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Edição 168 - Julho de 2001  

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Brian Alexander

"A verdade é que nós estamos mais interessados em descobrir como as coisas funcionam do que em fazer dinheiro.” Nobel de Física em 1997, Bill Philips assume essa profissão de fé enquanto explica sua premiada descoberta de que o tempo pode ser definido com o desvio de um segundo a cada 20 milhões de anos. Philips evitou o mundo acadêmico e corporativo para ir trabalhar diretamente com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Nist), onde permaneceu por mais de 20 anos como físico, sem nunca ter pensado em mudar de emprego. Completando um século de vida em 2001, a agência era originariamente conhecida como Secretaria Nacional de Padrões, com a função principal de zelar pelas medidas que determinam o comprimento exato de um metro, a duração precisa de um segundo, a quantidade de energia elétrica presente em um volt etc. O Nist definiu essa normatização na época em que havia, no mínimo, oito diferentes medidas de galão sendo usadas ao mesmo tempo, nos Estados Unidos. Um século depois, estabelece um metro como a distância percorrida pela luz no vácuo em 299.792.458 frações de segundo. Como suprema corte das medidas em um mundo que cada vez mais entra em nanoescala, a agência está levando o nível de precisão à escala subatômica, esforço que orienta seus 3.200 pesquisadores na direção dos limites da própria física.

Um bom exemplo é a definição da unidade de medida da fibra ótica utilizada em telecomunicações. Para prevenir a degradação dos sinais, com o uso de fibras de larguras diferentes, o Nist criou um micrômetro tão preciso que pode mensurar o diâmetro das fibras em até 50 nanômetros – ou seja, aproximadamente 100 camadas de moléculas de vidro. É necessário conhecimento em física avançada para criar medidores como esses. Mesmo que tais detalhes lhe pareçam muito esotéricos, saiba que eles já fazem parte da linguagem da ciência moderna e, conseqüentemente, do nosso futuro cotidiano. Fabricantes de painéis solares e semicondutores, companhias de comunicação ótica, fornecedores de produtos químicos, pesquisadores de tecnologia para televisão – todos têm adotado as normas do Nist. Até mesmo a dosagem de radioatividade das “sementes” radioativas implantadas em tumores e de impulsos elétricos dos desfibriladores, utilizados para reanimar pacientes com parada cardíaca, foi calculada pelo instituto. Apesar do impacto de tais descobertas, a verdade é que a agência permanece uma ilustre desconhecida. Até mesmo alguns membros do Congresso norte-americano admitem que não sabem precisamente o que o Nist faz.

Em meu encontro com os pesquisadores da agência, eles afirmaram orgulhosos que “cada mamografia efetuada no país teve seus parâmetros estabelecidos no órgão”. O físico Robert Celotta disse que eu tinha de ver isso de perto. Depois de passar por uma série de corredores, cheguei a uma sala bifurcada em que ressoava um motor – metade do lugar estava coberta por monitores de computador, a outra metade ocupada por uma máquina de aço que, com suas pequenas janelas redondas, parecia a batisfera de mergulho do Capitão Nemo. Celotta explicou que se tratava de um “montador atômico autônomo” capaz de mover átomos individualmente. Naquele momento, as telas estavam registrando a construção de uma caixa em nanoescala, cujos lados eram compostos de apenas um átomo.

 
 
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