Voltar para página inicial
Edição 168 - Julho de 2001  

    Matéria de Capa
    Wired
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto
 

Consuelo Bassanesi*

As razões são as mais diversas: sonho de autonomia, desemprego na meia-idade, dificuldade de ingressar no mercado de trabalho, adesão a algum programa de demissão voluntária. Formal ou informalmente, um batalhão de brasileiros tem se aventurado numa atividade independente. Os números estão aí para provar: de cada oito adultos, um começa um negócio próprio – taxa altíssima ante os padrões mundiais. A pesquisa que colocou o Brasil no pódio do empreendedorismo foi realizada no ano passado, em 11 países, pela Babson College e pela London Business School – duas instituições de ensino, uma norte-americana, a outra inglesa. O resultado mostra que, nos Estados Unidos, por exemplo, a proporção é de um empreendimento para cada dez adultos. Na Alemanha, o índice cai para apenas um em 25. Nesse contexto, a revolução do empreendedorismo deveria ser uma boa notícia de como o famoso “jeitinho brasileiro” subverteu a falta de oportunidades. Não é.

Um estudo coordenado por Marco Aurélio Bedê, gerente de pesquisas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), traça um panorama desolador. No primeiro ano de vida, 35% das empresas fecham as portas, índice que sobe para 46% no segundo ano e atinge 56% no terceiro. As razões para o fracasso do negócio também foram questionadas na pesquisa do Sebrae. As principais: falta de demanda (30%), falta de crédito e capital de giro (25%) e problemas pessoais (16%). Ou seja: nada que três meses de curso, uma boa assessoria ou um investimento extra não pudessem solucionar.

Crédito, eis a questão – O problema é, justamente, conseguir o “investimento extra”. Aí, começa o martírio de muitos empresários, ou candidatos a empresários (veja texto “Onde buscar – e conseguir – capital”). No ano passado, foram liberados no país R$ 10 bilhões em créditos, três vezes mais do que em 1999 – mesmo assim, foi insuficiente. Estima-se que a necessidade de financiamentos ultrapasse os R$ 40 bilhões. Para contribuir com essa “distribuição de renda”, operam no Brasil 50 microbancos comunitários que dão financiamentos de até R$ 10 mil.

O Banco do Povo, uma organização que opera em diversas cidades, é um deles. Em Santo André, na Grande São Paulo, por meio de uma parceria entre prefeitura, sindicatos e a Associação Comercial e Industrial do ABC paulista, a instituição concedeu empréstimos para 184 empresários, em 1998, no valor total de R$ 420 mil. Só até maio deste ano, já havia emprestado R$ 3,1 milhões para 1,3 mil empreendedores. Para ter acesso aos créditos, que vão de R$ 300 a R$ 10 mil, é só comprovar que o candidato mantém um empreendimento em atividade, formal ou não. “Antes de emprestar recursos, fazemos um levantamento sobre o potencial de resultados da empresa”, explica Almir da Corte Pereira, gerente executivo da agência de Santo André.


*Colaboraram: Gilson Camargo, Guilherme Diefenthaeler e Irene Zischler (da Suíça)
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto

     • Onde buscar (e conseguir) capital

     
 
 
Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo