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Edição 164 - Março de 2001  

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Brian Alexander

Em quatro horas, o Criador estará me pedindo US$ 100 mil para financiar a clonagem de um homem morto, mas, até lá, já teremos bebido bastante, dado voltas infindáveis pela cidade em seu carro esporte e tentado chamar, sem sucesso, uma garçonete. Por isso, estarei acostumado com seu comportamento extravagante, e seu estranho pedido parecerá parte de uma conversa cotidiana qualquer. Apenas começamos a jantar, quando ele manifesta o desejo de ser o primeiro cientista da história a clonar um ser humano. “Esse será o maior passo da humanidade”, afirma. “É a ressurreição de Cristo, a promessa da vida eterna!” O Criador, um homem moreno, de pouco mais de 30 anos, quando faz essas afirmações se parece um pouco com Peter Lorre, ator tcheco famoso por seus papéis de vilões sinistros, em seu personagem de A Besta com Cinco Dedos. Por isso, tenho de me lembrar o tempo todo que ele não é um louco.

Trata-se de um excelente cientista, com PhD em Biologia Molecular, uma lista de publicações revisadas por colegas do ramo e um extenso trabalho de pesquisa em renomada universidade, a qual, diz ele, o despedirá imediatamente assim que vierem a público seus planos de clonagem humana. Daí sua necessidade de permanecer anônimo. O Criador conduz pesquisas acerca de uma proteína – em princípio identificada por ele mesmo – que poderá ter um impacto tremendo no tratamento de doenças cardiovasculares.

Hoje à noite, ele não está pensando em seu trabalho. Está é entusiasmado com a perspectiva da clonagem humana. “É a coisa mais fácil que se pode fazer! Pega-se um núcleo, coloca-se esse núcleo em um oócito desnucleado, pede-se a Deus para que aconteça algo quando o oócito for colocado em uma mãe substituta e espera-se. A coisa mais fácil que já fizemos até agora foi clonar humanos.”

Outros cientistas já me falaram de coisas semelhantes, por isso sei que é bem razoável. Ainda assim, duvido que o Criador chegue até lá primeiro, porque seu discurso, evangélico e fanático demais, lembra muito o de Richard Seed, professor da Universidade de Chicago, especialista em tratamentos contra infertilidade e que tem aparecido na mídia norte-americana como um dos maiores defensores da clonagem de humanos. Seed era um veterinário aposentado e PhD em Medicina quando ganhou notoriedade no início de 1998 ao declarar publicamente sua intenção de clonar humanos e, como muitos outros anjos anunciadores, unir-nos definitivamente a Deus.

 
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