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  Edição 172 - Novembro de 2001  

    Matéria de Capa
    Especial 1
    Entrevista
    Especial 2



 
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Paulo César Teixeira


O brasileiro é apaixonado por carros. O slogan publicitário bate fundo no caráter de um povo que gerou e idolatrou campeões da velocidade como Ayrton Senna. Só não somos originais em nossa paixão. O automóvel foi a invenção do século passado que marcou mais profundamente a vida das pessoas em todo o planeta. Nenhuma outra impulsionou tão decisivamente o motor da economia, gerando emprego e riquezas, nem influiu tanto na organização e na rotina das cidades. Não há objeto de consumo mais desejado, símbolo de prestígio social e de individualidade.

Contudo, ao final do século 20, o automóvel passou de herói a vilão. A onda iniciou na Europa, nos anos 80, e na década seguinte espalhou-se pelos continentes.O combustível para a ampliação do movimento é o sentimento de impotência que alcança o cidadão, todos os dias, quando se depara com um beco sem saída a cada esquina, no horário de pico, em qualquer metrópole. Em cidades como Bangcoc, na Tailândia, a velocidade média do tráfego é de 10 quilômetros por hora – nesse caso, vale mais a pena andar a pé. Posto no banco dos réus, o automóvel passou a ser visto como principal fonte de graves seqüelas da vida moderna, como perda de tempo no trânsito, excesso de barulho e poluição.

A tendência mundial é de impor restrições à circulação do automóvel nas áreas centrais das grandes cidades

O resultado prático é o aumento de restrições ao usuário do carro. “Cedo ou tarde, para desgosto de todos nós, serão tomadas medidas duras e antipáticas que vão impor sacrifícios, mudança de hábitos e custo financeiro no bolso de cada motorista”, prevê o jornalista Jorge Okubaro, autor de O Automóvel, um Condenado?, publicado em julho pela Editora Senac, de São Paulo.

O vilão enfrenta um rosário de queixas. Uma hora de congestionamento causa um prejuízo de US$ 11 por passageiro, segundo o Prêmio Nobel de Economia, Gary S. Becker, citado por Okubaro em seu livro. O cálculo considera só o tempo perdido e o combustível desperdiçado. O dinheiro que derrete no asfalto chegaria a US$ 75 bilhões por ano, nos Estados Unidos. Em toda a Europa, o custo seria de US$ 100 bilhões anuais. Um estudo do metrô paulistano dimensionou o rombo do congestionamento em US$ 6 bilhões por ano, na cidade, levando em conta que pelo menos um terço do tempo gasto poderia converter-se em renda.

É pouco? A lista de atrocidades atribuídas à inocente máquina que guardamos com tanto carinho na garagem é extensa. Dados da Associação Nacional de Transporte Público constatam que, nas principais capitais do país, cerca de 70% da população usa o transporte coletivo, mas o automóvel ocupa de 70% – caso de Porto Alegre – a 90% – em São Paulo – do espaço das vias que compartilha com corredores ou faixas exclusivas de ônibus. Na capital paulista, a se levar em conta a totalidade do sistema viário, o percentual é 99,87%, sobrando 0,13% para coletivos.

 
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