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  Edição 172 - Novembro de 2001  

    Matéria de Capa
    Especial 1
    Entrevista
    Especial 2



 
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Se há uma conclusão que se pode extrair depois de seis anos de elaboração do Ranking dos Estados, é esta: à exceção de São Paulo, que reina absoluto, e Santa Catarina, encastelado na sexta posição a milhas de distância tanto do quinto quanto do sétimo colocados, ninguém mais tem posição garantida. Desde que AMANHÃ e a Simonsen Associados divulgaram o ranking pela primeira vez, em 1996, o que se assistiu foi um troca-troca constante de posições. Que o diga Minas Gerais, que começou no terceiro lugar e caminhou lenta e gradualmente rumo à vice-liderança. Ou Paraná e Rio Grande do Sul, protagonistas da briga mais parelha do ranking (leia texto a seguir). Ou ainda o Distrito Federal, que iniciou numa tranqüila sétima posição e, desde então, afundou ano após ano, até um discreto 11º lugar.

Bom para Pernambuco, que desde 1996 esperava no primeiro lugar da fila e conseguiu, finalmente, figurar entre os dez mais. É bem verdade que a ultrapassagem se deu mais por culpa da freada súbita do Distrito Federal, cuja pontuação caiu 10% no ranking de competividade, do que por mérito pernambucano. “O Distrito Federal ainda é muito dependente do setor público. E o setor público tem tido dificuldade para investir nos últimos anos”, observa Antônio Cordeiro, sócio- diretor da Simonsen Associados e responsável técnico pelo levantamento.

Ou seja, começa a pesar na balança o esforço empreendido pelo governo federal para controlar despesas e acertar as suas contas. O longo congelamento de salários do funcionalismo apresenta, enfim, sua conta. Nos cálculos do economista Júlio Miragai, um dos principais analistas da economia do Distrito Federal, os gastos públicos representam 58% da massa de investimentos no Estado. Ele lembra ainda que, desde 1992, o setor público não gera mais empregos. “Brasília vive uma crise de identidade. Foi projetada para ter 500 mil habitantes e desempenhar funções políticas. Mas virou uma metrópole com população de 2 milhões”, explica Miragai.

A solução seria um aumento nos investimentos na indústria brasiliense, hoje praticamente inexistente. Basta olhar as exportações do Estado no ano passado para perceber que a produção por lá é modestíssima. Todos os embarques ao exterior não passaram de US$ 1,6 milhão.

Felizmente, para a economia brasiliense, ainda há algumas gorduras para queimar. O Estado continua líder em alguns quesitos importantes, como PIB per capita e potencial de consumo por habitante. Afinal, o padrão salarial dos funcionários públicos que moram em Brasília, mesmo que estacionado, é alto.
Problemas de Brasília à parte, é claro que o ingresso de Pernambuco no grupo de elite não é obra do acaso. Afetado pela crise no setor sucro-alcooleiro ao longo dos anos 90, o Estado vem, aos poucos, recuperando o vigor graças à diversificação econômica. “De dois anos para cá, Pernambuco vem crescendo acima da média do Nordeste”, atesta Herôdoto Moreira, ex-economista da Sudene e um atento observador da região. Uma das áreas que mais têm recebido investimentos é a de logística.

O Estado tem posição estratégica dentro do Nordeste, o que está levando muitas empresas a instalar centros de distribuição para toda a região. Para completar, foi inaugurado, há dois anos, o Porto de Suape, um dos mais modernos do país. “Se você traçar um compasso num raio de 300 quilômetros em volta de Recife, você terá um mercado fabuloso”, sustenta o economista Guerino Edécio da Silva, professor da Universidade de Fortaleza.
Os mais competitivos:
Os números indicam o quanto, percentualmente, cada Estado ultrapassa ou fica aquém da média brasileira. Considera-se a média dos 27 Estados igual a 100%.
SP
182,2
MG
163,6
RJ
162,6
PR
157,4
RS
157,3
SC
150,0
BA
131,7
ES
130,9
GO
124,0
PE
114,0
DF
110,6
PA
107,1
MT
104,9
MS
102,9
CE
92,5
Fonte: Simonsen Associados, com base em indicadores de riqueza e infra-estrutura

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