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Quais os limites de variação do
câmbio?
A rigor, num câmbio flutuante não
há limites para sua variação.
O que todos os governos buscam fazer, desde os
mais desenvolvidos aos chamados emergentes, é
tentar evitar os extremos, a volatilidade exagerada.
Na Europa, no ano passado, houve uma coordenação
de vários bancos centrais para defender
o euro de uma queda livre. Diria que, no Brasil,
o que move o câmbio, hoje, são as
incertezas, especialmente as vindas da Argentina,
mas também as que derivam das tendências
eleitorais.
Por quê?
O mercado tem se impressionado muito e a meu ver
equivocadamente, com as pesquisas lideradas por
candidatos que prometem rupturas ou volta ao passado
nas questões econômicas, com atitudes
hostis ao capital estrangeiro, calote da dívida
externa, e tudo isso estimula a busca de proteção
no câmbio. E o mercado brasileiro infelizmente
enfrenta uns problemas estruturais, pois, diferentemente
do que acontece nos países desenvolvidos,
as empresas têm muito mais passivo do que
ativos em moeda estrangeira.
São razões suficientes
para essa instabilidade?
Afora as questões das expectativas, há
uma percepção, infelizmente correta,
de que pioraram as condições da
balança de pagamentos no Brasil, principalmente
no lado dos fluxos. Projeta-se que, apenas no
caso dos investimentos estrangeiros, nós
podemos estar recebendo, neste ano, de US$ 10
bilhões a US$ 12 bilhões a menos
que no ano passado. Além do mais, as incertezas
que envolvem a economia mundial, que reduziram
o apetite pelo risco, e a crise da Argentina tornaram
a América Latina uma região percebida
pelos investidores em ações como
muito mais arriscada. Tudo isso levou o câmbio
a mudar de patamar.
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