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  Edição 172 - Novembro de 2001  

    Matéria de Capa
    Especial 1
    Entrevista
    Especial 2



 
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Florianópolis supera Joinville em poder de compra.
Canoas bate Pelotas. E Porto Alegre se fortalece,
mas não alcança Curitiba.

Há boas surpresas no ranking dos municípios com maior potencial de consumo na Região Sul. A novidade de maior impacto é a afirmação de Florianópolis como o maior centro de consumo de Santa Catarina. Que novidade, você pode pensar – na suposição de que, em qualquer Estado, a capital é sempre a cidade mais rica. Ocorre que Santa Catarina era uma exceção no país. Ali, a supremacia sempre esteve com Joinville. Este foi o ano da virada. E o mais surpreendente é a circunstância em que Florianópolis passou à frente.

A ascensão de Florianópolis se deveu à correção de uma, digamos, barbeiragem estatística cometida pelo Censo de 1996 do IBGE. A estimativa anterior da população, de 271 mil habitantes em 1996, foi revista este ano para quase 332 mil. “Com a correção da população, a tendência é haver um aumento da participação
do município no montante do consumo nacional”, afirma Marcos Pazzini, diretor da Target, empresa responsável pela pesquisa. Pazzini apurou um aumento de 0,11 ponto no percentual da capital catarinense em relação ao do ano passado, e com isso a sua fatia no consumo nacional pulou de 0,36% para 0,47%.

A correção nos dados do IBGE explica apenas parte desse salto. O fato é que Florianópolis tem aproveitado sua vocação turística para alavancar o setor de comércio e serviços. “o setor hoteleiro tem crescido 10% ao ano, nos últimos dez anos”, festeja Volnei Koch, presidente da Associação Brasileira de Hotéis em Santa Catarina. A ocupação dos hotéis se reflete vigorosamente no movimento do comércio e dos serviços na cidade de Guga Kuerten – apontado por Koch como
o grande responsável pelo marketing da ilha.

A construção do Centro de Convenções de Florianópolis, junto à entrada da cidade, também está mudando a dimensão do turismo na região. Com o empreendimento, que custou R$ 11,5 milhões, a ocupação dos hotéis pulou de quase zero na baixa temporada para 35%. Somente o evento de tecnologia Futurecom, tradicionalmente realizado em Curitiba, deixou cerca de R$ 6 milhões em Florianópolis. “As pessoas que atendem os turistas se profissionalizaram. Além disso, a cidade é linda, o trânsito é mais tranqüilo e há uma vida noturna intensa”, exulta a gerente-geral do Centro de Convenções, Cristiane Reitz.

A qualidade de vida não atrai somente turistas, mas também novos e endinheirados moradores, como registrou AMANHÃ de outubro. A imigração, segundo a prefeita Ângela Amin, não é apenas de pessoas de classe média em busca de qualidade de vida. “Há empresários que se mudam com a família para Florianópolis e se mantêm trabalhando em São Paulo.”
O Centro de Convenções de Florianópolis é um dos motores do turismo de eventos

Reversão
– O ranking dos municípios apontou, este ano, uma nova tendência, segundo Pazzini. Se no ano passado as maiores taxas de crescimento foram registradas por municípios pequenos,
em 2001 quem evoluiu foram as capitais.
De cada US$ 100 gastos no Brasil,
a cidade do Rio de Janeiro leva
US$ 6,26, ante US$ 5,92 em 2000.
A participação de BeloHorizonte subiu
de US$ 1,96 para US$ 2,09, e a
de Curitiba,de US$ 1,94 para US$ 2,01. Com poucas exceções, as outrascapitais seguiram o mesmo caminho. Entre elas, Porto Alegre mostrou um novo vigor. A participação da capital gaúcha no consumo nacional evoluiu, em um ano, de 1,78% para 1,90%. Ainda assim, não conseguiu alcançar Curitiba (2,01%).

Entre as cidades do interior, a virada mais expressiva aconteceu no Rio Grande do Sul. A cidade de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, assumiu o terceiro lugar no ranking de potencial de consumo das dez maiores cidades do Rio Grande do Sul, desbancando Pelotas. O índice de Canoas não aumentou. Pelotas
é que caiu. Sua participação no consumo nacional encolheu de 0,25 para 0,24. Queda pequena, mas que reflete uma tendência de estagnação em curso desde 1999.

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