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  Edição 171 - Outubro de 2001  

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Ponto de partida – Recomeçar a vida ali não é de todo fácil. “O mercado de trabalho é cinco vezes menor do que o de Porto Alegre. Mesmo assim, não tenho dúvidas quanto à decisão de mudar para cá. Eu trabalho de forma autônoma. Mas, se a pessoa vem com a idéia de montar um negócio ou procurar emprego, vai apanhar bastante”, acredita Ferretti.
Paulo Markun concorda. Tanto que ele continua indo a São Paulo toda segunda-feira para gravar o Programa Roda Viva e volta correndo no primeiro vôo do dia seguinte. “Em certas áreas, e a comunicação é uma delas, é difícil trabalhar aqui. O mercado é muito restrito, mas ao mesmo tempo oferece perspectivas de fazer coisas novas. É uma questão de encontrar o caminho. Tenho uma atividade em São Paulo e montei uma empresa de comunicação aqui. Eu me estruturei de tal forma que não estou atrelado ao mercado catarinense”, afirma.
Nem sempre, entretanto, a escolha profissional permite essa independência. Por isso, uma das apostas de quem chega à ilha, diante da falta de oportunidades de trabalho, é montar um negócio próprio. Preferencialmente, nos setores de turismo, serviços e entretenimento. “Há uma carência grande na ilha. Não é que faltem empresas, o problema é o serviço prestado”, relata Ricardo May sobre seu principal desconforto desde que se mudou. Ele acredita que é fácil se destacar num mercado assim. “Podem ter outras dez empresas iguais, mas se você oferecer um atendimento diferenciado, ganha o cliente”, diz.

Cansado de trabalhar com windsurf entre arranha-céus, Adrien Caradec abriu um negócio de frente pra lagoa

Foi pensando nisso – e na vontade crescente de viver em Florianópolis – que Adrien Caradec deixou três lojas de equipamentos para vela nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro para montar um centro de esportes, como ele próprio define, de frente para uma das paisagens mais conhecidas: a Lagoa da Conceição. A Openwinds é mais do que uma loja de equipamentos: abriga bar, escola de windsurf, paredão para escalada, além de disponibilizar um espaço para guardar as pranchas e velas dos praticantes. Segundo ele, foram esses diferenciais que fizeram com que o negócio prosperasse. “Somente na Lagoa, tenho dois concorrentes. E existe ainda uma oscilação muito grande. Enquanto no verão a demanda é tanta, que chega a ser difícil atender bem a todos, no inverno as coisas ficam feias. Só com criatividade para sobreviver.”

Rogério Estrázulas mudou de cidade e de ramo. "Tenho vários concorrentes mas estou impressionado com os resultados"

Diferente percurso fez um paulista que morava no interior do Rio Grande do Sul. Ao mudar de cidade, Rogério Estrázulas mudou também de vida e de ramo. Não foi atraído pelas praias, mas pelas op ortunidades de negócios. Deixou para trás anos de experiência nas fazendas da família para abrir uma franquia da World Study, uma agência de intercâmbio, na capital catarinense. “A cidade tinha todos os aspectos que eu julgava importantes: quali dade de vida, baixo índice de criminalidade, povo extremamente hospitaleiro e um mercado com muito o que crescer”, analisa. “Tenho cinco concorrentes, mas estou impressionado com os resultados. Em seis meses, vou começar a ter o lucro que esperava para daqui a um ano e meio”, comemora.

Mas bom mesmo é mudar para Florianópolis sem tanta preocupação com o futuro, como no caso do empresário Nei Baseggio. Induzido pelo filho surfista e pela esposa Joana, Nei colocou um ponto final na vida que tinha em Porto Alegre e se mudou, literalmente, de mala e cuia. Vendeu a casa e uma indústria de confecções e comprou um apartamento no centro de Florianópolis, com uma vista que, de tão privilegiada, mais parece um cartão postal. “Esta é uma capital com vida de cidade do interior. Na rua, os carros não buzinam. Eu estava muito estressado e sinto que agora chegou a hora de viver a vida. Mas não pretendo parar de trabalhar”, revela. Não que fosse necessário. Nei e Joana tem aposentadorias que permitiriam uma vida tranquila. Ainda assim, ele pretende montar uma assessoria imobiliária em sociedade com o filho. “É um negócio para ele”, desconversa.

 
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