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Edição 169 - Agosto de 2001  

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Troca de identidade – No governo, é fácil perceber uma mudança de postura. A começar pela Softex, que desde o início do ano passou a se chamar Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro. Ou seja, o “Exportação” caiu fora do nome. A idéia é exatamente fazer um recuo tático e fortalecer a presença no país. Kival Weber, ex-presidente e atual vice da Softex, explica: “A primeira parte, estruturar a indústria nacional, nós já fizemos. Agora, o desafio é promover a qualidade do produto brasileiro”. Como? Incentivando as empresas brasileiras a adotar os padrões mundiais de qualidade na produção de software, conquistando o cobiçado CMM (Capability Maturity Model), modelo de desenvolvimento criado pelo norte-americano Instituto de Engenharia de Software (SEI, na sigla em inglês).

Por sinal, a movimentação de companhias brasileiras e indianas para se adaptar ao CMM foi o principal motivo que levou ao alerta da Business Week. A reportagem foi publicada em 1999, mas só agora as primeiras empresas brasileiras serão enquadradas no modelo (o CMM não é um certificado. A companhia é auditada e classificada em um dos níveis do modelo de produção, que vai do 1 ao 5). “O software não é como calçado, não basta olhar e pegar para ver se é bom. Por isso, é tão importante usar esses padrões internacionais para exportar programas”, acredita José Antonioni, superintendente da Softsul, núcleo gaúcho da Softex. Telmo Costa, diretor da fabricante de softwares Meta, é mais enfático: “Daqui a pouco, quem não tiver CMM vai encontrar muita dificuldade para vender para os EUA, por exemplo”.

Outro esforço do governo, tanto da Softex quanto do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), é convencer as gigantes estrangeiras a instalar laboratórios de desenvolvimento de software no Brasil (em hardware, isso já acontece com mais freqüência, como mostra a reportagem “Circuito em integração” nesta edição). “É uma atitude louvável”, acredita Ronei Ferigolo, diretor da gaúcha Processor. Hoje, a imensa maioria apenas adapta os programas feitos lá fora para vender aqui dentro. Mas é bom segurar o otimismo. Trata-se de uma tarefa árdua para o pessoal de Brasília, já que essas companhias em geral querem incentivos fiscais, o que o governo não está autorizado a dar. Conforme a legislação tributária, esse tipo de medida só pode ser utilizado pelos Estados. Como resultado, por enquanto o Brasil não vem tendo muito sucesso na empreitada, como evidencia a cautela de Antenor Corrêa, coordenador-geral de software do MCT: “Conversamos com várias empresas estrangeiras, e a recepção tem sido razoavelmente positiva”.

A medida que melhor representa a mudança na postura do governo é a criação da Política Nacional de Software, que não foi lançada oficialmente (é provável que nem seja), mas, mesmo assim, já vem sendo implementada. Com isso, o MCT quer mostrar mais claramente que ações pretende tomar para fortalecer o produto brasileiro. Algumas estão definidas, como atrair empresas estrangeiras, incentivar a adoção de programas de qualidade e criar uma “residência” para os profissionais de informática recém-formados – exatamente como acontece no curso de Medicina. Também existe a intenção de desenvolver o portal do software brasileiro.
 
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