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Ponto de partida Recomeçar a vida ali não
é de todo fácil. O mercado de trabalho
é cinco vezes menor do que o de Porto Alegre. Mesmo
assim, não tenho dúvidas quanto à decisão
de mudar para cá. Eu trabalho de forma autônoma.
Mas, se a pessoa vem com a idéia de montar um negócio
ou procurar emprego, vai apanhar bastante, acredita
Ferretti.
Paulo Markun concorda. Tanto que ele continua indo a São
Paulo toda segunda-feira para gravar o Programa Roda Viva
e volta correndo no primeiro vôo do dia seguinte. Em
certas áreas, e a comunicação é
uma delas, é difícil trabalhar aqui. O mercado
é muito restrito, mas ao mesmo tempo oferece perspectivas
de fazer coisas novas. É uma questão de encontrar
o caminho. Tenho uma atividade em São Paulo e montei
uma empresa de comunicação aqui. Eu me estruturei
de tal forma que não estou atrelado ao mercado catarinense,
afirma.
Nem sempre, entretanto, a escolha profissional permite essa
independência. Por isso, uma das apostas de quem chega
à ilha, diante da falta de oportunidades de trabalho,
é montar um negócio próprio. Preferencialmente,
nos setores de turismo, serviços e entretenimento.
Há uma carência grande na ilha. Não
é que faltem empresas, o problema é o serviço
prestado, relata Ricardo May sobre seu principal desconforto
desde que se mudou. Ele acredita que é fácil
se destacar num mercado assim. Podem ter outras dez
empresas iguais, mas se você oferecer um atendimento
diferenciado, ganha o cliente, diz.
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| Cansado
de trabalhar com windsurf entre arranha-céus, Adrien
Caradec abriu um negócio de frente pra lagoa |
Foi pensando nisso e na vontade crescente de viver
em Florianópolis que Adrien Caradec deixou três
lojas de equipamentos para vela nos Estados de São
Paulo e do Rio de Janeiro para montar um centro de esportes,
como ele próprio define, de frente para uma das paisagens
mais conhecidas: a Lagoa da Conceição. A Openwinds
é mais do que uma loja de equipamentos: abriga bar,
escola de windsurf, paredão para escalada, além
de disponibilizar um espaço para guardar as pranchas
e velas dos praticantes. Segundo ele, foram esses diferenciais
que fizeram com que o negócio prosperasse. Somente
na Lagoa, tenho dois concorrentes. E existe ainda uma oscilação
muito grande. Enquanto no verão a demanda é
tanta, que chega a ser difícil atender bem a todos,
no inverno as coisas ficam feias. Só com criatividade
para sobreviver.
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| Rogério
Estrázulas mudou de cidade e de ramo. "Tenho
vários concorrentes mas estou impressionado com
os resultados" |
Diferente percurso fez um paulista que morava no interior
do Rio Grande do Sul. Ao mudar de cidade, Rogério Estrázulas
mudou também de vida e de ramo. Não foi atraído
pelas praias, mas pelas op ortunidades de negócios.
Deixou para trás anos de experiência nas fazendas
da família para abrir uma franquia da World Study,
uma agência de intercâmbio, na capital catarinense.
A cidade tinha todos os aspectos que eu julgava importantes:
quali dade de vida, baixo índice de criminalidade,
povo extremamente hospitaleiro e um mercado com muito o que
crescer, analisa. Tenho cinco concorrentes, mas
estou impressionado com os resultados. Em seis meses, vou
começar a ter o lucro que esperava para daqui a um
ano e meio, comemora.
Mas bom mesmo é mudar para Florianópolis sem
tanta preocupação com o futuro, como no caso
do empresário Nei Baseggio. Induzido pelo filho surfista
e pela esposa Joana, Nei colocou um ponto final na vida que
tinha em Porto Alegre e se mudou, literalmente, de mala e
cuia. Vendeu a casa e uma indústria de confecções
e comprou um apartamento no centro de Florianópolis,
com uma vista que, de tão privilegiada, mais parece
um cartão postal. Esta é uma capital com
vida de cidade do interior. Na rua, os carros não buzinam.
Eu estava muito estressado e sinto que agora chegou a hora
de viver a vida. Mas não pretendo parar de trabalhar,
revela. Não que fosse necessário. Nei e Joana
tem aposentadorias que permitiriam uma vida tranquila. Ainda
assim, ele pretende montar uma assessoria imobiliária
em sociedade com o filho. É um negócio
para ele, desconversa.
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