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Edição 165 - Abril de 2001  

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Dois setores acompanham, na maior expectativa, a privatização do saneamento. São as indústrias de equipamentos e os fabricantes daqueles produtos que abastecem redes de água e esgoto. A mudança de regime em algumas companhias municipais já teria contribuído para um avanço de 20% no faturamento da indústria de equipamentos em 2000. “As empresas voltaram a comprar”, revela Jeremias Gomes, presidente do Sindesan, o sindicato das indústrias de equipamentos.

Maior produtora nacional de tubos e conexões em PVC, a catarinense Tigre garante que tem pique para atender ao crescimento da demanda que a desestatização deve provocar. “Um dos maiores gargalos ao desenvolvimento do país é a falta de saneamento. O grau de prioridade, arrisco-me a dizer, é semelhante ao da educação”, compara Ivo Gramkow, diretor de infra-estrutura da Tigre. Para o executivo, mais que discutir os meios – via empresas públicas ou privadas –, o importante é atingir o fim, a universalização do saneamento. “A escassez é tão grande que a água ficará cada vez mais rara e mais cara. E o consumidor terá de utilizá-la de maneira racional”, é o alerta de Antônio Carlos Minatti, diretor comercial da Docol, líder brasileira em torneiras e metais sanitários turbinados com mecanismos que economizam água.

Alemanha. A gestão predominante é o serviço público e local. Há cerca de 15 mil sistemas diferentes para 11 mil municípios. Em alguns casos, existem associações de municípios e empresas, que são encarregadas, também, de outros serviços públicos.

Argentina. Com a participação da francesa Suez, a concessionária local é acusada de não cumprir o cronograma de obras e renovação de estações de tratamento de água e esgoto previsto para Buenos Aires nos primeiros cinco anos de contrato. Nesse período, as tarifas aumentaram 80%.

Itália. A responsabilidade é das autoridades municipais. O setor público cuida de 96% da água produzida, e o setor privado, de 4%. Cerca de 35% da água recolhida é operada diretamente pelos municípios, 43% por associações de municípios e 18% por empresas de propriedade pública.

Portugal. Os serviços estão na mão dos municípios. Uma sociedade anônima de capital público, a Epal, abastece Lisboa e cidades vizinhas. Legislação aprovada em 1993 permite fazer concessões e prevê a constituição de sistemas intermunicipais operados por empresa obrigatoriamente com predominância de capital do governo.

Inglaterra. As entidades gestoras foram privatizadas em 1989. Há dez companhias regionais responsáveis por água e esgoto e 23 que cuidam só da água, respondendo por 25% da produção inglesa. Cabe a empresas específicas a implantação de esgotos nessas áreas. Em Londres, a privatização provocou o aumento das perdas por vazamento. Um ano e meio depois, as tarifas estavam 30% mais salgadas. Palavras da revista The Economist, em uma reportagem sobre o assunto: “Afirmar que no Reino Unido a privatização é impopular é uma imagem atenuada do assunto”.

Espanha. A competência pelos serviços de água e esgoto é dos municípios. No país, 60% dos municípios exploram diretamente os serviços e 26% formaram companhias mistas ou fizeram concessões a empresas privadas.

França. Os municípios são “donos” dos serviços. Na maioria dos casos, repassam a concessão a grupos privados. Há cinco grandes companhias que fornecem 75% da água produzida no país a cerca de metade dos municípios, onde vivem 80% dos franceses.

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     • http://www.bndes.gov.br/publica/multi/M_Resultados.asp?
     • http://www.cnol.com.br/

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