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A cena de Nova Iorque em chamas, justamente
quando o sr. está lançando um fundo
destinado a atrair investidores externos para
empresas brasileiras, não lhe deixou seriamente
preocupado?
Aqueles eventos foram chocantes e abalaram a todos
nós. Mas acho que a gente tende a exagerar
um pouco. É claro que foi brutal, foi um
evento histórico... No entanto, note bem,
a bolsa americana recomeça, a economia
não pára com esse choque, a marcha
dos capitais terá de continuar. Eu não
acredito que, a longo prazo, haja efeito mais
sério na economia mundial. Na política,
sim, é possível um impacto maior.
Muitos analistas prevêem uma elevação
da taxa de juros no mundo.
Não sei por quê. Não vejo
nenhuma razão para que os fundamentos sejam
alterados. Se você tivesse o grande risco,
então sim. Mas o único grande evento
capaz de mexer com toda a economia mundial, em
larga escala, seria algum incidente que viesse
a atingir a produção de petróleo
no Oriente Médio. E isso não está
em jogo. Se há alguém que entende
de petróleo no mundo é Bush e essa
turma que está no governo americano. É
claro que vai haver, e com toda a razão,
uma caça dos EUA às origens do terrorismo.
Mas não acho que algum país árabe
acobertará os terroristas, até porque
sabem muito bem que não podem hostilizar
os Estados Unidos. Assim, o risco do petróleo,
para mim, não está colocado.
| Por
algum tempo, vai ser CNN o dia inteiro...
a reação americana contra o
terror... Agora, não dá para
discutir Alca, por exemplo. Mas depois tudo
terá de voltar ao normal |
Mas há a questão do abalo na
confiança dos mercados.
Esse impacto existe, evidentemente. A questão
é medir o abalo psicológico do consumidor
americano. Isso é quase impossível
de se saber ainda. Antes dos atentados, o país
estava caminhando para uma possível recessão.
A curto prazo, vejo um efeito mais concreto na
indústria do turismo, que deve perder negócios
especialmente em razão da variável
psicológica. Nada, no entanto, que possa
abalar o setor. É bem possível uma
certa desvalorização do dólar
frente ao euro e ao iene, mas isso também
era algo previsível porque os Estados Unidos
estão com um déficit de conta corrente
que só é comparável ao do
Brasil. Em ambos, está na casa dos 4% do
PIB. Na visão de muita gente, um certo
enfraquecimento do dólar, hoje, poderia
até gerar um novo calor na economia americana,
com o estímulo às exportações.
O problema é que a economia mundial
já vinha em desaceleração...
De fato, no Brasil, a gente imaginava uma situação
muito favorável, com crescimento de 4%
a 4,5% e vamos acabar com uma coisa medíocre
da ordem de 2%. No mundo todo ocorre algo parecido.
A freada americana foi Maior do que muita gente
esperava. O Japão não consegue escapar.
A Europa tem um desempenho um pouco frustrante.
Mas nesse cenário há oportunidades.
E uma das coisas que a gente tem de fazer, especialmente
em fundos que vão captar recursos no exterior,
é saber explicar melhor o Brasil. É
preciso ter um trabalho permanente. Temos de fazer
um corpo a corpo com as agências de rating.
Não esqueçamos que países
como o Brasil têm ótimas oportunidades.
Porque não existem ou são
raríssimas as possibilidades de
um retorno de 20% ao ano, nos Estados Unidos.
É por isso que existem investimentos fora
dos EUA. Porque se o país tivesse todas
as possibilidades, aí os investidores nao
iam sair nunca de lá. O dinheiro é
preguiçoso.
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