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Edição 168 - Julho de 2001  

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A iniciativa é válida para desburocratizar o sistema bancário. Além disso, a taxa de juros, de 3,9% ao mês, fica bem abaixo dos 6% ou 7% costumeiramente cobrados pelos bancos. “O grande diferencial sobre os bancos privados é a aposta que essas instituições fazem no empreendimento de quem está buscando os recursos”, compara Samanta Suarez, de Santo André. Ela já havia recorrido a bancos comerciais na tentativa de conseguir R$ 20 mil para tirar da informalidade a pequena loja de consertos de máquinas industriais que era administrada por seu pai, Aldorino. Esbarrou na exigência de garantias. “Para os bancos, se você não tem carro, casa ou está na informalidade, não existe”, protesta.

O economista Guilherme da Silva Dias, da USP, reconhece o esforço de certas instituições de crédito e microcrédito, como o Banco do Povo. Mas ressalta que são iniciativas muito pontuais, incapazes de fomentar o empreendedorismo como forma de garantir a efetiva multiplicação de renda no país. “Taxas de juros elevadas, combinadas com a instabilidade da nossa economia, impedem que essas ações nos levem a uma situação mais favorável no futuro”, alerta.

Informalidade, nunca mais

Samanta Suarez, de Santo André, já havia recorrido a bancos comerciais na tentativa de conseguir um empréstimo, mas esbarrou na exigênci a de garantias. Conseguiu o dinheiro no Banco do Povo, uma organização comunitária, e não se arrepende. A verba só saiu depois de várias visitas dos técnicos da instituição, que queriam saber do potencial do negócio. Foi orientada a retirar o dinheiro em três parcelas, para não comprometer o orçamento. Os recursos foram investidos na ampliação da loja Aldorino Máquinas, especializada em manutenção de máquinas, no aluguel de um depósito, em capital de giro e na formação de estoque. Ela também constituiu juridicamente a empresa, até então na informalidade. O faturamento chega a R$ 40 mil por mês.

Tanto a dificuldade de obter crédito quanto os custos desse tipo de operação são um problema real no Brasil. Ofélia Torres, professora de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo, resume da seguinte forma a questão: “No Brasil, a média da taxa de juros na década atingiu 15% ou 16% ao ano, enquanto nos Estados Unidos, no Canadá, na União Européia e na Austrália oscilou entre 4% e 6%”. Mais: a oferta de crédito no país corresponde a apenas 28% do PIB. Na Inglaterra, chega a 202%. E é inquestionável o quanto o dinheiro pode contribuir para o sucesso de um negócio. “A pessoa deve manter uma reserva financeira de emergência bem gorda como capital de giro, para o caso de enfrentar dificuldades em se estabelecer”, sugere Mauro Halfeld, professor de finanças da Universidade Federal do Paraná. Para ilustrar a importância dessa precaução, ele lembra que, em janeiro, o cenário da economia brasileira era cor-de-rosa – e hoje está atolado em problemas como o racionamento de energia e o descompasso cambial.
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