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  Edição 171 - Outubro de 2001  

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Consuelo Bassanesi

A capital de Santa Catarina está prester a ganhar o título de “meca” nacional. Com índices de violência inferiores aos das demais capitais, trânsito fluído em dez dos 12 meses do ano e praias paradisíacas a no máximo 25 minutos de carro de qualquer ponto da ilha, Florianópolis se encaixa perfeitamente nos sonhos de uma classe média que não quer mais se submeter ao cinza das grandes cidades, ao constante medo e ao estresse que abala, senão a saúde, o humor.

A migração é evidente. No condomínio no qual o publicitário gaúcho Edgar Ferretti vive com a família, há quase dois anos, as casas são ocupadas por pessoas vindas da Argentina, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Sequer um catarinense nas sete casas. Ricardo May, assessor de comunicação da Infraero, calcula que 70% das pessoas com quem conversou desde que se mudou do Rio Grande do Sul para a capital de Santa Catarina, há 40 dias, são de outros Estados. “Hoje pela manhã, participei de uma reunião de trabalho. Dos seis presentes, apenas dois eram daqui”, ilustra. O empresário paulista Adrien Caradec conta que nem teve tempo de sentir saudades. “A Lagoa é como um bairro de São Paulo, de tantos paulistas que atraiu. É impressionante o movimento de migração. Nesses quatro anos em que vivo aqui, só vejo aumentar a quantidade de “estrangeiros”, brinca.

Alguns dados reforçam a percepção geral. A empresa Mudanças Giulian, com sede em Porto Alegre e filiais em Curitiba e São Paulo, faz em média 250 mudanças interestaduais todo mês. Cerca de 60 delas têm como destino Florianópolis. “Não seria muito dizer que esse número cresceu 40% nos últimos três anos”, contabiliza a gerente Sônia Medeiros. A procura por imóveis na capital catarinense também aumentou bastante nos últimos tempos. “Não temos estatísticas, mas quando a demanda aumenta, o preço sobe proporcionalmente. E, de 1999 para cá, o valor dos imóveis e terrenos procurados por esses novos habitantes da ilha cresceu cerca de 40% ao ano”, aponta José Henrique Carneiro, presidente do Secovi de Florianópolis.

A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) tem outros indícios da migração: o número de consumidores de energia cresceu de 131 mil para 162 mil de 1997 para cá. Somente de agosto de 2000 a agosto deste ano, foram mais de 8 mil novas ligações. Em tempo: entre 1991 e 1999, o crescimento médio da população de Florianópolis foi de 1,3% ao ano. “Agora está quase em 5%”, diz Paulo Markun, apresentador da tevê Cultura que trocou São Paulo por Florianópolis há três anos. Ele dá ainda outra pista: “Na escola dos meus filhos, pelo menos 30% dos alunos são de outros Estados”.

A verticalização de Florianópolis é comparável à de São Paulo: quase 5 mil prédios para 300 mil habitantes.

A correria rumo a Florianópolis tem suas razões. A cidade não é o paraíso, mas, segundo dados da Simonsen Associados, o consumo anual per capita é de US$ 5 mil, ante US$ 4,3 mil de São Paulo e a média de US$ 2,4 mil do Brasil. A cada mil habitantes – são 300 mil no total – , 47 estão na pré-escola. Outros 217 estão cursando o ensino fundamental e 77 se encontram no ensino médio. Em Porto Alegre, por exemplo, os números são bastante inferiores: 18 na pré-escola, 169 no ensino fundamental e 46 no ensino médio.

A ilha é, também, a cidade brasileira que mais enriqueceu nas últimas três décadas – seu PIB per capita cresceu, em média, 6% ao ano. Tamanho índice se explica pela base de comparação: há 30 anos, enquanto as capitais do Sul e do Sudeste do Brasil tinham uma infra-estrutura básica e uma indústria em vias de consolidação, a de Santa Catarina era quase uma reserva ecológica. A ilha demorou, mas descobriu sua vocação: das cerca de 14 mil empresas, 55% são de serviços, 35% de comércio e apenas 9% são indústrias – percentuais bem semelhantes aos do Rio de Janeiro, exemplo de capital com base econômica ancorada nas belezas naturais.

 
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