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Edição 167 - Junho de 2001  

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Charles Plat

Por mais de uma década, a internet vem negando a realidade econômica. Desenvolvida em 1969, pelo Departamento de Defesa norte-americano, empregando somente verbas governamentais, a rede mundial insiste em ignorar as regras do mundo dos negócios. A maioria dos usuários paga uma taxa mensal relativamente baixa por um serviço de grande valor, com um nível de qualidade que não varia, seja qual for a distância que o internauta possa estar do backbone mais próximo. E o principal: independente do que ele consultar na rede, não vai pagar praticamente nada a mais por isso. De acordo com o pensamento capitalista tradicional, não faz o menor sentido. Entretanto, esse ambiente quase gratuito sobreviveu e até floresceu. Tanto é que milhões de pessoas se encontram, hoje, on-line.

Tecnofilósofos argumentam que a combinação dos efeitos da lei de Moore e o livre acesso à informação alteraram fundamentalmente a equação econômica. Na previsão de George Gilder, “a banda larga será tão barata quanto os transistores de hoje”. Stewart Brand, o primeiro a sugerir que “a informação precisa ser livre”, sustenta que o conteúdo disponível na internet já tem um custo reduzido demais para poder ser controlado. John Barlow afirma que a tradicional lei dos direitos autorais está obsoleta, o que subtrai os antigos conceitos de propriedade de toda e qualquer imagem, texto ou música digitalizada.

Essas idéias encontraram respaldo na realidade tecnológica. Arquivos digitais podiam ser reproduzidos ad infinitum, sem ônus adicionais, distribuídos a uma fração do custo tradicional. O Napster surgiu com força explosiva. E, seguindo a lei de Gilder sobre uma banda larga gratuita, não estariam os computadores ficando cada vez mais baratos ou, pelo menos, mais potentes pelo mesmo preço? Vai acontecer o mesmo com as conexões?

Como se tem visto, há algumas boas e práticas razões para se duvidar disso. A mais significativa delas não é o aprendizado que as empresas ponto-com tiveram no ano passado acerca da importância fundamental do lucro, nem as recentes vitórias da indústria de gravação contra o Napster na disputa sobre o futuro dos direitos autorais, nem a falência dos serviços gratuitos on-line. Não, a razão imediata se centra em um simples fato tecnológico: com suas incontáveis conexões, a vasta rede de fibra ótica não contempla a opção de custo baixo que os transistores ofereciam. Mesmo que a capacidade de transmissão tenha aumentado, o sistema ainda precisa de instalação e manutenção, e há um velho, mas persistente obstáculo: vencer a distância e atingir dezenas de milhões de consumidores. No que diz respeito à banda larga, não há sinais de que seu custo diminua significativamente. Ao contrário, a banda larga significou taxas mensais maiores, tendência que deve ter continuidade.

 
 
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