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Pesquisadores e analistas de mercado afiançam que o Sul
do Brasil pode ser beneficiado em larga escala com projetos
verdes. E ressaltam: há diversidade de propostas, dos
reflorestamentos às pequenas centrais de energia, operadas
com matéria-prima biodegradável. No futuro, alguns
programas em andamento poderão ser enquadrados nas normas
do Protocolo de Kyoto. É o caso de um imenso aterro sanitário
que a mineradora Copelmi inaugura até dezembro, na cidade
de Minas do Leão, a 70 quilômetros de Porto Alegre
(RS). O local, destinado a receber detritos residenciais e industriais,
tem tudo para servir como centro de captação do
gás metano, possibilidade admitida pela direção
da empresa. De uma forma global, a extração
de carvão é uma atividade poluidora, e o aterro
é uma maneira de contribuirmos com a sociedade, embora
não seja a única, diz Carlos Faria, superintendente
da companhia.
Faria lembra que, na região carbonífera do Estado,
a Copelmi mantém ainda um lago de piscicultura, reservatório
de água que abastece a população do município
de Butiá, e 220 hectares plantados de acácia,
uma das espécies consideradas adequadas ao seqüestro
de carbono. O valor gasto nos projetos não é
divulgado, o que, aliás, é regra nesse tipo
de investimento. Outra empresa que não fala em quanto
pretende aplicar com novas ações ecológicas
é a holding florestal Battistella. A direção
só revela que nos próximos anos o grupo agregará
cerca de 15 mil hectares de matas ao seu portfólio
(de 64 mil hectares) para o aprisionamento de CO2.
Mais reticente, a Riocell, gigante do setor de papel e celulose
no Sul, aguarda os próximos capítulos sobre
o mercado de créditos verdes para se posicionar. Proprietária
de 40 mil hectares no Rio Grande do Sul, a indústria
defende as florestas como excelente instrumento para retirada
de gases da atmosfera. A partir de estudos preliminares, a
Riocell concluiu que o Estado tem o melhor clima do Brasil
quando o assunto é plantar mata para capturar gás
um incentivo às futuras pretensões da
companhia nos carbon credits.
Essa posição de esperar para ver também
é adotada pela paranaense Klabin, controladora da Riocell,
e pela gaúcha Copesul. Nós já tivemos
uma grande oportunidade na captura de CO2, revela Carla
Rangel, executiva da área ambiental da petroquímica.
Ela se refere à troca da matriz energética da
Copesul (foto acima) em 1999 de carvão para gás
natural , que poderia ter sido um belo negócio,
já que o gás é menos poluente. Só
não deu certo, finaliza Carla, porque inexistia regulamentação
quanto ao seqüestro de carbono no Brasil. |
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