingente aumentou apenas um ponto percentual,
para 7%. Nos Estados Unidos, a participação
da juventude vai a 62%. Mesmo assim, só no website
www.voluntarios.com.br, há uma fila de 16 mil pessoas
interessadas em colocar seu espírito voluntário
em prática. Um em cada cinco brasileiros adultos
participa de iniciativas sociais. Essa proporção
coloca o Brasil em quinto lugar no ranking mundial do voluntariado,
calcula a jornalista Camila Gino Almeida, na monografia Jornalismo,
Educação e Trabalho Voluntário,
defendida este ano na pós-graduação de
Comunicação Social da Universidade Federal do
Paraná.
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| As atividades sociais de Maria da Conceição,
como a que ela realiza no Hospital Erasto Gaertner, serviram
de exemplo para a família. Todos trabalham como
voluntários |
Exemplo de família - A própria história
de Camila mostra o quanto a solidariedade é contagiante.
Tudo começou com os bisavós da jornalista. Ligados
à Igreja Católica, eles iam a asilos e levavam
alimentos para famílias carentes. Aos 48 anos, a mãe
de Camila, Maria da Conceição ou Tatá,
como é conhecida participa da Liga Feminina
de Combate ao Câncer. Duas vezes por semana, veste seu
avental cor-de-rosa e vai à luta com outras 200 voluntárias
para dedicar um pouquinho de seu tempo aos doentes do Hospital
Erasto Gaertner, de Curitiba.
Referência no tratamento contra o câncer, o hospital
carrega histórias de sofrimento e dor que são
amenizadas com o toque carinhoso das voluntárias. É
um trabalho que dignifica. É um trabalho de amor,
emociona-se Alberto Joaquim Koslowski, 37 anos, internado
há um ano. Eu converso com eles. Alguns só
querem segurar a minha mão, descreve Tatá.
Nós chegamos aqui deprimidas, mas elas são
como anjos, conta a paciente Cezina Vaz Stingelin, de
51 anos.
O marido de Tatá, o engenheiro Manoel Messias Almeida,
trabalhou com escoteiros. Também foi dessa forma que
os filhos começaram no voluntariado. Havia a
Atividade de Amar, que era o dia de fazer alguma
ação social, como visitar asilos e creches,
recorda Camila, A semente ficou dentro de mim. Hoje
é impossível viver sem fazer algo pelos outros,
reconhece a jornalista. Até pouco tempo atrás,
ela e a irmã Marcela davam aulas de alfabetização
para adultos. Os outros irmãos também são
voluntários. Gabriel, 21 anos, quer trabalhar em organizações
não-governamentais ligadas ao meio ambiente. Felipe,
de 19 anos, gostaria de trabalhar com ginástica para
a Terceira Idade. Somos felizes. Não fazemos
por eles. Eles é que fazem por nós, acredita
Tatá.
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