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Por mais de uma década, a internet vem negando a realidade
econômica. Desenvolvida em 1969, pelo Departamento de
Defesa norte-americano, empregando somente verbas governamentais,
a rede mundial insiste em ignorar as regras do mundo dos negócios.
A maioria dos usuários paga uma taxa mensal relativamente
baixa por um serviço de grande valor, com um nível
de qualidade que não varia, seja qual for a distância
que o internauta possa estar do backbone mais próximo.
E o principal: independente do que ele consultar na rede,
não vai pagar praticamente nada a mais por isso. De
acordo com o pensamento capitalista tradicional, não
faz o menor sentido. Entretanto, esse ambiente quase gratuito
sobreviveu e até floresceu. Tanto é que milhões
de pessoas se encontram, hoje, on-line.
Tecnofilósofos argumentam que a combinação
dos efeitos da lei de Moore e o livre acesso à informação
alteraram fundamentalmente a equação econômica.
Na previsão de George Gilder, a banda larga será
tão barata quanto os transistores de hoje. Stewart
Brand, o primeiro a sugerir que a informação
precisa ser livre, sustenta que o conteúdo disponível
na internet já tem um custo reduzido demais para poder
ser controlado. John Barlow afirma que a tradicional lei dos
direitos autorais está obsoleta, o que subtrai os antigos
conceitos de propriedade de toda e qualquer imagem, texto
ou música digitalizada.
Essas idéias encontraram respaldo na realidade tecnológica.
Arquivos digitais podiam ser reproduzidos ad infinitum, sem
ônus adicionais, distribuídos a uma fração
do custo tradicional. O Napster surgiu com força explosiva.
E, seguindo a lei de Gilder sobre uma banda larga gratuita,
não estariam os computadores ficando cada vez mais
baratos ou, pelo menos, mais potentes pelo mesmo preço?
Vai acontecer o mesmo com as conexões?
Como se tem visto, há algumas boas e práticas
razões para se duvidar disso. A mais significativa
delas não é o aprendizado que as empresas ponto-com
tiveram no ano passado acerca da importância fundamental
do lucro, nem as recentes vitórias da indústria
de gravação contra o Napster na disputa sobre
o futuro dos direitos autorais, nem a falência dos serviços
gratuitos on-line. Não, a razão imediata se
centra em um simples fato tecnológico: com suas incontáveis
conexões, a vasta rede de fibra ótica não
contempla a opção de custo baixo que os transistores
ofereciam. Mesmo que a capacidade de transmissão tenha
aumentado, o sistema ainda precisa de instalação
e manutenção, e há um velho, mas persistente
obstáculo: vencer a distância e atingir dezenas
de milhões de consumidores. No que diz respeito à
banda larga, não há sinais de que seu custo
diminua significativamente. Ao contrário, a banda larga
significou taxas mensais maiores, tendência que deve
ter continuidade.
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