
Esse
pessoal da Sociedade Marte está se enganando e
enganando as pessoas. Pense no pior
lugar da face da Terra. Pois é um jardim
do éden perto de Marte |
Para alguns, os planos de Zubrin são futuristas demais.
Para outros, é o trabalho de um excêntrico. Francamente,
não levará a nada, desdenha o físico
Robert Parks, diretor da Sociedade Física Americana
e autor de Voodoo Science: The Bond from Foolishness to Fraud
(Ciência Vodu: da Tolice à Fraude), livro que
critica o esquema de Zubrin, classificando-o de simplista
e impraticável. Esse pessoal da Sociedade Marte
está se enganando e enganando as pessoas. Pense no
pior lugar da face da Terra. Pois é um jardim do éden
perto de Marte.
Um bom fanático Mesmo assim, Zubrin tem seus
fãs, alguns deles normalmente tidos como céticos.
Não penso que Zubrin seja um louco, e minha profissão
é estudar loucos, diz Michael Shermer, editor-chefe
da revista Skeptic, que, em geral, apóia o plano da
Sociedade Marte. Ele é fanático, mas é
preciso ser um pouco assim quando se está nesse negócio.
A chave para a boa ciência é alcançar
um equilíbrio entre mente aberta e autocrítica.
E penso que Zubrin consegue exatamente isso. É
difícil não mergulhar na idéia romântica
de pisar no Planeta Vermelho. A Sociedade Marte alimenta o
espírito de aventura comum a pessoas de todas as idades,
e sua maior contribuição foi justamente despertar
a atenção do público para Marte.
Entretanto, Marte não é o cenário de
um filme. É um lugar real, cheio de perigos, conhecidos
e desconhecidos. Há boas razões para que a Nasa
tenha lançado uma série de robôs para
descobrir mais acerca do planeta antes de pensar em uma missão
humana. Uma exploração mais cautelosa de Marte
pode não parecer tão divertida quanto o plano
de Zubrin, mas faz mais sentido, pois nos dará uma
chance de proteger os humanos do ambiente hostil do planeta
e, talvez, o mais importante, de proteger Marte de
nós.
Conhecido por Marte Direto, o plano de Zubrin se apóia
na tecnologia atual (em termos) para nos levar a Marte dentro
de uma década (mais ou menos) ao custo de US$ 30 milhões
(aproximadamente). O orçamento é
o que mais chama a atenção. A própria
Nasa estima que uma missão humana a Marte sairá,
no mínimo, US$ 450 bilhões. A Sociedade Marte
duvida que o governo financiará um projeto assim tão
cedo. Por isso, aqueles que apóiam uma missão
humana ao planeta esperam o suporte financeiro da iniciativa
privada, da própria mídia (em troca dos direitos
de transmissão) e até mesmo de cidadãos
comuns. Milhões de pessoas consideram imprescindível
a expansão espacial, acrescenta Zubrin. Se
cada um doar US$ 100, teremos dezenas de bilhões de
dólares. Outros sugerem que a iniciativa privada
deva prover os fundos necessários, levando em consideração
que o Planeta Vermelho é um ótimo terreno de
oportunidades de investimento.
Zubrin acredita piamente que chegaremos a Marte dentro de
dez anos, embora ele já esteja afirmando isso desde
1996, quando publicou seu livro The Case for Mars (Marte como
Causa). Algumas pessoas, como Robinson, perguntam por que
a pressa. Discordo dessa noção apocalíptica
de que, se não o fizermos em dez anos, uma porta se
fechará. Se a oportunidade se perder dentro de dez
anos, é porque nossa civilização foi
muito estúpida para merecê-la.
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