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Edição 169 - Agosto de 2001  

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Pesquisadores e analistas de mercado afiançam que o Sul do Brasil pode ser beneficiado em larga escala com projetos verdes. E ressaltam: há diversidade de propostas, dos reflorestamentos às pequenas centrais de energia, operadas com matéria-prima biodegradável. No futuro, alguns programas em andamento poderão ser enquadrados nas normas do Protocolo de Kyoto. É o caso de um imenso aterro sanitário que a mineradora Copelmi inaugura até dezembro, na cidade de Minas do Leão, a 70 quilômetros de Porto Alegre (RS). O local, destinado a receber detritos residenciais e industriais, tem tudo para servir como centro de captação do gás metano, possibilidade admitida pela direção da empresa. “De uma forma global, a extração de carvão é uma atividade poluidora, e o aterro é uma maneira de contribuirmos com a sociedade, embora não seja a única”, diz Carlos Faria, superintendente da companhia.

Faria lembra que, na região carbonífera do Estado, a Copelmi mantém ainda um lago de piscicultura, reservatório de água que abastece a população do município de Butiá, e 220 hectares plantados de acácia, uma das espécies consideradas adequadas ao seqüestro de carbono. O valor gasto nos projetos não é divulgado, o que, aliás, é regra nesse tipo de investimento. Outra empresa que não fala em quanto pretende aplicar com novas ações ecológicas é a holding florestal Battistella. A direção só revela que nos próximos anos o grupo agregará cerca de 15 mil hectares de matas ao seu portfólio (de 64 mil hectares) para o aprisionamento de CO2.

Mais reticente, a Riocell, gigante do setor de papel e celulose no Sul, aguarda os próximos capítulos sobre o mercado de créditos verdes para se posicionar. Proprietária de 40 mil hectares no Rio Grande do Sul, a indústria defende as florestas como excelente instrumento para retirada de gases da atmosfera. A partir de estudos preliminares, a Riocell concluiu que o Estado tem o melhor clima do Brasil quando o assunto é plantar mata para capturar gás – um incentivo às futuras pretensões da companhia nos carbon credits.

Essa posição de esperar para ver também é adotada pela paranaense Klabin, controladora da Riocell, e pela gaúcha Copesul. “Nós já tivemos uma grande oportunidade na captura de CO2”, revela Carla Rangel, executiva da área ambiental da petroquímica. Ela se refere à troca da matriz energética da Copesul (foto acima) em 1999 – de carvão para gás natural –, que poderia ter sido um belo negócio, já que o gás é menos poluente. Só não deu certo, finaliza Carla, porque inexistia regulamentação quanto ao seqüestro de carbono no Brasil.
 
 
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