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Edição 165 - Abril de 2001  

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Stewart Brand, ex-oficial do Exército americano

Em 1961, no auge da Guerra Fria, o engenheiro Paul Baran apresentou ao Departamento de Defesa Americano (Arpa) um método de comunicação à prova de falhas chamado comutação por pacotes. Tratava-se da transmissão rápida de grupos de informações por meio de um canal dedicado à conexão. Os tais pacotes podiam tomar caminhos variados entre o emissor e o destinatário. Problemas políticos, que envolviam a operadora de telefonia AT&T e o Pentágono, atrasaram os processos de desenvolvimento dessa tecnologia – e somente em 1971 foram retomadas as pesquisas de arquitetura da Arpanet. Nascia, ali, a rede precursora da internet. Após discretas, porém substanciais, conquistas como inventor, Baran criou uma série de companhias que exploram suas engenhocas. Quando grandes corporações como a Cisco Systems requisitaram os seus serviços, o mundo das comunicações nunca mais foi o mesmo. Graças a eles, chegou-se às pesquisas de tecnologia wireless.
Para esta rara entrevista, encontrei-me com ele em seu pequeno escritório em Atherton, Califórnia. Tirando um certo brilho maroto nos olhos, não há nada em Baran que lembre um hacker. Sujeito modesto e informal, aos 74 anos se diz mais afiado do que nunca. Será?

Persiste o mito de que a Arpanet, a rede que seria a precursora da internet, foi desenvolvida para administrar ataques nucleares. Isso é verdade?

Não. Bob Taylor, ex-diretor do Departamento de Técnicas de Processamento da agência americana de pesquisas avançadas, propôs em 1966 que criássemos uma rede conectando vários computadores de pesquisas em diversas localidades do país. Ele conseguiu fazer isso usando alguns terminais ligados a máquinas diferentes. Essa é a verdadeira origem da Arpanet. À época, o método que utilizaríamos nas conexões era um tema aberto. Tive várias reuniões com o pessoal da Arpa desde o início dos anos 60. A informação sobre comutação por pacotes, um sistema de comunicação integralmente à prova de falhas, não era surpresa. Até porque outros pesquisadores já mantinham estudos a respeito do tema. Um deles era Donald Davies (1) – veja quadro na próxima página. Eu nunca tinha ouvido falar dele até que apareceu com a mesma idéia. Sei que a origem da comutação por pacotes está mais envolvida com a Guerra Fria.

 
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