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Paulo César
Teixeira
O brasileiro é apaixonado por carros. O slogan
publicitário bate fundo no caráter de um povo
que gerou e idolatrou campeões da velocidade como
Ayrton Senna. Só não somos originais em nossa
paixão. O automóvel foi a invenção
do século passado que marcou mais profundamente a
vida das pessoas em todo o planeta. Nenhuma outra impulsionou
tão decisivamente o motor da economia, gerando emprego
e riquezas, nem influiu tanto na organização
e na rotina das cidades. Não há objeto de
consumo mais desejado, símbolo de prestígio
social e de individualidade.
Contudo, ao final do século 20,
o automóvel passou de herói a vilão.
A onda iniciou na Europa, nos anos 80, e na década
seguinte espalhou-se pelos continentes.O combustível
para a ampliação do movimento é o sentimento
de impotência que alcança o cidadão,
todos os dias, quando se depara com um beco sem saída
a cada esquina, no horário de pico, em qualquer metrópole.
Em cidades como Bangcoc, na Tailândia, a velocidade
média do tráfego é de 10 quilômetros
por hora nesse caso, vale mais a pena andar a pé.
Posto no banco dos réus, o automóvel passou
a ser visto como principal fonte de graves seqüelas
da vida moderna, como perda de tempo no trânsito,
excesso de barulho e poluição.
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A tendência
mundial é de impor restrições
à circulação do automóvel
nas áreas centrais das grandes cidades
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O resultado prático é o
aumento de restrições ao usuário do
carro. Cedo ou tarde, para desgosto de todos nós,
serão tomadas medidas duras e antipáticas
que vão impor sacrifícios, mudança
de hábitos e custo financeiro no bolso de cada motorista,
prevê o jornalista Jorge Okubaro, autor de O Automóvel,
um Condenado?, publicado em julho pela Editora Senac, de
São Paulo.
O vilão enfrenta um rosário de queixas. Uma
hora de congestionamento causa um prejuízo de US$
11 por passageiro, segundo o Prêmio Nobel de Economia,
Gary S. Becker, citado por Okubaro em seu livro. O cálculo
considera só o tempo perdido e o combustível
desperdiçado. O dinheiro que derrete no asfalto chegaria
a US$ 75 bilhões por ano, nos Estados Unidos. Em
toda a Europa, o custo seria de US$ 100 bilhões anuais.
Um estudo do metrô paulistano dimensionou o rombo
do congestionamento em US$ 6 bilhões por ano, na
cidade, levando em conta que pelo menos um terço
do tempo gasto poderia converter-se em renda.
É pouco? A lista de atrocidades atribuídas
à inocente máquina que guardamos com tanto
carinho na garagem é extensa. Dados da Associação
Nacional de Transporte Público constatam que, nas
principais capitais do país, cerca de 70% da população
usa o transporte coletivo, mas o automóvel ocupa
de 70% caso de Porto Alegre a 90% em
São Paulo do espaço das vias que compartilha
com corredores ou faixas exclusivas de ônibus. Na
capital paulista, a se levar em conta a totalidade do sistema
viário, o percentual é 99,87%, sobrando 0,13%
para coletivos.
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