Voltar para página inicial
Edição 169 - Agosto de 2001  

    Matéria de Capa
    Wired
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto


“Esse pessoal da Sociedade Marte está se enganando e enganando as pessoas. Pense no pior lugar da face da Terra. Pois é um jardim do éden perto de Marte”

Para alguns, os planos de Zubrin são futuristas demais. Para outros, é o trabalho de um excêntrico. “Francamente, não levará a nada”, desdenha o físico Robert Parks, diretor da Sociedade Física Americana e autor de Voodoo Science: The Bond from Foolishness to Fraud (Ciência Vodu: da Tolice à Fraude), livro que critica o esquema de Zubrin, classificando-o de simplista e impraticável. “Esse pessoal da Sociedade Marte está se enganando e enganando as pessoas. Pense no pior lugar da face da Terra. Pois é um jardim do éden perto de Marte.”

Um bom fanático – Mesmo assim, Zubrin tem seus fãs, alguns deles normalmente tidos como céticos. “Não penso que Zubrin seja um louco, e minha profissão é estudar loucos”, diz Michael Shermer, editor-chefe da revista Skeptic, que, em geral, apóia o plano da Sociedade Marte. “Ele é fanático, mas é preciso ser um pouco assim quando se está nesse negócio. A chave para a boa ciência é alcançar um equilíbrio entre mente aberta e autocrítica. E penso que Zubrin consegue exatamente isso.” É difícil não mergulhar na idéia romântica de pisar no Planeta Vermelho. A Sociedade Marte alimenta o espírito de aventura comum a pessoas de todas as idades, e sua maior contribuição foi justamente despertar a atenção do público para Marte.

Entretanto, Marte não é o cenário de um filme. É um lugar real, cheio de perigos, conhecidos e desconhecidos. Há boas razões para que a Nasa tenha lançado uma série de robôs para descobrir mais acerca do planeta antes de pensar em uma missão humana. Uma exploração mais cautelosa de Marte pode não parecer tão divertida quanto o plano de Zubrin, mas faz mais sentido, pois nos dará uma chance de proteger os humanos do ambiente hostil do planeta – e, talvez, o mais importante, de proteger Marte de nós.

Conhecido por Marte Direto, o plano de Zubrin se apóia na tecnologia atual (em termos) para nos levar a Marte dentro de uma década (mais ou menos) ao custo de US$ 30 milhões (aproximadamente). O “orçamento” é o que mais chama a atenção. A própria Nasa estima que uma missão humana a Marte sairá, no mínimo, US$ 450 bilhões. A Sociedade Marte duvida que o governo financiará um projeto assim tão cedo. Por isso, aqueles que apóiam uma missão humana ao planeta esperam o suporte financeiro da iniciativa privada, da própria mídia (em troca dos direitos de transmissão) e até mesmo de cidadãos comuns. “Milhões de pessoas consideram imprescindível a expansão espacial”, acrescenta Zubrin. “Se cada um doar US$ 100, teremos dezenas de bilhões de dólares.” Outros sugerem que a iniciativa privada deva prover os fundos necessários, levando em consideração que o Planeta Vermelho é um ótimo terreno de oportunidades de investimento.

Zubrin acredita piamente que chegaremos a Marte dentro de dez anos, embora ele já esteja afirmando isso desde 1996, quando publicou seu livro The Case for Mars (Marte como Causa). Algumas pessoas, como Robinson, perguntam por que a pressa. “Discordo dessa noção apocalíptica de que, se não o fizermos em dez anos, uma porta se fechará. Se a oportunidade se perder dentro de dez anos, é porque nossa civilização foi muito estúpida para merecê-la.”

 
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto

     • A largada para a corrida lunar

     
 
Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo