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A iniciativa é válida para desburocratizar o
sistema bancário. Além disso, a taxa de juros,
de 3,9% ao mês, fica bem abaixo dos 6% ou 7% costumeiramente
cobrados pelos bancos. O grande diferencial sobre os bancos
privados é a aposta que essas instituições
fazem no empreendimento de quem está buscando os recursos,
compara Samanta Suarez, de Santo André. Ela já
havia recorrido a bancos comerciais na tentativa de conseguir
R$ 20 mil para tirar da informalidade a pequena loja de consertos
de máquinas industriais que era administrada por seu
pai, Aldorino. Esbarrou na exigência de garantias. Para
os bancos, se você não tem carro, casa ou está
na informalidade, não existe, protesta.
O economista Guilherme da Silva Dias, da USP, reconhece o esforço
de certas instituições de crédito e microcrédito,
como o Banco do Povo. Mas ressalta que são iniciativas
muito pontuais, incapazes de fomentar o empreendedorismo como
forma de garantir a efetiva multiplicação de renda
no país. Taxas de juros elevadas, combinadas com
a instabilidade da nossa economia, impedem que essas ações
nos levem a uma situação mais favorável
no futuro, alerta.
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Informalidade, nunca mais

Samanta Suarez, de Santo André,
já havia recorrido a bancos comerciais na tentativa
de conseguir um empréstimo, mas esbarrou na exigênci
a de garantias. Conseguiu o dinheiro no Banco do Povo,
uma organização comunitária, e
não se arrepende. A verba só saiu depois
de várias visitas dos técnicos da instituição,
que queriam saber do potencial do negócio. Foi
orientada a retirar o dinheiro em três parcelas,
para não comprometer o orçamento. Os recursos
foram investidos na ampliação da loja
Aldorino Máquinas, especializada em manutenção
de máquinas, no aluguel de um depósito,
em capital de giro e na formação de estoque.
Ela também constituiu juridicamente a empresa,
até então na informalidade. O faturamento
chega a R$ 40 mil por mês.
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Tanto a dificuldade de obter crédito
quanto os custos desse tipo de operação são
um problema real no Brasil. Ofélia Torres, professora
de empreendedorismo da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), de São Paulo, resume da seguinte forma
a questão: No Brasil, a média da taxa de
juros na década atingiu 15% ou 16% ao ano, enquanto nos
Estados Unidos, no Canadá, na União Européia
e na Austrália oscilou entre 4% e 6%. Mais: a oferta
de crédito no país corresponde a apenas 28% do
PIB. Na Inglaterra, chega a 202%. E é inquestionável
o quanto o dinheiro pode contribuir para o sucesso de um negócio.
A pessoa deve manter uma reserva financeira de
emergência bem gorda como capital de giro, para o caso
de enfrentar dificuldades em se estabelecer, sugere Mauro
Halfeld, professor de finanças da Universidade Federal
do Paraná. Para ilustrar a importância dessa precaução,
ele lembra que, em janeiro, o cenário da economia brasileira
era cor-de-rosa e hoje está atolado em problemas
como o racionamento de energia e o descompasso cambial.
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