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Medo, receio, insegurança, angústia, incerteza,
pessimismo... Passados mais de 30 dias desde o maior atentado
terrorista da história, continua impossível
escapar de termos essencialmente negativos ao acompanhar o
noticiário. E não é para menos. As imagens
espetaculares de dois boeings se espatifando contra o World
Trade Center e o posterior desmoronamento das torres do maior
símbolo do capitalismo seguem vivas na cabeça
de todo o mundo.
Para piorar, ainda não se sabe ao certo quão
duradoura e abrangente será a contra-ofensiva americana
e de seus aliados, nem se haverá outros ataques terroristas
nos Estados Unidos ou em qualquer outro canto do planeta
o temor agora é o bioterrorismo. Incerteza é
exatamente o nome que se dá para esse processo onde
não se trata de atribuir uma probabilidade para um
evento, mas de não saber que evento pode ocorrer,
observa o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.
Se existe uma área que esse cenário incerto
afeta é a economia. É impossível saber
o tamanho do estrago que a guerra vai causar no bolso da população
mundial. Mesmo assim, em linhas gerais, já é
possível retirar algumas conclusões:
A turbulência mundial inaugurada pelos atentados
vai agravar ainda mais uma situação de desaquecimento
econômico nos Estados Unidos.
A União Européia, cuja economia já
vinha cambaleando, e o Japão, que há anos amarga
desempenhos pífios no PIB, devem crescer ainda menos
do que se esperava neste ano. No caso nipônico, é
provável que haja decréscimo.
A Argentina, cada vez mais dependente de capital externo
e da boa vontade dos países desenvolvidos e dos organismos
internacionais, corre sérios riscos de quebrar de vez,
principalmente depois da derrota do governo nas eleições
legislativas.
O Brasil deve ter baixo crescimento econômico
neste ano e no próximo. Os juros se manterão
perto dos níveis atuais, e o real dificilmente vai
apresentar uma valorização significativa diante
do dólar.
Cientes de que os próximos meses serão de aperto,
as empresas brasileiras e do Sul do país vivem a sua
própria guerra, que ocorre a milhares de quilômetros
de distância do Afeganistão e não envolve
bombas, nem porta-aviões. Mas não deixa de ser
uma batalha diária para evitar que a turbulência
mundial faça os negócios ruírem. No fundo,
há a esperança de que o futuro não seja
tão negro quanto parece em alguns momentos e a idéia
de que há boas oportunidades para se agarrar e, quem
sabe, escapar da crise. A mais visível é a exportação,
favorecida pela forte desvalorização do real
em relação ao dólar ao longo deste ano.
Além disso, o governo sinaliza que finalmente vai dar
a devida atenção às vendas externas.
Pé no freio Muitas batalhas da outra
guerra, a das empresas, já vinham sendo travadas bem
antes dos atentados nos Estados Unidos. Desde que a crise
da energia e o desmoronamento argentino geraram uma enorme
inversão de expectativas na economia brasileira e catapultaram
a cotação do dólar diante do real, as
companhias vêm revendo investimentos e cortando custos.
Também já era possível sentir no Brasil
os efeitos da desaceleração econômica
mundial, especialmente dos EUA, com queda de investimentos
externos e de pedidos de exportação. Sob essa
ótica, os ataques terroristas foram a gota dágua.
Esses eventos apenas apressaram um período negativo
no ciclo econômico mundial, acredita o economista
Paulo Rabello de Castro, da RC Consultoria. A dúvida
é o tamanho dessa gota.
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