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Troca de identidade No governo, é fácil
perceber uma mudança de postura. A começar pela
Softex, que desde o início do ano passou a se chamar
Sociedade para Promoção da Excelência do
Software Brasileiro. Ou seja, o Exportação
caiu fora do nome. A idéia é exatamente fazer
um recuo tático e fortalecer a presença no país.
Kival Weber, ex-presidente e atual vice da Softex, explica:
A primeira parte, estruturar a indústria nacional,
nós já fizemos. Agora, o desafio é promover
a qualidade do produto brasileiro. Como? Incentivando
as empresas brasileiras a adotar os padrões mundiais
de qualidade na produção de software, conquistando
o cobiçado CMM (Capability Maturity Model), modelo de
desenvolvimento criado pelo norte-americano Instituto de Engenharia
de Software (SEI, na sigla em inglês).
Por sinal, a movimentação de companhias brasileiras
e indianas para se adaptar ao CMM foi o principal motivo que
levou ao alerta da Business Week. A reportagem foi publicada
em 1999, mas só agora as primeiras empresas brasileiras
serão enquadradas no modelo (o CMM não é
um certificado. A companhia é auditada e classificada
em um dos níveis do modelo de produção,
que vai do 1 ao 5). O software não é como
calçado, não basta olhar e pegar para ver se é
bom. Por isso, é tão importante usar esses padrões
internacionais para exportar programas, acredita José
Antonioni, superintendente da Softsul, núcleo gaúcho
da Softex. Telmo Costa, diretor da fabricante de softwares Meta,
é mais enfático: Daqui a pouco, quem não
tiver CMM vai encontrar muita dificuldade para vender para os
EUA, por exemplo.
Outro esforço do governo, tanto da Softex quanto do Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT), é convencer as gigantes
estrangeiras a instalar laboratórios de desenvolvimento
de software no Brasil (em hardware, isso já acontece
com mais freqüência, como mostra a reportagem Circuito
em integração nesta edição).
É uma atitude louvável, acredita Ronei
Ferigolo, diretor da gaúcha Processor. Hoje, a imensa
maioria apenas adapta os programas feitos lá fora para
vender aqui dentro. Mas é bom segurar o otimismo. Trata-se
de uma tarefa árdua para o pessoal de Brasília,
já que essas companhias em geral querem incentivos fiscais,
o que o governo não está autorizado a dar. Conforme
a legislação tributária, esse tipo de medida
só pode ser utilizado pelos Estados. Como resultado,
por enquanto o Brasil não vem tendo muito sucesso na
empreitada, como evidencia a cautela de Antenor Corrêa,
coordenador-geral de software do MCT: Conversamos com
várias empresas estrangeiras, e a recepção
tem sido razoavelmente positiva.
A medida que melhor representa a mudança na postura do
governo é a criação da Política
Nacional de Software, que não foi lançada oficialmente
(é provável que nem seja), mas, mesmo assim, já
vem sendo implementada. Com isso, o MCT quer mostrar mais claramente
que ações pretende tomar para fortalecer o produto
brasileiro. Algumas estão definidas, como atrair empresas
estrangeiras, incentivar a adoção de programas
de qualidade e criar uma residência para os
profissionais de informática recém-formados
exatamente como acontece no curso de Medicina. Também
existe a intenção de desenvolver o portal do software
brasileiro. |
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