|
A capital de Santa Catarina está prester a ganhar
o título de meca nacional. Com índices
de violência inferiores aos das demais capitais, trânsito
fluído em dez dos 12 meses do ano e praias paradisíacas
a no máximo 25 minutos de carro de qualquer ponto da
ilha, Florianópolis se encaixa perfeitamente nos sonhos
de uma classe média que não quer mais se submeter
ao cinza das grandes cidades, ao constante medo e ao estresse
que abala, senão a saúde, o humor.
A migração é evidente. No condomínio
no qual o publicitário gaúcho Edgar Ferretti
vive com a família, há quase dois anos, as casas
são ocupadas por pessoas vindas da Argentina, do Rio
Grande do Sul e de São Paulo. Sequer um catarinense
nas sete casas. Ricardo May, assessor de comunicação
da Infraero, calcula que 70% das pessoas com quem conversou
desde que se mudou do Rio Grande do Sul para a capital de
Santa Catarina, há 40 dias, são de outros Estados.
Hoje pela manhã, participei de uma reunião
de trabalho. Dos seis presentes, apenas dois eram daqui,
ilustra. O empresário paulista Adrien Caradec conta
que nem teve tempo de sentir saudades. A Lagoa é
como um bairro de São Paulo, de tantos paulistas que
atraiu. É impressionante o movimento de migração.
Nesses quatro anos em que vivo aqui, só vejo aumentar
a quantidade de estrangeiros, brinca.
Alguns dados reforçam a percepção geral.
A empresa Mudanças Giulian, com sede em Porto Alegre
e filiais em Curitiba e São Paulo, faz em média
250 mudanças interestaduais todo mês. Cerca de
60 delas têm como destino Florianópolis. Não
seria muito dizer que esse número cresceu 40% nos últimos
três anos, contabiliza a gerente Sônia Medeiros.
A procura por imóveis na capital catarinense também
aumentou bastante nos últimos tempos. Não
temos estatísticas, mas quando a demanda aumenta, o
preço sobe proporcionalmente. E, de 1999 para cá,
o valor dos imóveis e terrenos procurados por esses
novos habitantes da ilha cresceu cerca de 40% ao ano,
aponta José Henrique Carneiro, presidente do Secovi
de Florianópolis.
A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) tem
outros indícios da migração: o número
de consumidores de energia cresceu de 131 mil para 162 mil
de 1997 para cá. Somente de agosto de 2000 a agosto
deste ano, foram mais de 8 mil novas ligações.
Em tempo: entre 1991 e 1999, o crescimento médio da
população de Florianópolis foi de 1,3%
ao ano. Agora está quase em 5%, diz Paulo
Markun, apresentador da tevê Cultura que trocou São
Paulo por Florianópolis há três anos.
Ele dá ainda outra pista: Na escola dos meus
filhos, pelo menos 30% dos alunos são de outros Estados.
 |
| A verticalização
de Florianópolis é comparável à
de São Paulo: quase 5 mil prédios para 300
mil habitantes. |
A correria rumo a Florianópolis tem suas razões.
A cidade não é o paraíso, mas, segundo
dados da Simonsen Associados, o consumo anual per capita é
de US$ 5 mil, ante US$ 4,3 mil de São Paulo e a média
de US$ 2,4 mil do Brasil. A cada mil habitantes são
300 mil no total , 47 estão na pré-escola.
Outros 217 estão cursando o ensino fundamental e 77
se encontram no ensino médio. Em Porto Alegre, por
exemplo, os números são bastante inferiores:
18 na pré-escola, 169 no ensino fundamental e 46 no
ensino médio.
A ilha é, também, a cidade brasileira que mais
enriqueceu nas últimas três décadas
seu PIB per capita cresceu, em média, 6% ao ano. Tamanho
índice se explica pela base de comparação:
há 30 anos, enquanto as capitais do Sul e do Sudeste
do Brasil tinham uma infra-estrutura básica e uma indústria
em vias de consolidação, a de Santa Catarina
era quase uma reserva ecológica. A ilha demorou, mas
descobriu sua vocação: das cerca de 14 mil empresas,
55% são de serviços, 35% de comércio
e apenas 9% são indústrias percentuais
bem semelhantes aos do Rio de Janeiro, exemplo de capital
com base econômica ancorada nas belezas naturais.
|