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No final de 1999, a Business Week deu o seguinte conselho
para as empresas norte-americanas de software: cuidem-se, ou
levarão uma rasteira dos fabricantes da Índia
e do Brasil e perderão o posto de líderes mundiais
nesse segmento. A revista dizia ainda que a vantagem competitiva
desses dois países será a qualidade, o virtual
extermínio de todos os bugs que infestam os programas
desenvolvidos nos Estados Unidos. Está certo, a
publicação exagerou um pouco na dose, e os EUA
continuam mandando na indústria de software, mas o fato
é que a reportagem detectava o surgimento de dois importantes
pólos.
Passado um ano e meio, a comparação entre os dois
países emergentes chega a ser covardia. Em 2000, a Índia
exportou US$ 6,8 bilhões em software, e o Brasil
prepare-se , míseros US$ 100 milhões. Para
se ter um parâmetro, é menos do que a gaúcha
Marcopolo vendeu para o exterior no ano passado (US$ 128 milhões).
Isso que o Brasil e a Índia produzem a mesma quantidade
de programas. Também não ficamos atrás
em termos de tecnologia, avalia Max Gonçalves,
presidente da Fenasoft, uma das maiores feiras de informática
e internet do Brasil.
Crentes de que o país tem potencial para ser muito, mas
muito mais competitivo, o governo e a indústria da tecnologia
da informação se articulam para ver se conseguem
finalmente fazer decolar o software brasileiro. É claro
que não é a primeira, nem a segunda tentativa.
Esse movimento já dura pelo menos uma década,
quando da criação da Sociedade para Promoção
da Exportação de Software (Softex). Mas algumas
pistas indicam que, desta vez, o resultado pode ser diferente.
Principalmente quando se tem uma visão geral dessa movimentação.
Depois de aprenderem com os próprios erros, tanto o governo
quanto a indústria parecem mais dispostos do que nunca
a depositar esforços nessa briga. A tática é
ser mais competitivo no mercado interno para depois, aí
sim, vender lá fora. Observando mais de perto, no entanto,
percebe-se que ainda estão longe de um consenso e de
definir, afinal, qual o melhor caminho para isso. |
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