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Dois setores acompanham, na maior expectativa, a privatização
do saneamento. São as indústrias de equipamentos
e os fabricantes daqueles produtos que abastecem redes de
água e esgoto. A mudança de regime em algumas
companhias municipais já teria contribuído para
um avanço de 20% no faturamento da indústria
de equipamentos em 2000. As empresas voltaram a comprar,
revela Jeremias Gomes, presidente do Sindesan, o sindicato
das indústrias de equipamentos.
Maior produtora nacional de tubos e conexões em PVC,
a catarinense Tigre garante que tem pique para atender ao
crescimento da demanda que a desestatização
deve provocar. Um dos maiores gargalos ao desenvolvimento
do país é a falta de saneamento. O grau de prioridade,
arrisco-me a dizer, é semelhante ao da educação,
compara Ivo Gramkow, diretor de infra-estrutura da Tigre.
Para o executivo, mais que discutir os meios via empresas
públicas ou privadas , o importante é
atingir o fim, a universalização do saneamento.
A escassez é tão grande que a água
ficará cada vez mais rara e mais cara. E o consumidor
terá de utilizá-la de maneira racional,
é o alerta de Antônio Carlos Minatti, diretor
comercial da Docol, líder brasileira em torneiras e
metais sanitários turbinados com mecanismos que economizam
água.

Alemanha. A gestão predominante é o
serviço público e local. Há cerca de
15 mil sistemas diferentes para 11 mil municípios.
Em alguns casos, existem associações de municípios
e empresas, que são encarregadas, também, de
outros serviços públicos.
Argentina. Com a participação da francesa
Suez, a concessionária local é acusada de não
cumprir o cronograma de obras e renovação de
estações de tratamento de água e esgoto
previsto para Buenos Aires nos primeiros cinco anos de contrato.
Nesse período, as tarifas aumentaram 80%.
Itália. A responsabilidade é das autoridades
municipais. O setor público cuida de 96% da água
produzida, e o setor privado, de 4%. Cerca de 35% da água
recolhida é operada diretamente pelos municípios,
43% por associações de municípios e 18%
por empresas de propriedade pública.
Portugal. Os serviços estão na mão
dos municípios. Uma sociedade anônima de capital
público, a Epal, abastece Lisboa e cidades vizinhas.
Legislação aprovada em 1993 permite fazer concessões
e prevê a constituição de sistemas intermunicipais
operados por empresa obrigatoriamente com predominância
de capital do governo.
Inglaterra. As entidades gestoras foram privatizadas
em 1989. Há dez companhias regionais responsáveis
por água e esgoto e 23 que cuidam só da água,
respondendo por 25% da produção inglesa. Cabe
a empresas específicas a implantação
de esgotos nessas áreas. Em Londres, a privatização
provocou o aumento das perdas por vazamento. Um ano e meio
depois, as tarifas estavam 30% mais salgadas. Palavras da
revista The Economist, em uma reportagem sobre o assunto:
Afirmar que no Reino Unido a privatização
é impopular é uma imagem atenuada do assunto.
Espanha. A competência pelos serviços
de água e esgoto é dos municípios. No
país, 60% dos municípios exploram diretamente
os serviços e 26% formaram companhias mistas ou fizeram
concessões a empresas privadas.
França. Os municípios são donos
dos serviços. Na maioria dos casos, repassam a concessão
a grupos privados. Há cinco grandes companhias que
fornecem 75% da água produzida no país a cerca
de metade dos municípios, onde vivem 80% dos franceses.
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