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Edição 169 - Agosto de 2001  

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Márcio Fernandes*
 

Um mercado potencial de US$ 1 bilhão ao ano está tomando forma no Brasil, motivado por um problema ambiental conhecido há quase três décadas, mas só agora levado a sério – o efeito estufa. Em todos os cantos do país, pipocam projetos quase sempre caríssimos, sobretudo à base do chamado “seqüestro de carbono”. É um novo nome para o processo de retirada do gás carbônico presente na atmosfera. Emitido por diversos setores da indústria, o carbono é o principal causador do efeito estufa, capaz de provocar o aquecimento da Terra em níveis insuportáveis ao homem.
Plantio de florestas (para o seqüestro de carbono), construção de usinas eólicas (que funcionam com a força do vento), reaproveitamento de resíduos como casca de arroz e bagaço de cana-de-açúcar (para renovar a matriz energética) e reciclagem do metano – gás existente nos lixões – são os meios mais promissores no Brasil. Quase todos devem ser adotados em massa ao longo da década. Hoje, há estimativas de que esse negócio já movimente US$ 100 milhões anuais no Brasil, somando os programas recém-iniciados, consultorias e pesquisas.

Mata nativa da Battistella: o gás carbônico que há na floresta pode render lucros à empresa

Tudo decorrente do chamado Protocolo de Kyoto, firmado em 1997 por 170 países, estipulando limites para a poluição do ar. No texto, está escrito que, entre 2008 e 2012, a emissão do volume de gases no planeta terá de cair 5,2%, comparativamente a 1990. Cada nação tem sua cota. E os países industrializados são os que têm mais contas a acertar. Como conseguir isso? Diminuir o uso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) é um dos caminhos. Ou buscar eficiência energética.

Empresas e organismos internacionais são (e serão) os principais financiadores dos projetos de seqüestro de carbono em território brasileiro, inclusive nas zonas economicamente atrasadas – a Metade Sul do Rio Grande do Sul e o sertão do Nordeste são duas delas. Por uma razão simples: no Brasil, o custo de um projeto verde é mais baixo do que nas nações industrializadas. E há muita, muita terra disponível para reflorestamentos, método que deve prevalecer sobre os demais na corrida das empresas que querem se tornar ecologicamente corretas.

 
 
 
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