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Edição 169 - Agosto de 2001  

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No período em que sentou na cadeira que já foi de FHC e hoje é ocupada por Pedro Malan, entre 1988 e 1990, Maílson da Nóbrega cunhou a política do “feijão-com-arroz” na administração da economia. Dez anos depois, esse economista que fez carreira no Banco do Brasil e chegou a integrar o board de governadores do FMI e do Banco Mundial continua avesso a grandes guinadas nos rumos do país. Mas seu discurso ganhou novos condimentos – especialmente quando o assunto é política. Nesta entrevista a AMANHÃ, o sóbrio Maílson se mostra especialmente ácido ao falar sobre as esquerdas e chega a dizer que constata, entre os empresários, uma “síndrome de Mário Amato” ante uma vitória da esquerda (cujo favoritismo ele não endossa). Mas o que um economista entende de política?, alguém pode perguntar. “Nas outras duas eleições, nossas previsões se confirmaram”, avisa Maílson, que é sócio da Consultoria Tendências.
Eugênio Esber


Quais os limites de variação do câmbio?

A rigor, num câmbio flutuante não há limites para sua variação. O que todos os governos buscam fazer, desde os mais desenvolvidos aos chamados emergentes, é tentar evitar os extremos, a volatilidade exagerada. Na Europa, no ano passado, houve uma coordenação de vários bancos centrais para defender o euro de uma queda livre. Diria que, no Brasil, o que move o câmbio, hoje, são as incertezas, especialmente as vindas da Argentina, mas também as que derivam das tendências eleitorais.

Por quê?
O mercado tem se impressionado muito e a meu ver equivocadamente, com as pesquisas lideradas por candidatos que prometem rupturas ou volta ao passado nas questões econômicas, com atitudes hostis ao capital estrangeiro, calote da dívida externa, e tudo isso estimula a busca de proteção no câmbio. E o mercado brasileiro infelizmente enfrenta uns problemas estruturais, pois, diferentemente do que acontece nos países desenvolvidos, as empresas têm muito mais passivo do que ativos em moeda estrangeira.

São razões suficientes para essa instabilidade?
Afora as questões das expectativas, há uma percepção, infelizmente correta, de que pioraram as condições da balança de pagamentos no Brasil, principalmente no lado dos fluxos. Projeta-se que, apenas no caso dos investimentos estrangeiros, nós podemos estar recebendo, neste ano, de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões a menos que no ano passado. Além do mais, as incertezas que envolvem a economia mundial, que reduziram o apetite pelo risco, e a crise da Argentina tornaram a América Latina uma região percebida pelos investidores em ações como muito mais arriscada. Tudo isso levou o câmbio a mudar de patamar.

 
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